Em Portugal, Conass participa da abertura do ano letivo do Instituto de Higiene e Medicina Tropical

Fernando Cupertino ministra aula inaugural do ano letivo 2019/20 do IHMT

O assessor para Relações Internacionais do Conass, professor doutor Fernando Cupertino, ministrou nesta segunda-feira (28), em Portugal, a Conferência de Abertura do ano letivo 2019/20 do Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa (IHMT).

Com o tema “O que sistemas de saúde e os cidadãos teriam a dizer aos Pesquisadores?”, Cupertino, que é membro efetivo do Conselho do IHMT, provocou a reflexão sobre a importância de que o pesquisador saiba quais são, de fato, os benefícios reais que seu estudo irá promover para a melhoria das condições de vida das pessoas.

O assessor abordou alguns aspectos dos sistemas universais de saúde e observou que estes devem ser compreendidos como o resultado de uma construção coletiva, fruto de uma escolha da sociedade, que arca com os custos de seu funcionamento através do pagamento de impostos, e que abrange muito mais do que as práticas de promoção da saúde, de prevenção de doenças e dos cuidados para a sua recuperação. “Implica, também, em atividades de investigação que satisfaçam as necessidades de aprimoramento permanente desses sistemas, das políticas públicas que os sustentam e animam e que devem levar em conta as necessidades e as expectativas dos cidadãos”, explicou.

Ele citou o exemplo do Brasil– um país de dimensões continentais, marcado por desigualdades sociais, econômicas e importantes disparidades regionais e também mencionou a coexistência do sistema público com um sistema privado que cobre cerca de 25% da população. “Em um ambiente como esse, a pesquisa em saúde deve desdobrar-se em múltiplas abordagens, na tentativa de fornecer respostas e pistas de ação que permitam avançar no desenvolvimento”, ressaltou.

O professor ponderou que, de modo geral, os serviços de saúde são estruturados pelo saber acadêmico e pelas diretrizes de gestão o que, não raramente, pressupõe que as pessoas que os utilizam não são capazes de contribuir para seu aperfeiçoamento, por meio de críticas ou opiniões. “Os cidadãos que democraticamente construíram um sistema universal de saúde também devem participar em suas instâncias de monitoramento, avaliação e de decisão. Neste sentido, o SUS brasileiro possui governança que articula gestores entre si e, também, abre-se à participação de trabalhadores, utentes e prestadores de serviços”.

Para Cupertino a pesquisa acadêmica, se voltada unicamente à satisfação dos interesses pessoais ou do ego do pesquisador, não encontra ressonância entre os profissionais de saúde e entre os usuários uma vez que, em grande medida, não dialoga com seus interesses e necessidades. “É importante atentar para o fato de que as relações entre saúde e cultura são de tal importância, que muitas vezes evidências válidas para uma determinada população, não podem ser automaticamente aplicadas a outras”.

A conferência contou com a presença de alunos de mestrado e doutorado, professores e reitores do IHMT e de embaixadores do países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

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