Cenário da dengue em 2014 – artigo do secretário de Estado da Saúde do Rio de Janeiro, Sérgio Côrtes

Artigo publicado hoje (17), no jornal O Dia

Rio – As condições encontradas nas cidades para a disseminação e proliferação do Aedes aegypti têm feito do controle da dengue um grande desafio para a sociedade. A produção crescente de resíduos sólidos, como garrafas, sacolas e outros recipientes plásticos, eventualmente descartados em locais impróprios, associada ao armazenamento domiciliar de água em condições inadequadas, facilita a formação de grandes criadouros do mosquito transmissor da dengue.

Dados recentes do levantamento de índices de infestação (LIRAa) de outubro de 2013, que avalia o percentual de imóveis com presença de larvas do Aedes aegypti, mostram que 70% dos municípios do Estado do Rio de Janeiro apresentam índice de infestação inferior a 1%, considerado satisfatório pelos parâmetros do Ministério da Saúde.

Duas linhas de atuação são fundamentais para a diminuição do impacto das epidemias de dengue: a prevenção da transmissão da doença, através da redução do risco de exposição às larvas do mosquito, e a organização dos serviços de saúde, garantindo o acesso adequado e o atendimento dos pacientes com suspeita de dengue. Todas as ações, entretanto, devem ter como foco central a redução do número de óbitos.

A queda da letalidade (número de óbitos por casos suspeitos notificados) por dengue no Rio de Janeiro é notável ao longo dos últimos sete anos. Esta taxa, que nos anos de epidemia entre 2007 e 2011 variou entre 1 e 1,5 óbitos por 1.000 casos notificados, permaneceu abaixo de 0,3 nos últimos dois anos.

Contribuíram para uma maior efetividade das ações de controle da dengue a ampla participação das secretarias municipais de Saúde, a implantação de protocolos rígidos que valorizam os sinais de gravidade da doença, a capacitação de profissionais de saúde da rede SUS e da saúde suplementar e a organização dos serviços de saúde em momentos de alta transmissão de dengue, com implantação de centros de hidratação.

Continua cabendo a cada um de nós intensificar as ações de prevenção e controle da dengue. A campanha 10 minutos contra a dengue, lançada pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro em 2011 e reeditada em 2013, enfatiza a necessidade de investirmos 10 minutos por semana para garantir que nossas casas estejam livres do mosquito. A intensidade da nossa participação neste período de menor transmissão da doença vai contribuir para definir o cenário da dengue no estado em 2014.

Sérgio Côrtes é secretário estadual de Saúde

Publicado no jornal O Dia, de 17 de dezembro de 2013


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