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Conass promove 1.ª Oficina de Comunicação em Saúde no Espírito Santo

Iniciativa tem o objetivo de fortalecer a comunicação nas secretarias estaduais de saúde

Em uma iniciativa pioneira, o Conass promoveu, no dia 6 de novembro, em Vitória, Espírito Santo, a 1ª Oficina de Comunicação em Saúde, fruto do Projeto de Apoio às Assessorias de Comunicação das SES desenvolvido pelo Conselho. 

Cerca de 40 pessoas, entre diretores de hospitais, superintendentes de áreas técnicas da Secretaria Estadual de Saúde do Espírito Santo, como vigilância, vacinação, DST/Aids etc., participaram do encontro cujo objetivo foi sensibilizar estes profissionais para a importância da comunicação e ajudá-los a compreender o trabalho das Assessorias de Comunicação e a pressão pela agilidade da informação.

“É importante envolver todos os profissionais neste trabalho de comunicação”, disse o secretário de Estado da Saúde do Espírito Santo, Ricardo de Oliveira, ao afirmar que, nos 4 anos em que está à frente da secretaria, uma das coisas que mais o chamou a atenção foi a necessidade de a população apoiar o sistema.

Ricardo de Oliveira usou como exemplo a relação emocional que a população da Inglaterra tem com o sistema de saúde inglês, o National Health Service (NHS). “Esse apoio é importante não apenas para a manutenção do sistema, mas para que ele continuar a se desenvolver, mas como a nossa população vai defender o sistema?”, indagou.

A resposta segundo o secretário vai além de um bom atendimento e passa pela apropriação por parte da população de informações qualificadas a respeito do SUS. “A sociedade precisa conhecer o SUS porque isso é absolutamente determinante para que ele possa existir, sobreviver e se desenvolver”, categorizou.

No entanto, ainda de acordo com Oliveira, no que depender da grande mídia a população sempre acreditará que o sistema não funciona, já que todos os dias os jornais publicam matérias negativas em relação à saúde pública brasileira. “A mídia, não deveria pegar o problema de uma pessoa com um determinado atendimento e/ou serviço e amplificar aquilo como se fosse o sistema. Aqui no estado a farmácia atende aproximadamente 98% da demanda de medicamentos. Eventualmente 2% das pessoas podem ter problema em não encontrar medicamento, mas isso não acontece porque o SUS não funciona, e sim porque existe uma relação complexa de fornecimento com a indústria farmacêutica”, observou.

Para se contrapor ao que chamou de desserviço, o secretário declarou ser necessário esforço e organização para efetivamente levar conhecimento à população sobre o funcionamento do sistema. “Se a gente não se mobilizar para entender a dimensão política dessa comunicação não vamos conseguir reverter esse quadro. Cada hospital do estado recebe centenas de pessoas. Elas têm de sair de lá com uma boa informação e uma opinião positiva para que ela o defenda. Esse é um desafio não só do jornalismo e do setor de comunicação, mas também da gestão que precisa incorporar a comunicação como uma estratégia importante”. 

O secretário executivo do Conass, Jurandi Frutuoso, afirmou que, entre os inúmeros desafios do SUS, a comunicação é o maior deles. “Temos desafios de financiamento, de modelo assistencial, de modelo de gestão, de incremento de novas tecnologias, etc., mas o pior de todos eles ou, o mais difícil, é o desafio da comunicação”. 

Segundo ele, mesmo que se coloque mais dinheiro no SUS ou que se aperfeiçoe o modelo de assistência, se a comunicação não for eficiente, o sistema não terá êxito.

Trabalhar pelo fortalecimento da comunicação, de acordo com Frutuoso, foi uma decisão da diretoria do Conass. “Nós fazemos uma comunicação reativa onde esperamos ser denunciados para só então respondermos. Não conseguimos mostrar antes a eficiência do sistema, por isso em uma decisão da nossa diretoria resolvemos montar esse projeto que busca contribuir com a qualidade da comunicação nas secretarias estaduais de saúde e cujo o Espírito Santo é o pioneiro”, concluiu.  

Canal Saúde 

Parceiro do Conass nas ações de comunicação que o Conselho tem promovido desde 2014, o Canal Saúde da Fiocruz, participou do evento com a coordenadora do canal, Márcia Corrêa e Castro, que falou sobre conceitos que relacionam comunicação e saúde e destacou o conceito proposto pela professora Inesita Soares, também da Fiocruz, que propõe que comunicação e saúde estão no mesmo nível. 

Segundo esse conceito, a comunicação não é uma ferramenta ou instrumento que está simplesmente a serviço da saúde, mas está sim no mesmo nível. “Quando você coloca a comunicação como uma coisa instrumental, provavelmente você vai dedicar menos tempo para planejá-la, não vai dedicar tempo para avaliar as ações que você está fazendo, porque ela é simplesmente um instrumento, ou seja, não é alguma coisa que faz parte da sua estratégia de saúde”, explicou.

Para a coordenadora do canal, ao fazer um planejamento de uma ação de saúde, muitas questões são consideradas, mas dificilmente a comunicação o é. “Quando fazemos um planejamento amplo da secretaria, seja de qual área for, raramente a comunicação é incorporada como um ator que vai ajudar a planejar as ações. Isso acontece porque acaba se tendo o entendimento de que a comunicação é uma coisa que vem depois para ajudar a divulgar, mas não é. Isso não funciona porque a comunicação também é estrutural”. 

Márcia Corrêa e Castro reforçou ainda que, nos dias atuais, a comunicação na sociedade é a própria estrutura, pois as coisas acontecem na sua arena, onde o debate público e as verdades dessa sociedade são construídos. “Não importa o que vocês estão fazendo dentro dos hospitais, dos postos de saúde, etc. A verdade está sendo construída em outros espaços (a mídia oficial, redes sociais, o bate papo no botequim, nos grupos do WhatsApp etc.). Portanto, se a gente não incorpora a comunicação desde o início, perdemos o acesso a esses espaços. Não é mais como a gente entende a mídia oficial que está determinando a construção dos discursos na sociedade, é muito mais diverso e complexo”. 

Para ela, esse é o momento para quem quer fazer saúde publica de verdade estar incorporando a comunicação não apenas como ferramenta, mas como metodologia, como processo na construção de uma saúde pública melhor. “Essa oficina que o Conass realizou é um passo importante e uma proposta interessante para que a comunicação seja incorporada na prática da saúde de uma maneira efetiva e orgânica”, finalizou.

A cobertura do Canal Saúde pode ser vista no programa Em Pauta na Saúde, exibido no dia 12 de novembro.

A oficina

Reunidos em grupos, os participantes da oficina elaboraram estratégias de comunicação a partir de casos que foram apresentados, a fim de que pudessem compreender o trabalho das Assessorias de Comunicação e a pressão pela agilidade da informação. Nesses momentos, foram vivenciadas práticas e compartilhadas experiências, além do aprendizado com situações reais, trabalho prático e análise de situações.

José Luiz Dulssan, da área de tecnologia da informação da SES/ES, elogiou a oficina. “Hoje eu vi a importância da Assessoria de Comunicação para nos ajudar internamente a socializar as informações que produzimos como por exemplo a melhoria e padronização dos processos. Temos de unir porque nós estamos ilhados no dia a dia, presos na nossa rotina e não conseguimos socializar essas informações. Parabéns pelo trabalho”, elogiou. 

A coordenadora de Imunização da SES, Danielle Grillo, disse que o contato entre os profissionais da SES e a Assessoria de Comunicação foi muito rico e ajuda no trabalho de outras áreas. “Fiquei muito feliz porque, nesses 5 anos que estou na secretaria, sempre tive muita demanda de imprensa, mas hoje eu entendi o quanto é importante a gente trabalhar as outras vertentes da comunicação”. 

Parceria – Além da parceria com a Faculdade Multivix, que colocou suas instalações e equipamentos à disposição da SESA, o evento contou com a cobertura do Canal Saúde, parceiro do Conass em ações de comunicação desde 2013. Em 2015, as instituições realizaram, em parceria, o seminário Conass Debate – Que Saúde Você Vê, no qual gestores, comunicólogos da saúde e profissionais da imprensa debateram ações e estratégias para aprimorar a comunicação do Sistema Único de Saúde (SUS).   

Acesse o albúm de fotos da oficina.

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