O desafio dos novos gestores municipais

Médico e PHD em Saúde Pública, o prefeito de Fortaleza fala da importância do SUS no enfrentamento da pandemia, no encerramento do Seminário Conass-Conasems

“Esse é importante momento para a discussão sobre o presente e o futuro da saúde, tendo em vista um dos mais graves desafios sanitários da humanidade que é a Covid-19”, palavras do prefeito de Fortaleza, Ceará, Roberto Claudio Frota Bezerra, na palestra de encerramento do I Seminário Nacional Conass-Conasems: O protagonismo do SUS no enfrentamento da pandemia.

Prefeito desde 2013, formado em medicina pela Universidade Federal do Ceará, mestre e PHD em Saúde Pública, pela universidade do Arizona, nos Estados Unidos, Bezerra destacou que os desafios da pandemia ultrapassam o setor saúde, gerando um cenário de pobreza e escassez que marcam a vida das famílias, trabalhadores e desempregados.

“Pude experimentar como cidadão, familiar, médico e gestor todas as angústias que a Covid-19 tem trazido e no momento de dor e angustia, sobressaíram a solidariedade, a coesão, a união e sobretudo a força e a vitalidade da política pública mais inclusiva e de maior justiça social do Brasil que é o Sistema Único de Saúde”, enfatizou. Segundo o prefeito, o SUS “se agigantou, se mostrou necessário e fundamental” e, mesmo frente à críticas, à necessidade de aprimorar processos e eficiência e de garantir mais recursos, o sistema não perdeu seu papel central e o protagonismo para salvar vidas. “Se não fosse a existência e a maturidade do SUS no menor e mais longínquo município, como na mais rica e próspera área urbana, sua presença capilar, descentralizada e integral, certamente o impacto negativo da pandemia seria muito mais grave”, apontou.

A importância das ações de epidemiologia, prevenção, cuidados comunitários, fiscalização, entre outras, também foi destacada na fala do prefeito, ressaltando que toda a população, e não apenas usuários exclusivos do SUS, foi beneficiada. Por isso mesmo, segundo ele, esse é o momento de fortalecer o SUS e de garantir a ele um financiamento à altura de sua abrangência. “Se compararmos qualquer indicador, por gasto per capta em saúde nas diferentes nações do mundo, fica claro o subfinanciado do SUS. Se com escassez de recursos somos capazes de tanto, imagina se o sistema fosse financiado à altura do seu tamanho e da necessidade do povo”.

Bezerra abordou a condução dos estados e municípios, enfatizando a descentralização e a capacidade autônoma dos entes para a rapidez de resposta à pandemia. “Estados e municípios deram a sua resposta, capazes de conduzir com rapidez políticas preventivas e principalmente a acomodação de suas instalações e equipamentos, rearranjando todo o sistema para atender as pessoas, aliviar sofrimento e salvar vidas”.

Segundo o especialista, manter o rigor da ciência, o estudo diário das informações e dos dados traz a capacidade de reagir com rapidez, firmeza e assertividade às necessidades que as novas realidades impõem. Também falou sobre a segunda onda, que traz novas preocupação devido à imprevisibilidade da pandemia.

“Nada pode estar acima da defesa da vida. Continua a necessidade de construir ações com a comunidade, parcerias com instituições, boa comunicação, transparência e clareza de protocolos e restrições, especialmente nas festas de final de ano. É fundamental que quem ocupa a função de liderança sanitária, fale com clareza e lidere a comunidade a entender que algumas ações, mesmo que impopulares, são essenciais para manter a vida”.

Em relação à economia, o prefeito afirmou que devem haver ações compensatórias à prevenção, isolamento, restrição e protocolos, mas que também é fundamental compreender as perdas econômicas, em especial dos mais pobres. “A desigualdade se aprofundou na pandemia e governos devem proteger essa população. Estamos em uma luta constante pela prorrogação do auxílio emergencial do governo federal, que ele faça esse recurso chegar à ponta para quem precisa e continue para aliviar o sofrimento dos mais necessitados”.

Bezerra listou algumas dessas ações compensatórias instituídas em Fortaleza, como o programa de segurança alimentar, de apoio à renda aos informais, catadores de lixo, profissionais da cultura, e isenção das contas de água, luz e gás “num esforço para aliviar o sofrimento econômico e social da população”.

Sobre a vacinação, ele defende que o Brasil se una neste debate nacional, ressaltando que não haverá saída paras as crises econômica, social e sanitária sem vacinação, com a devida segurança e protocolos científicos que priorizem quem mais precisa, além do esforço logístico para fazer chegar a vacina aos quatro cantos do país.

Encerrou alertando que não se pode prever o impacto da segunda onda na assistência à saúde e, portanto, o investimento feito em equipamentos e leitos deve ficar como legado, fácil de se mobilizar caso haja necessidade assistencial de ampliar o atendimento.

Ascom Conass

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