Inca inicia inscrições para programa de voluntariado

Cerca de 700 pessoas atuam como voluntárias em um programa do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA). O INCAvoluntário reúne trabalhadores da saúde e interessados em auxiliar pacientes com câncer a enfrentar as dificuldades da doença. As inscrições de 2012 começaram nesta semana.

O trabalho em conjunto é feito para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e acompanhantes, com atividades de inclusão social e resgate da cidadania. A coordenadora do INCAvoluntário, Emília Rebelo, afirma que o retorno é positivo para quem recebe os cuidados e para aqueles que atuam como voluntários. “Existe uma série de razões para se candidatar, mas grande parte dos voluntários diz que o maior beneficiado é ele próprio, muito mais que o paciente”, garante.

Antes de começar o trabalho, os selecionados passam por uma entrevista. Caso sejam habilitados, são distribuídos para atuar em uma das cinco unidades do INCA no Rio de Janeiro. “Eles passam por um treinamento, onde conhecem as regras do voluntariado”, explica Emília Rebelo. “Em nossa equipe, temos pessoas que estão conosco há 15 anos”, afirma.

A coordenadora conta que o objetivo é acolher os pacientes. “É preciso ouvir, estar ao lado. Não permitimos, por exemplo, que os voluntários emitam opinião sobre o tratamento”, afirma. Segundo ela, eles não podem cumprir o papel de um profissional da saúde, mesmo que sejam tenham formação para isso. “Enfermeiros não podem emitir palpite sobre o soro, ajudar o paciente a se mexer ou dar banho. Nenhum voluntário pode alterar qualquer procedimento da área médica”, enfatiza.

Emília explica que além de oferecerem apoio, os voluntários estão atentos às necessidades dos usuários do instituto. “Uma vez nos pediram luvas para os pacientes. Não entendemos o motivo. Porém, logo depois, descobrimos que durante a noite a temperatura dos quartos cai e os pacientes ficavam com frio”, conta. “Esse é um exemplo de como a atenção dos voluntários pode levar mais conforto”.

Pacientes em fase de reabilitação e seus acompanhantes também têm à disposição ações voltadas para a geração de renda. O objetivo é oferecer alternativas para os pacientes que interrompem o trabalho em razão de tratamentos longos ou impossibilidades físicas. “Temos um ateliê onde ensinamos informática, damos aulas de bijuteria e pintura em tecido, por exemplo. A intenção é reintegrá-lo à sociedade”, explica a coordenadora do INCAvoluntário, Emília Rebelo.

A equipe de voluntariado ainda realiza eventos nas datas comemorativas para tornar a estrutura hospitalar mais parecida com a de uma casa, proporcionando sensação de bem-estar.

Como participar – Para se candidatar, é necessário ter mais de 21 anos e possuir disponibilidade e comprometimento para trabalhar quatro horas fixas por semana. “A pessoa precisa ter amadurecimento emocional e psicológico para lidar com a finitude humana, parte da realidade de uma instituição que trata de câncer” explica Emília Rebelo. Outra exigência é que o candidato não esteja em tratamento de câncer, tampouco com pessoas na família com a doença. “Alguém como esse histórico tem grandes chances de estar muito envolvido com o problema. Deve haver um prazo mínimo de um ano de distanciamento”, argumenta.

Os interessados devem entrar em contato com o INCAvoluntário às segundas-feiras, de 8h às 17h, pelos telefones (21) 3970-7831 ou 3970-7962. Os vinte primeiros agendados do dia participam de uma entrevista quinzenal, no auditório do instituto.

Fonte: Ana Paula Ferraz / Agência Saúde

Foto: Inca

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