Ministério da Saúde lança guia para o manejo clínico da febre de chikungunya

Publicação é voltada aos profissionais de saúde para ajuda-los no diagnóstico precoce e no cuidado adequado

Está disponível no site do Ministério da Saúde a publicação Febre de Chikungunya: Manejo Clínico (clique aqui para acessar). O material, que foi elaborado pela Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS/MS) encontra-se de acordo com todos os protocolos internacionais existentes, é direcionado aos profissionais de saúde que atuam com atendimento clínico, com intuito de dar orientações que auxiliem no diagnóstico precoce e no manejo adequado da doença.

De acordo com Giovanini Evelim Coelho, coordenador-geral do Programa Nacional de Controle da Dengue do Ministério da Saúde, a ideia é que o material sirva como guia para os profissionais médicos. “A febre de chikungunya é uma doença nova para a maioria dos profissionais de saúde do país. Então é fundamental que se tenha uma publicação detalhada com a conduta a ser adotada, sobre as medicações que precisam ser ministradas aos pacientes. Por isso, esse material, que foi ricamente discutido com especialistas, servirá de referência técnica para aumentar a segurança na conduta clínica dos pacientes infectados”, explica.

Os sintomas da dengue e da febre chikungunya são muito parecidos e, segundo Coelho, coordenador-geral do Programa Nacional de Controle da Dengue do Ministério da Saúde, chegar ao diagnóstico correto é o principal desafio dos profissionais médicos. A doença pode evoluir em três fases, conhecidas como aguda, subaguda e crônica. É importante lembrar que o manejo clínico é diferenciado de acordo com cada fase.

A febre de chikungunya é causada por vírus do gênero Alphavirus e é transmitida por mosquitos do gênero Aedes, sendo as fêmeas do Aedes aegipty e Aedes albopictus os principais vetores. Os sintomas que se apresentam são febre alta, dor muscular e nas articulações, cefaleia e exantema (erupção cutânea); os sinais costumam durar de três a 10 dias. Segundo informações da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), a letalidade da chikungunya é rara, sendo menos frequente que nos casos de dengue.

QUADRO
Fase aguda ou febril – Esta fase é caracterizada por febre súbita e intensa poliartralgia, acompanhadas de dores nas costas, dores de cabeça e fadiga, com duração média de sete dias. Consulte outros sintomas no guia.

Fase subaguda – Alguns pacientes evoluem com persistência das dores articulares após a fase aguda e entram na fase subaguda, que pode durar até três meses.
Fase crônica – Se os sintomas da fase subaguda persistirem, o paciente atinge a fase crônica, que pode durar até três anos. Coelho lembra que apenas um pequeno percentual (em torno de 1%) das pessoas com a doença desenvolve a forma crônica. “São pacientes que existem cuidados de fisioterapia, de reabilitação. É mais raro, mas é um percentual importante.”

Até o momento, não existe tratamento antiviral específico para a doença. A terapia utilizada é de suporte sintomático, hidratação e repouso. “O chikungunya causa uma dor articular muito intensa, então existe uma indicação de alguns medicamentos, como antinflamatórios, que no caso da dengue não se indicam”, afirma o coordenador. O especialista lembra que quem se infecta com o vírus fica imune a ele.

É importante lembrar que, embora a febre de chikungunya não seja uma doença de alta letalidade, ela tem caráter epidêmico com elevada taxa de morbidade associada à artralgia persistente, tendo como consequência a redução da produtividade e da qualidade de vida. “Os óbitos que acontecem geralmente estão associados a pessoas que tem alguma doença de base. Estão em grupos de risco pessoas idosas, que muitas vezes têm doenças crônicas como diabetes, hipertensão e artrite”. Os neonatos também merecem atenção, pois há possibilidade de transmissão vertical. Durante o parto, mães infectadas podem transmitir o vírus ao bebê, o que pode causar uma infecção neonatal grave. A transmissão por via transfusional também pode ocorrer, mas são casos mais raros, se observados os protocolos.

Como prevenção, os profissionais médicos também devem alertar os pacientes sobre as medidas que podem ser adotadas para evitar a disseminação do vírus. “As orientações de prevenção são exatamente as mesmas em relação à dengue. Manutenção do ambiente doméstico protegido da infestação, ou seja, todo ou qualquer depósito que possa vir a acumular água tem que ser protegido ou eliminado”, lembra. Outra dica importante, segundo Coelho: “Para o paciente que está com suspeita de chikungunya a recomendação é de que ele fique protegido por um mosquiteiro. Isso ajuda a evitar a propagação da transmissão do vírus”.

Mais sobre o vírus
O vírus CHIKV foi isolado pela primeira em 1952, na Tanzânia. Desde então existem relatos de surtos em vários pontos do globo. Houve, em outubro de 2013, o início de uma grande epidemia em algumas ilhas caribenhas. Em locais afetados recentemente, há epidemias com altas taxas de ataque, variando de 38% a 63%.

Larissa Domingues
Comunicação Interna e Conteúdo Web

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