“Descobri o que é ser um profissional realizado”, diz voluntário da Força Nacional do SUS

Ao ser convocado pela Força Nacional do SUS, Gilvan Carlos Silva Barreto, 44 anos, deixou a cidade de Aracaju, em Sergipe, para ajudar no atendimento de desabrigados pelas enchentes no Acre. Enfermeiro do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), professor universitário, Gilvan passou 10 dias nas cidades de Brasiléia, Rio Branco e Xapuri. “Além da nossa função de atender na área de saúde, que é curar e prevenir doenças, procuramos levar esperança. Tentamos mostrar que a vida pode melhorar e ser reconstruída”, afirma.

Quando chegou em Brasiléia, o agente de saúde conta que aproximadamente 90% da cidade estava debaixo d’água. “A ida já foi difícil por conta das enchentes no caminho. Precisamos de barcos em alguns momentos. Ao chegar, nos juntamos ao Exército, Defesa Civil e ao Corpo de Bombeiros para atender à população desabrigada. Fizemos avaliação das pessoas e levantamento de idosos e gestantes nos abrigos, verificando o quadro da saúde de cada um deles”, diz.

A visão das casas cobertas de água chocou o enfermeiro, mas foi quando o rio baixou que Gilvan realmente se surpreendeu. “Tivemos a dimensão do problema da cidade. Era um cenário assustador. As casas e lojas estavam acabadas, sem a mínima condição de moradia. Residências caíam na nossa frente no momento que passávamos pela rua para fazer buscas”, conta, emocionado.

“Vimos uma população totalmente triste, desolada por conta da destruição. As pessoas queriam voltar para suas casas, mesmo sem condições. Em muitas delas, havia animais mortos em razão das enchentes. Não podíamos permitir que elas retornassem aos seus lares”, explica Gilvan. Segundo ele, mesmo com as dificuldades, a população lutava para reerguer a cidade. “Me marcou a característica do povo guerreiro, apesar de toda tristeza. Você via união dos serviços, das pessoas e dos gestores para melhorar as condições”, afirma.

Acompanhado por uma enfermeira, um técnico em enfermagem e um médico do Exército, Gilvan trabalhou no pronto-socorro de hospitais e em abrigos, onde cuidava de até 25 pessoas por dia. Recebeu pessoas com ferimentos de pregos dos escombros e escoriações por quedas. “Atendemos também crianças e idosos com patologias como febre, diarreia, dor de cabeça e dor abdominal provocadas pela falta da higiene básica”, lembra.

Apesar dos esforços, Gilvan afirma que faria tudo outra vez. “Foi uma grande experiência profissional e pessoal. Quem tem a oportunidade de participar da Força Nacional do SUS jamais vai esquecer. Depois de atender uma população num momento como aquele, não voltamos para casa da mesma forma”, conta o enfermeiro. Com orgulho, Gilvan revela que ama o que faz. “Nessa missão, achei minha razão de viver e descobri o que é ser um profissional realizado. As pessoas precisam disso, nós precisamos nos doar assim.”

Fonte: Samuel Bessa / Agência Saúde

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