Doação de órgãos: um ato de solidariedade

Artigo publicado pelo secretário de Estado da Saúde de Pernambunco, Iran Costa, no Jornal do Commercio, em 3 de julho de 2018

A história dos transplantes em Pernambuco teve início em 1995, quando foi criada a Central de Transplantes do Estado (CT-PE). O trabalho das equipes de captação e transplantes é uma corrida contra o tempo, mas todo esse esforço tem apresentado resultados muito positivos. De lá pra cá, quase 20 mil vidas pernambucanas foram modificadas completamente pela doação de órgãos, com a substituição de um não mais funcionante por outro sadio. Nestes 23 anos, uma importante evolução está sendo descrita. Em 1995, foram 110 transplantes. Já no ano passado foram realizados 1.790 procedimentos, um recorde desde a criação da CT-PE. Antes, o ano com mais transplantes realizados tinha sido o de 2012, com 1.690.

Graças aos esforços das equipes, da sensibilização das famílias dos doadores e da priorização da área pelo Governador Paulo Câmara, Pernambuco atingiu, em 2017, o primeiro lugar do Norte e Nordeste no número de procedimentos de coração, rim, pâncreas, córnea e medula óssea, que, juntos, totalizaram mais de 1,6 mil pessoas transplantadas. O Estado ainda figura na segunda colocação do Brasil no caso do coração.

Além disso, há um ano, Pernambuco retomou o status de córnea zero. Isso não significa ausência de pessoas em fila de espera, mas que todo paciente que tiver indicação para um transplante de córnea, depois de realizar os exames necessários para ser inscrito na fila de espera, fará o procedimento em até 30 dias.

A importância dos transplantes e a luta diária das equipes da CT-PE podem ser descritas a partir de histórias como a de Agaliane Balbino, de 52 anos, que sofria de uma cardiopatia grave. Durante mais de um ano, diversos corações foram ofertados, mas nunca havia compatibilidade. O novo órgão de Agaliane veio em julho do ano passado, quando um doador compatível foi identificado em Petrolina – a mais de 700 quilômetros do centro transplantador. Para efetivar o processo, as equipes captadora e transplantadora precisaram trabalhar em consonância, já que, após retirado, o coração tinha que ser transplantado em até 4 horas. Para efetivar o procedimento, que mudou a vida da paciente, até a Força Aérea Brasileira precisou ser acionada para garantir a chegada do órgão ao Recife.

Apesar de todos os esforços, 1 mil pessoas ainda aguardam um órgão em Pernambuco, quantitativo que chegou a 3 mil em 2011. Essa fila ratifica a necessidade de abordar o tema dentro das nossas casas. Ser doador de órgãos e tecidos é um ato de solidariedade ao próximo e que dá a possibilidade do paciente ter mais qualidade de vida. Qualquer pessoa, um dia, inclusive você, leitor, pode precisar de um transplante. E vai bastar um sim para que possamos contar histórias com desfecho positivo como a de Agaliane.

*Iran Costa é médico oncologista e Secretário de Saúde de Pernambuco

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