A COMUNICAÇÃO SOCIAL NAS SECRETARIAS ESTADUAIS DE SAÚDE

Uma breve justificativa de sua importância

Eugênio Vilaça Mendes

 

Dentre os papéis  dos sistemas de saúde, um dos mais inequívocos é da comunicação social. Todas as correntes ideológicas concordam que essa é uma função primordial do Estado e que deve ser executada em diferentes âmbitos, com distintos objetivos e para públicos diversificados.

 

Esse papel é fundamental e constitui-se num forte desafio porque a comunicação em saúde, tradicionalmente, é entendida na sua dimensão exclusiva de atividade-meio, ou seja, como cobertura das decisões, dos fatos e dos feitos que marcam a cotidianidade das organizações. Muitas vezes, esta visão restrita da comunicação  gera a distorção, comum nas instituições públicas estaduais, de centralização do papel de informação e comunicação no Gabinete do Governador. O resultado disso é que esse lugar tão protagônico é organizado – quando o é – como um espaço de marketing institucional e operado por comunicadores sem intimidade com as especificidades da comunicação em saúde. O que leva a resultados pobres e sem sustentabilidade.

 

É fundamental, pois, entender que, além de ser um papel-meio, a comunicação tem, na saúde, um papel-fim. Como papel-fim, a comunicação em saúde vai manifestar-se, como formação de cidadania, em três dimensões: a qualificação da demanda por saúde a partir da exigibilidade dos direitos por parte dos cidadãos; a qualificação da oferta de serviços de qualidade aos cidadãos; e a educação em saúde, o desenvolvimento, nos cidadãos, de conhecimentos, atitudes, hábitos e valores capazes de promover a saúde e prevenir e controlar as doenças.

 

Por exemplo, as dificuldades de enfrentamento que o SUS vive, em relação à dengue, parece situar-se numa estratégia equivocada de controle da epidemia. As ações tradicionais de enfrentamento das epidemias de doenças transmissíveis vêm do modelo sanitarista campanhista, articulado no início  do século passado, e implantado com forte investimento no controle dos vetores através de ações no ambiente e de ações de vacinação. Ocorre que, na dengue, esse modelo não funciona já que não há vacinas, nem tecnologias sanitárias efetivas. O problema causal da dengue está no vetor presente no ambiente intra-domiciliar. Portanto, as intervenções mais efetivas estão no campo da comunicação social e exige  a utilização de estratégias potentes de mobilização social.

 

Isso implicará articular as ações convencionais de assessoria de comunicação com as de informação, educação e comunicação (IEC), orientadas por uma clara estratégia comunicacional de mobilização social. E vai exigir que exista, em cada Secretaria Estadual de Saúde, um lugar institucional específico e singular de comunicação, uma estratégia comunicacional, recursos humanos capacitados a bem desempenhar este papel e recursos financeiros em quantidade suficiente para o cumprimento desses objetivos.

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