27 de outubro | Dia de mobilização pró-saúde da população negra

A data é marcada pela mobilização pró-saúde da população negra e também pela luta pelos direitos das pessoas com doenças falciformes.

De acordo com o levantamento da Coordenação Geral de Informações e Análise Epidemiológica da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, a taxa de mortalidade materna por 100.000 pessoas era, no ano de 2011, de 68,8 para mulheres negras e de 50,6 para mulheres brancas. Os homicídios aparecem como segunda causa de morte mais frequente entre a população negra, enquanto na população branca, o indicador aparece como quinta causa de mortalidade mais comum.

Algumas doenças genéticas ou hereditárias são mais comuns da população negra e exigem um acompanhamento diferenciado, como Diabete melito (tipo II), hipertensão arterial, miomas, deficiência de glicose 6 fosfato desidrogenas, além da anemia falciforme, que pode ser encontrada em frequências que variam de 2% a 6% na população brasileira em geral, e de 6% a 10% na população negra.

O Departamento de Apoio a Gestão Participativa (DAGEP), parte integrante da Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa (SGEP), atua na implementação de políticas de promoção da equidade para populações em vulnerabilidade. Entre as ações do departamento está a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN). São objetivos incluir os temas de racismo como determinante social de saúde e a importância da apropriação desta temática na formação e educação permanente de trabalhadores e do controle social em saúde e cidadãos em geral, além de reverberar o reconhecimento do racismo institucional enquanto determinante social em saúde.

Doença Falciforme

O Programa Nacional de Triagem Neonatal/PNTN é fundamental para o diagnóstico de doenças falciformes feito em recém-nascidos por meio do teste do pezinho. A partir dos 04 meses de vida pode ser feito o exame de eletroforese de hemoglobina em Unidades de Atenção Básica, para que intercorrências da doença possam ser evitadas com tratamento imediato.

A Associação Baiana das Pessoas com Doenças Falciforme (ABADFAL) com apoio da Federação Nacional das Associações de Pessoas com Doenças Falciformes do Brasil (FENAFAL), coordenada pela senhora Maria Zenó Soares, lançou este ano uma campanha nas redes sociais Intitulada “Eu amo uma pessoa com doença falciforme”. A campanha foi dialogada inicialmente com uma associação da Costa Rica, a FUNDREPA (Fundación para la Investigación y Apoyo a la Persona con Drepanocitosis y otras Hemoglobinopatías), e, partir daí, lançada mundialmente. A campanha está estruturada em quatro idiomas: português, francês, espanhol e inglês. Foram convidas pessoas de associações em diversas partes do mundo, envolvendo 21 países, entre eles Panamá, Brasil, Portugal, Líbano, Alemanha, Costa Rica, Venezuela, Peru, Chile, Guiné Bissau, México e El Salvador. De acordo com a Federação, em 12 dias cerca de 600 fotos já foram publicadas com o mote da campanha.

O antropólogo Altair Lira é pesquisador do Instituto Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA), tem uma filha com doença falciforme e participou da idealização da ação. “Envolver a sociedade e as diversas pessoas na causa das pessoas com doença falciforme é estabelecer um elo, uma corrente de solidariedade e de intervenção social unindo pessoas e povos”, conta. Sobre a filha, Altair Lira explica que começou a atuar ativamente para as questões relacionadas com a Doença Falciforme em virtude de sua experiência. “A ela devo tudo que sei e que me traz e me inclui neste universo da causa das pessoas com doença falciforme. E, além disso, ela me abriu o mundo para uma perspectiva de ser um ser solidário, atuante em comunidade. Participar da ABADFAL e da FENAFAL, entidade que congrega 49 associações em 26 Estados, traz uma perspectiva da necessidade de avanços profundos no tratamento das pessoas com doença falciforme. A primeira delas é a perspectiva de tomarmos a questão a sério, definir este cuidado como prioridade, como urgência. Pensarmos na agenda de saúde num comprometimento institucional que possa reduzir a morbimortalidade da doença, ampliando o cuidado e melhorando a qualidade de vida destas pessoas, incluindo no SUS o transplante de medula para a cura, melhorar os serviços de diagnostico e tratamento”, reivindica.

De acordo com a Coordenadora da Politica Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doença Falciforme e Coordenação Geral de Sangue e Hemoderivados, Joice Aragão de Jesus, as pessoas com doença falciforme se bem cuidadas têm poucas limitações. “Atualmente os procedimentos para os cuidados em doença falciforme possibilitam que estas pessoas estejam nos espaços de trabalho e estudos e possam usufruir de uma qualidade de vida razoável. Atividades esportivas, exposição ao frio ou calor intenso, cansaço prolongado, estresse, não ingestão adequada de água são situações que devem ser evitadas, pois levam a crises e infecções e várias intercorrências graves com mais facilidade que em outras pessoas que não tem a doença”, explica.

Pessoas com doença falciforme apresentam anemia crônica e episódios frequentes de dor severa, decorrentes do processo de vaso oclusão causados pela forma de foice (por isso o nome falciforme) que as hemácias assumem, após liberarem o oxigênio para os tecidos, impedindo que elas circulem adequadamente.

Todos os medicamentos que compõem a rotina do tratamento estão normatizados no SUS. Os que integram a farmácia básica são: ácido fólico (de uso contínuo), penicilina oral ou injetável (obrigatoriamente até os cinco anos de idade), antibióticos, analgésicos e antiinflamatórios (nas intercorrências). A hidroxiuréia, os quelantes de ferro, o dopller transcraniano e transfusões sanguíneas integram os medicamentos e procedimentos para atenção especializada.

Fonte: Bia Magalhães / Blog da Saúde

Foto: Karina Zambrana/MS

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