Presidente do CONASS contesta necessidade do exame de rastreamento do câncer de próstata

O mês de novembro começou com uma polêmica em torno da campanha Novembro Azul que estimula o combate ao câncer de próstata e incentiva os homens com mais de 50 anos a fazerem anualmente o exame de toque retal e a dosagem de PSA no sangue.

Restringir a saúde do homem ao câncer de próstata é no entanto, um erro, à partir do momento em que deixa-se de lado outros doenças que atingem a população masculina, como diabetes e hipertensão por exemplo, ao mesmo tempo em que exacerba a realização de exames de rastreamento do câncer de próstata– prática que há algum tempo tem sido contraindicada por instituições nacionais e estrangeiras como o United States Preventive Services Task Force (USPSTF), o Canadian Task Force on Preventive Health Care, o American Academy of Family Physicians e o United Kingdom National Screening Comittee.

No Brasil, em 2013 o Instituto Nacional do Câncer passou a recomendar que não se organizassem programas de rastreamento para o câncer da próstata, e que homens que demandassem espontaneamente a realização de exames de rastreamento fossem informados por seus médicos sobre os riscos e benefícios associados a essa prática.

Para o presidente do CONASS, secretário de Estado da Saúde do Rio Grande do Sul, João Gabbardo dos Reis, esse tipo de exame costuma dar como resultados muitos falsos positivos, gerando a realização de biópsias e cirurgias desnecessárias e que podem prejudicar o paciente.

Gabbardo ressalta que a necessidade do exame se dá apenas em casos quando sintomas da doença são identificados e em casos em que há histórico familiar.

O Ministério da Saúde, por meio da Nota Técnica conjunta entre a Secretaria de Atenção à Saúde (SAS) e o Instituto Nacional do Câncer (Inca), esclarece que o rastreamento do câncer de próstata, bem como qualquer intervenção em saúde, pode trazer benefícios e malefícios/riscos que devem ser analisados e comparados antes da incorporação na prática clínica e como programa de saúde pública.

Confira aqui, a íntegra da Nota Técnica.

Uma síntese das principais evidências científicas publicadas sobre o tema pode ser consultada no documento do Inca, disponível aqui.

Confira aqui a entrevista do secretário Gabbardo, concedida hoje (04), ao ao Jornal do Almoço da TV Globo.

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