Em congresso internacional secretário executivo do CONASS propõe elaboração de carta aos governantes

Brasília – O secretário executivo do CONASS, Jurandi Frutuoso, participou nesta sexta-feira, durante o VIII Congresso da Comunidade Médica de Língua Portuguesa, em Brasília, da mesa Saúde em todas as políticas. O objetivo do evento é encontrar estratégias comuns de entendimentos, cooperação, desenvolvimento e políticas para a afirmação de uma Saúde Lusófona.

Frutuoso falou sobre o subfinanciamento da saúde, problema que, segundo observou, persiste desde o nascimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e que gera uma distância entre discurso e prática. “O Brasil tem um sistema de saúde fundando na Constituição Federal de 1988 e que já em seu nascimento entra em contradição. Um sistema público, fundado em ideias fortemente sociais, mas que já pós-Constituinte não tem o seu financiamento garantido, gerando uma contradição que leva à fragilização do sistema e impede a proteção dessas políticas que são propostas”.

Médico, ele também chamou a atenção para o papel fundamental da categoria em relação às políticas públicas sociais. “Temos um papel fundamental nesse processo, pois temos uma forte influência perante a sociedade que vai além do processo da cura. Se nós voltarmos a dialogar com nossos pacientes, a ampliar os nossos horizontes e pensamentos e entendermos que temos um papel mais amplo nas políticas humanitárias, se aceitarmos a ideia de que nosso trabalho vai além de diagnosticar e tratar as pessoas e se fizermos uma imersão nas universidades para mudar o perfil dos formandos, quem sabe possamos avançar e convencer nossos governantes que algo precisa ser feito para reduzir os riscos aos quais estamos submetidos e evoluirmos para uma política social mais humana, fraterna e equânime”, refletiu.

O secretário executivo do CONASS propôs que seja elaborada, a partir do evento, uma carta dirigida aos governantes com estratégias de integração das políticas, visando a adoção de medidas formais que estipulam a todos os níveis de governos, mecanismos claros de articulação intersetorial com capacidade de ação sobre determinantes sociais da saúde e sobre fatores que influenciam diretamente no nível de saúde e bem estar da população.

Ele também propôs a criação de uma carta dirigida à categoria médica, solicitando atuação decisiva na implementação das ações que influenciam em termos de políticas sociais. “Ou seja, reafirmar aqueles compromissos que nós instituímos na busca da adesão dos que ainda não enxergaram que esse é o meio mais fácil de fazer um sistema de governança fortalecido onde todos podem se beneficiar dele”, concluiu.

O VIII Congresso da Comunidade Médica de Língua Portuguesa acontece no Centro de Convenções Internacionais de Brasília, entre os dias 4 e 6 de maio.

Mais informações e a programação em: http://www.cmlp.cfm.org.br/index.php

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