Carta do Rio propõe estratégia mundial para bloquear epidemia de mortes por doenças do coração

Lideradas pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, as mais importantes sociedades de cardiologia do mundo divulgaram a Carta do Rio de Janeiro, um documento de cinco páginas que estabelece as estratégias das campanhas de prevenção das doenças cardiovasculares no Brasil, na America Latina e em todo o mundo, cujo objetivo é reduzir em 25% a mortalidade até 2025.

Elaborada e assinada pelos presidentes da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Jadelson Andrade, American Heart Association, Donna K Arnett, European Society of Cardiology, Fausto Pinto, World Heart Federation, Sidney Smith e Interamerican Society of Catdiology, Daniel Piñero, o documento inédito no mundo estabelece recomendações para reduzir a prevalência dos fatores de risco cardiovascular na população e desta forma modificar o atual perfil epidemiológico destas doenças responsável por cerca de 17 milhões de mortes por ano no mundo, e 315 mil mortes por ano no Brasil, correspondendo a 30% do total de mortes dentre todas as causas de morte relacionadas.

O objetivo é reduzir em 10% a prevalência do sedentarismo nos adultos acima de 18 anos, 25% de redução na prevalência da pressão alta, entendida como maior que 14 por 9 mmHG, limitar a ingestão de sal a menos de 5 gramas diárias, o correspondente a 2000 mg de sódio, redução da prevalência do tabagismo em 30%, diminuir a ingestão de gorduras saturadas em 15%, sustar o aumento dos níveis de obesidade, reduzir em 10% o consumo excessivo de álcool, reduzir em 20% o nível de colesterol total na população, disponibilizar medicamentos para 50% da população para a qual são recomendadas drogas para prevenir ataques cardíacos e AVC (derrames) e disponibilizar medicamentos, para pelo menos 80% da população que necessite da sua utilização.

A proposta das sociedades de cardiologia está de acordo com as recentes deliberações da Organização Mundial da Saúde, que recentemente anunciou que a cada ano estão morrendo 17,5 milhões de pessoas pelo que define como “doenças não transmissivas crônicas degenerativas”, as principais das quais são o infarto, os acidentes vasculares cerebrais e arritmias. Ainda segundo a OMS, essas doenças fazem com que grande número de pessoas venha a falecer com menos de 60 anos, quando mesmo em muitos países em desenvolvimento, inclusive o Brasil, a expectativa de vida é em torno de 76 anos.

“A Sociedade Brasileira de Cardiologia está animada ao estabelecer esta parceria com as mais importantes sociedades de cardiologia do mundo e desta forma ser agentes de mudança no nosso país para incentivar as pessoas a fazer as escolhas inteligentes que irão ajudá-las a proteger sua saúde”, afirma o presidente da SBC, Jadelson Andrade. “Dada a vontade política global que existe para tratar de doenças crônicas, acreditamos que temos uma oportunidade sem precedentes para sensibilizar e agir em nossa missão conjunta para tratar doenças do coração”, finaliza Jadelson.

Confira o documento na íntegra:
http://www.cardiol.br/brasilprevent/2012/noticia08.asp

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