Coordenador da Saúde da Família mostra a importância do compromisso com a população

A atuação das equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF) ocorre principalmente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), nas residências e na mobilização da comunidade. Uma das finalidades é estabelecer vínculos de compromisso e de corresponsabilidade com a população e, assim, intervir em situações que ultrapassam o setor saúde e que têm efeitos determinantes sobre as condições de vida e saúde dos indivíduos. Coordenada pelo enfermeiro Luiz Fabiano Chaves Barbosa, a equipe responsável pelo acompanhamento de cerca de quatro mil moradores das Quadras 115, 116, 311 e 511 do Recanto das Emas (DF) mostra que trabalho da ESF não é apenas centrado em doenças.

Recentemente um caso chamou a atenção do grupo formado também por um médico de família, dois técnicos de enfermagem, um dentista e cinco agentes comunitários. Uma mulher de 23 anos passou mal e foi atendida pela Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da região. Lá foi constatado que o mal estar era, na realidade, fome, e que ela está grávida. Por este motivo, a paciente foi encaminhada para o ESF para ter acompanhamento pré-natal. “Até então ela não tinha feito nenhum atendimento. Nossa equipe a encaminhou para exames. Chamamos a família para avaliar a relação com a paciente, na tentativa de garantir um futuro melhor para a criança, já que ela tem transtorno psicótico e, por isto, depende das irmãs. Elas nos contaram sobre as dificuldades de cuidar da paciente, pois ela necessita que alguém esteja sempre vigiando. Ela escapa nos horários que as irmãs saem para trabalhar”, conta o coordenador.

Como a paciente não é assídua às consultas, um agente comunitário da ESF se prontificou a ir buscá-la em casa. “Os agentes comunitários são nosso elo com a comunidade. São eles que distinguem as áreas mais vulneráveis, as famílias que necessitam de maior atenção, conhecem bem a realidade social, econômica, psicológica e familiar dos pacientes”, observa Luiz Fabiano. A equipe entrou em contato com a unidade móvel da Saúde da Mulher para conseguir uma vaga e ela fez diversos exames. O trabalho da equipe não parou por aí. “Soubemos que após a morte da mãe da paciente, ninguém da família sabia onde estavam os documentos dela. Providenciamos a carteira de identidade e outros documentos e uma assistente social foi acionada para cadastrá-la Programa Bolsa Família (PBF), do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS)”, recorda Luiz Fabiano.

Brasiliense, formado há oito anos em enfermagem, Luiz Fabiano Chaves Barbosa conta que, como o objetivo da ESF é atender desde o nascimento até a terceira idade, o trabalho é muito dinâmico e exige que a equipe tenha conhecimento sobre todas as faixas etárias. “Outra particularidade da ESF é a interdisciplinaridade. Todos os profissionais se reúnem para semanalmente discutir os casos dos pacientes baseados em sua competência. Todos tem voz ativa, desde assuntos administrativos até assistenciais. É uma das principais características das equipes da ESF: estamos abertos para multiplicar, mudar a conduta”, elogia.

Diretrizes – As equipes de Saúde da Família atuam com ações de promoção da saúde, prevenção, recuperação, reabilitação de doenças e agravos mais frequentes, e na manutenção da saúde da comunidade. A responsabilidade pelo acompanhamento das famílias coloca para as equipes saúde da família a necessidade de ultrapassar os limites classicamente definidos para a atenção básica no Brasil, especialmente no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS). A expansão e a qualificação da Atenção Básica à Saúde, organizadas pela estratégia Saúde da Família, compõem parte do conjunto de prioridades políticas apresentadas pelo Ministério da Saúde e aprovadas pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS).

Fonte: Ana Paula Ferraz/ Comunicação Interna do Ministério da Saúde

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