Inovações em saúde devem ir além das perspectivas financeira e mercadológica, aponta publicação da OPAS/OMS

urm_fasciculos_pdi29 de março de 2016 – Para os pacientes receberem medicamentos apropriados a suas necessidades clínicas, em doses adequadas às particularidades individuais, por período de tempo adequado e com baixo custo, deve haver constante fomento à pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I), não apenas sob as perspectivas financeira e mercadológica, mas também sob a ótica da saúde pública. Essa é uma das conclusões do fascículo “PD&I: o uso racional ‘nasce’ antes do medicamento”, lançado neste mês pela Representação da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) no Brasil.

A publicação integra a série “Uso Racional de Medicamentos: fundamentação em condutas terapêuticas e nos macroprocessos da Assistência Farmacêutica”. O objetivo é fornecer aos profissionais, gestores e usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) informações confiáveis e isentas, com base nas melhores evidências científicas disponíveis.

O fascículo aponta que a constante inovação no setor é necessária porque a situação de saúde de uma população possui caráter dinâmico (surgimento de novas doenças; ressurgimento de antigas; resistência microbiana; mudanças de hábitos e padrões de vida) e que os cenários produtivo e mercadológico são repletos de incertezas (medicamentos de alto custo; doenças negligenciadas; dependência do mercado externo; medicamentos de baixa qualidade com pouca efetividade e segurança), o que exige contínuo avanço/aprimoramento do “arsenal” farmacoterapêutico disponível.

De acordo com o consultor nacional de Desenvolvimento e Inovação Tecnológica em Saúde da OPAS/OMS, Felipe Dias Carvalho, indústrias “por vezes voltam seus esforços de PD&I para nichos de mercado, focando doenças, agravos ou parcelas da população que possam representar um público consumidor e gerador de lucro para a companhia, deixando em segundo plano as reais necessidades e o interesse da sociedade, que devem ser ressaltados de modo a estabelecer uma relação do tipo ganha-ganha, na qual ambas sejam beneficiadas”.

Carvalho ressalta ainda que, para racionalizar o uso de tecnologias e fazer frente a esforços distorcidos de PD&I que eventualmente são realizados e que podem resultar na criação de tecnologias com má relação desfechos/custos, de pouco interesse sob o ponto de vista epidemiológico ou de difícil acesso devido à existência de patentes, é fundamental o papel do Estado como ente catalisador para atender as demandas sociais por tecnologias de saúde, mobilizando sua estrutura de gestão e de PD&I (universidades, instituições de pesquisa, laboratórios produtores, órgãos reguladores, agências de fomento). “Se necessário, lançando mão de parcerias com instituições/companhias privadas, de modo a potencializar sua capacidade de dispender esforços na busca de novas e acessíveis soluções para os problemas de saúde pública”, afirma.

A versão completa da série “Uso Racional de Medicamentos: fundamentação em condutas terapêuticas e nos macroprocessos da Assistência Farmacêutica” pode ser acessada no site da OPAS/OMS.

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