Congresso contribui para a qualificação da saúde pública no Paraná

congresso de saudeTerminou no último sábado (30/07) em Matinhos, o 3º Congresso Paranaense de Saúde Pública/Coletiva, que reuniu no Litoral do Paraná mais de 1.200 pessoas, vindas de 132 municípios paranaenses, além de participantes de outros 13 Estados e do Distrito Federal.

Promovido pelo Inesco – Instituto de Estudos em Saúde Coletiva e SESA/ Escola de Saúde Pública (Centro Formador de Recursos Humanos), o Congresso teve o patrocínio do Ministério da Saúde, Fundação Araucária, UFPR e prefeituras dos sete municípios do litoral paranaense e o apoio de diversas instituições e órgãos nacionais de ensino superior e da saúde.

Para os organizadores, o evento atingiu plenamente os objetivos. Foram discussões sobre como estão os serviços de saúde pública e o que é possível fazer para melhorar. Apontamentos de experiências inovadoras que estão modificando a gestão e a realidade do atendimento na atenção básica aos usuários. Reflexões sobre como esses novos olhares vão fazer com que aumentem a eficiência e a resolutividade dos serviços de saúde pública, a começar pela formação acadêmica em todos os cursos da carreira da saúde, a educação permanente dos profissionais e a capacitação de conselheiros e líderes comunitários.

O Congresso foi dirigido a profissionais e dirigentes dos serviços de saúde, professores, pesquisadores, estudantes de graduação e pós-graduação em saúde, conselheiros de saúde, líderes e dirigentes de entidades e movimentos comunitários ligados à área. Eles participaram de 48 oficinas temáticas, além de conferências, painéis de discussão, mesas redondas, lançamentos de livros e outras atividades.

Segundo o professor João Campos, presidente do Inesco e coordenador geral do Congresso, o evento foi o espaço que permitiu o debate entre os participantes, em relação às suas percepções e vivências, quanto às dificuldades e oportunidades para o avanço na atenção básica de saúde, no atendimento e em novos programas.

AGENDA DE EFICIÊNCIA PARA O SUS

As propostas do consultor Eugênio Vilaça Mendes, um estudioso de sistemas de saúde do mundo todo, foram destaque no Volume 17 da Revista de Saúde Pública, que teve o lançamento durante o Congresso. Em entrevista à publicação, Vilaça analisa que “o modelo de gestão que se opera no SUS é o da oferta, que responde a demandas individuais isoladamente, por basear-se em parâmetros construídos por séries históricas e por enfrentar o desequilíbrio entre oferta e demanda com um viés de aumento da oferta. Há evidências na experiência internacional de que esse modelo esgotou-se e, por esta razão, deve ser substituído pelo modelo da gestão da saúde da população”.

Vilaça reforça que além da mudança no modelo de gestão, há que se buscar um equilíbrio entre a gestão dos meios (a gestão dos recursos humanos, materiais e financeiros) e a gestão dos fins (gestão da clínica). De acordo com o consultor, “a gestão da clínica é um conjunto de tecnologias, destinado a prover uma atenção à saúde de qualidade: centrada nas pessoas e nas famílias; efetiva, estruturada com base em evidências científicas; segura, que não cause danos às pessoas e aos profissionais de saúde; eficiente, provida com os custos ótimos; oportuna, prestada no tempo certo; equitativa, de forma a reduzir as desigualdades injustas; e ofertada de forma humanizada”.

Para Vilaça, “as tecnologias de gestão clínica mais comumente utilizadas são as diretrizes clínicas baseadas em evidências, a gestão das condições de saúde, a gestão de caso, a auditoria clínica e as listas de espera. O impacto da gestão da clínica na eficiência e na qualidade dos serviços de saúde é enorme, especialmente ao aporte que se dá à incorporação e ao uso racional das tecnologias médicas”. Segundo afirma o consultor na entrevista, em um momento de crise do SUS, em que novos recursos dificilmente serão incorporados em prazo mais ou menos curto, uma agenda de eficiência se impõe.

Essas e outras propostas também foram debatidas no 3º Congresso de Saúde Pública, durante os painéis sobre a Agenda de Eficiência para o SUS, relacionadas à gestão (da Clínica e de Recursos) e Financiamento. Além de Eugênio Vilaça, participou René Santos, da Assessoria Técnica do CONASS – Conselho Nacional dos Secretários de Saúde. Foram discussões importantes para o necessário aprimoramento dos atuais padrões de financiamento, de organização, de formação profissional, de assistência e de gestão que o SUS tem adotado nos últimos anos.

Os representantes do Conass consideram que o Paraná vem contribuindo para o incremento da eficiência do SUS no Estado. Vilaça citou três projetos que atendem á esse objetivo: O APSUS, o COMSUS e o projeto de Governança Regional.

Marise Dalcuche, da diretoria geral da SESA e chefe do Núcleo de Descentralização do SUS no Paraná, apresentou a experiência do Estado, cuja base é o modelo proposto pelo professor Eugênio Vilaça, com diretrizes básicas para o atendimento na Atenção Básica à Saúde.

Um dos projetos considerados exemplos de sucesso de eficiência no atendimento do SUS no Paraná, segundo Marise, é a Rede Mãe Paranaense, que foi iniciada em 2013 para o atendimento de gestantes de alto risco. Neste período, 906 gestantes foram atendidas em oito regionais de Saúde, em 150 municípios do Paraná. Atualmente, estão em atendimento mais de 400 mulheres. Pelo mesmo programa, todas as gestantes com Zika receberam atendimento especial e todas as crianças nascidas dessas gestações terão acompanhamento até um ano de idade. Este trabalho, segundo Marise, demonstra a aplicabilidade das tecnologias de gestão de clínicas.eugenio_vilaca_parana

Segundo os organizadores, a participação do CONASS deu dimensão nacional ao 3º Congresso de Saúde Pública, na busca pela capacitação dos profissionais e de inovações que colaborem com a eficiência do SUS.

PREMIAÇÃO INOVA SAÚDE ENCERROU O CONGRESSO

Durante o 3º Congresso Paranaense de Saúde Pública, foi realizada também a 2ª Mostra Paranaense de Projetos de Pesquisa para o SUS. Ana Lúcia Fonseca, vice-diretora da Escola de Saúde Pública e presidente da Comissão Científica do Congresso, destacou que o grande objetivo foi alcançado: “a integração do ensino, serviço e comunidade, na construção do conhecimento e como ferramenta que pode contribuir com as políticas públicas de saúde”.

Dos 513 trabalhos inscritos na Mostra, 475 foram escolhidos para apresentação, em forma de palestra ou de pôster dialogado. Relatavam projetos e experiências de 122 municípios paranaenses. Desses, 63 foram pré-selecionados pela Comissão Julgadora para concorrer à 1ª edição do Prêmio, que teve o patrocínio da Fomenta Paraná, Compagás e Sanepar.

Após a avaliação das apresentações, foram definidos os três primeiros lugares de cada tema proposto: Políticas Públicas de Saúde – Redes de Atenção à Saúde; Gestão do Trabalho e da Educação em Saúde; Formação em Saúde e Integração ensino-serviço-comunidade; Planejamento e Gestão em Saúde; Vigilância em Saúde; Tecnologias de Informação e Comunicação em Saúde; Tecnologias do Cuidado em Saúde Pública.

A premiação foi durante a solenidade de encerramento do 3º Congresso Paranaense de Saúde Pública, com a participação do secretário estadual de Saúde, Michele Caputo Neto. “Temos que dar mais espaço para a inovação em nossa área. Por isso, somos parceiros na promoção deste prêmio que incentiva cada vez mais nossos profissionais a buscarem soluções criativas para qualificar o SUS”, destacou o secretário. E ressaltou: “Sem dúvida, contamos com os melhores profissionais de saúde pública do país. Se hoje temos avançado e se destacado em várias áreas, isso se deve a qualidade e ao comprometimento desta equipe valorosa que atua em nossa rede”.

Segundo o professor João Campos, com o apoio da Secretaria da Saúde, o Inesco espera perpetuar este prêmio e torná-lo um evento anual.

HOMENAGENS

A equipe do 3º Congresso contou com a participação de diversos profissionais, em todas as fases de organização. A escolha da identidade visual do Congresso, por meio de concurso, foi um marco importante. O quadro que integrou todas as peças de divulgação do Congresso é uma obra de Laércio Gomes, que foi homenageado pelos organizadores na abertura do evento.

A Conselheira Municipal e Estadual de Saúde e líder comunitária, dona Rosalina Batista, recebeu do Inesco um Diploma de Honra ao Mérito. Na década de 1990, ela e outras ex-trabalhadoras rurais formaram na região Sul de Londrina uma entidade para defender direitos básicos, como escola, saúde, cidadania: a Associação das Mulheres Batalhadoras do Jardim Franciscato. O projeto se ampliou e, em 2002, foi fundada a Biblioteca Virtual, onde são realizados cursos de capacitação e atividades para os moradores.

Rosalina hoje leva os exemplos de luta e conquistas por todo o país e também no Exterior. No Congresso, em Matinhos, ela participou de duas oficinas temáticas: “Democratização e qualidade da gestão pública em saúde” e “capacitação de Conselheiros de Saúde e de Secretarias de Conselhos Municipais de Saúde: proposta, conquistas e desafios”.

“BRASIL SEM MOSQUITO”

A Madre Ignez, conhecida como a “Freira do Rap” pelo trabalho de evangelização baseado na arte que realiza no Litoral, fez uma apresentação na solenidade de encerramento do Congresso.

Atendendo pedidos dos organizadores do evento, ela compôs o Rap “Brasil sem Mosquito” e gravou um clipe, para conscientizar toda a população no combate à dengue e outros vírus.

Fonte: Assessoria do Inesco/com SESA

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