Educar o paciente resulta em mais saúde

Artigo publicado pelo secretário de Estado da Saúde do Espírito Santo, Ricardo de Oliveira, no jornal A Gazeta, em 3 de julho de 2018

O Sistema Único de Saúde (SUS) organiza o atendimento à população em uma rede de atenção com três níveis: a Básica, primeiro atendimento na unidade de saúde do município, a Ambulatorial Especializada, com consultas e exames ofertados pelo estado e a Hospitalar, com alta complexidade. Os serviços de saúde vem, a cada ano, perdendo a visão desse fluxo do paciente e criando gargalos no atendimento.

Segundo Eugênio Vilaça, consultor do Conselho Nacional de Secretários de Saúde – CONASS, os sistemas fragmentados de serviços de saúde se desorganizam e se isolam. Uma rede integrada presta assistência na hora certa e no lugar certo. Ciente desse diagnóstico, trabalhamos por níveis de atenção à saúde resolutivos e de atuação conjunta. Estudos mostram que a atenção básica pode resolver 80% dos problemas de saúde da população. Priorizamos, então, esse primeiro nível de atenção com a capacitação de 22 mil profissionais da atenção básica e a aplicação de novos processos de trabalho nas unidades de saúde. O segundo passo foi reformular o modelo ambulatorial com foco nas doenças crônicas e atendimento multiprofissional.

 Os centros de especialidades passam a ser Unidades de Cuidado Integral à Saúde, onde o paciente chega já com a doença identificada. Ali, o usuário recebe um plano de cuidado com as orientações médicas, de alimentação, exercícios físicos e como tomar remédios. O objetivo é educar o paciente para cuidar da própria saúde. Esta nova maneira de tratar a saúde ganhou o nome de Rede Cuidar: um projeto com o diagnóstico dos problemas do SUS e que reorganiza a assistência com a ajuda dos municípios em todo o estado.

 Já estão em funcionamento as unidades em Nova Venécia e Santa Teresa e, até o fim do ano em Guaçuí e Linhares. Em 2019, Domingos Martins terá uma unidade. Os atuais Centros Regionais de Especialidades serão unidades de cuidado integral à saúde, completando assim a reorganização da assistência ambulatorial especializada no Estado. O terceiro elo desta conexão, a Atenção Hospitalar, ganha quando a maioria dos pacientes passar a resolver suas demandas de saúde nas Atenções Primária e Especializada mais organizadas e eficientes. A Rede Cuidar aponta uma solução para a melhoria dos serviços públicos de saúde. O poder público só precisa perseverar nesse caminho.

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