Adaptação da capacidade hospitalar em resposta à pandemia por COVID-19

O setor de saúde de todos os países afetados pela pandemia do novo coronavírus são instados a enfrentar desafios em vários aspectos para alcançar o nível requerido de assistência à Covid-19. A adaptação da capacidade hospitalar é um desses desafios no Brasil – e no mundo – e é objeto da Nota Técnica emitida por pesquisadores da Fiocruz, PUC-Rio, IME (Insituto Militar de Engenharia), UFRJ e NKU (Northern Kentucky University, EUA), no final de abril de 2020.

Tendo como base os princípios da Logística Humanitária, as operações humanitárias englobam desde processos de curto prazo em resposta a emergências agudas até assistência de médio e longo prazo, considerando cenários de escassez aguda de suprimentos essenciais, tais como equipamentos de proteção individual, kits diagnósticos e outros insumos, conforme aponta a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Esta Nota Técnica tem como objetivo contribuir para uma melhor gestão e adaptação de hospitais em situações de contingência e crise como as colocadas pela pandemia de COVID-19. São abordadas seis dimensões especialmente críticas envolvidas no atendimento, sendo estas: espaço, funcionários, suprimentos, atendimento, objetivos de expansão e abrangência.

Para Adriana Leiras, do laboratório de Logística Humanitária e Gestão de Operações em desastres, crises e emergências da PUC-Rio, a Nota Técnica representa uma contribuição importante, tendo como base a análise de boas práticas de respostas a pandemias disponíveis na literatura científica. Para ela, sua principal contribuição tem como foco o tema da adaptação da capacidade hospitalar em resposta à pandemia de COVID-19, considerando-se os princípios da Logística Humanitária, que envolvem stakeholders, processos e recursos na resposta, propondo uma estrutura e recomendações para os envolvidos no combate à pandemia.

Victor Grabois, do Proqualis da Fiocruz, considera que há um desafio muito significativo que é a constituição de uma governança mais colaborativa, integrando governos dos diferentes níveis, hospitais, agências e organizações não governamentais. Para  Grabois, esse desafio é uma oportunidade para criar um espaço técnico-político de planejamento apoiado em importantes stakeholders e que possa se beneficiar do uso de ferramentas de planejamento e de previsão de necessidades em todas as seis dimensões.

Ele também destaca diversas ferramentas que a OMS desenvolveu para estimativas associadas às dimensões de funcionários e suprimentos e que se encontram disponíveis para acesso no seu site como Ferramenta de Previsão de Suprimentos Essenciais (Essential Supplies Forecasting Tool – ESFT), Ferramenta de Suporte ao Planejamento de Crises (Adaptt Surge Planning Support Tool) e Estimador da Força de Trabalho em Saúde (Health Workforce Estimator).

O assunto está amplamente discutido na Nota técnica Adaptação da capacidade hospitalar em resposta à pandemia por Covid-19, publicada no Observatório Covid-19.  A nota faz três recomendações para fornecedores, 11 para Secretarias de Saúde (Esataduas e Municipais) e Governo Federal, e 20 para gestores hospitalares, visando reduzir as dificuldades logísticas associadas à pandemia e, consequentemente, reduzir os quantitativos de pacientes sem atendimento e de óbitos.

Por Daniela Lessa / Portal Fiocruz

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