Unidades de saúde vão monitorar violência contra a mulher em Pernambuco

Registro já é obrigatório em todas as unidades quando se trata de agressão doméstica

Durante todo o ano de 2011, a rede de saúde de Pernambuco notificou 4.742 casos de violência contra a mulher. A maior parte delas está relacionada a casos de violência física (2.327 – 54,6%), seguida das psicológica/moral (1.304 – 60,6%) e sexual (314 – 7,4%). Em 2010, foram 2.819 registros, tendo no topo do ranking os mesmos problemas do ano seguinte. Desde 2011, essas agressões, quando ocorrerem no âmbito doméstico (intrafamiliar ou quando há vínculo afetivo), estão inclusas na lista de notificação compulsória de todas as unidades de saúde, seja serviço de urgência e emergência ou pelas equipes de Saúde da Família, por exemplo.

Para intensificar esse trabalho de notificação, que auxilia na construção de outras políticas para inibir o problema, a Secretaria de Saúde de Pernambuco, em parceria com a Secretaria da Mulher, inicia, nesta terça-feira (03/07), um ciclo de capacitações intitulado Violência contra a mulher e o papel da notificação. “É fundamental que todos os profissionais de saúde estejam envolvidos nesse processo de enfrentamento da violência. A notificação é essencial para obtermos bons resultados. Este é o momento é de construírmos um plano intersetorial, por isso estamos fazendo esse intercâmbio”, comentou o secretário estadual de Saúde, Antonio Carlos Figueira.

As atividades reunirão profissionais de 125 municípios pernambucanos que possuem organismos de políticas públicas para as mulheres. Neste primeiro momento dez cidades da Região Metropolitana do Recife (RMR), como Olinda, Jaboatão dos Guararapes, Itamaracá, Paulista e a própria capital, além de quatro municípios da Zona da Mata. A abertura aconteceu às 9h30, com a presença dos secretários estaduais de Saúde, Antonio Carlos Figueira, e da Mulher, Cristina Buarque, além da representante da Secretaria de Vigilância do Ministério da Saúde, Marta Silva, que apresentou conferência sobre a violência contra a mulher como problema de saúde pública.

“A violência contra a mulher é um problema que atinge toda a sociedade, pelos danos físicos e psíquicos causados à vítima e pela mudança ocasionada no perfil de morbimortalidade da população. Essa violência também reflete nos atendimentos nas unidades de saúde, por isso a importância de notificar os casos, para que possamos entender esse cenário, criar e fortalecer políticas públicas específicas para esse público e, principalmente, ações de prevenção”, afirma a diretora-geral de Promoção, Monitoramento e Avaliação da Vigilância em Saúde da SES, Luciana Albuquerque.

A diretora explica que, desde 2003, há leis que estabelecem a notificação compulsória dos casos de violência contra mulher, mais especificamente nos serviços de urgência e emergência. Em 2011, esse registro tornou-se universal e compulsório em toda a rede de saúde.

MULHER – Na rede estadual de Pernambuco, o Hospital Agamenon Magalhães possui o Serviço de Apoio à Mulher Wilma Lessa. Ele funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, acolhendo mulheres que sofreram violência doméstica. O atendimento é realizado por uma equipe multiprofissional, formada por médicos, assistentes sociais, psicólogos e enfermeiras, que garantem o sigilo da paciente.

Na consulta, verificam-se os protocolos necessários ao caso da paciente: uso de contraceptivo de emergência, do coquetel para DST/ HIV e do aborto previsto em lei, tipos de serviço que são rigorosamente analisados pelos médicos. As pacientes, além de receberem orientação sobre seus direitos, tratamento médico e psicológico, ainda são encaminhadas aos serviços especializados da rede e são sensibilizadas para prestar queixa nas delegacias específicas para cada caso. Mais informações sobre o serviço podem ser obtidas pelo (81) 3184.1739.

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