O lado oculto da pandemia – a terceira onda ou o “paciente invisível”

Especialista apresenta estratégias para o enfrentamento da pandemia e suas consequências

A palestra magna do I Seminário Conass—Conasems: O protagonismo do SUS no enfrentamento da pandemia, que começou ontem (9) e segue até sexta-feira (11), do professor Eugênio Vilaça Mendes, trouxe informações importantes e dados a respeito das consequências da pandemia, além de estratégias para as consequências na assistência e na saúde da população (ACESSE AQUI A APRESENTAÇÃO).

Após o processo de mitigação e supressão desenvolvidos na chamada primeira onda da pandemia, os sistemas de saúde de todo o mundo têm de lidar com o ressurgimento dos casos e demais ações para evitar a retomada e o aumento dos casos de Covid-19 gerados pela segunda onda da pandemia, conforme explicou Vilaça.

“Na terceira onda, vêm à tonas as A terceira as condições crônicas não agudizadas, as agudizadas, além dos casos de Covid-19, fruto da atenção à saúde descontinuada, como consultas não urgentes, avaliações diagnósticas, cirurgias e outros procedimentos protelados por conta do coronavírus”, destacou.

Segundo o especialista, as ações de enfrentamento e estratégias para tratar destes “pacientes invisíveis” dependem muito do comportamento individual das pessoas, combinado à políticas públicas e ao planejamento e preparo do sistema de saúde.

A descontinuidade ou o adiamento dos serviços, além de diversas consequências como transtornos mentais e neurológicos, distúrbios renais, entre outros, daqueles acometidos pela Covid-19, trazem impactos significativos, tanto para a assistência, quanto para a economia da saúde.

Estudos citados por Vilaça associam o atraso do diagnóstico/tratamento oncológico ao aumento da mortalidade. Um dos dados apresentados aponta que ao menos 50 mil brasileiros podem ter ficado sem o diagnóstico de câncer entre 11 de março e 11 de maio deste ano. Outras consequências importantes estão relacionadas à saúde das crianças e à baixa cobertura vacinal.

A redução da assistência e dos procedimentos, como exames e cirurgias, causam grande impacto na economia do país, além do aumento do custo para o tratamento das doenças respiratórias agudas e graves que se assemelham ao tratamento da Covid-19.

 

Enfrentando a terceira onda

Entre as estratégias apresentadas para enfrentamento da terceira onda da pandemia, o professor destacou a mudança da postura dos prestadores de serviços, a confiança da população nos serviços e nos profissionais de saúde, o que, segundo ele, depende de uma comunicação efetiva e transparente e da garantia do retorno seguro às unidades de saúde.

“É preciso comunicar o plano de reagendamento, os protocolos de atendimento, além de reforçar a capacidade das equipes de saúde em reagendar e realizar os atendimentos, tomar medidas de distanciamento e higienização necessárias e a devida utilização dos Equipamentos de Proteção Individual”. Na Inglaterra, conforme citou o palestrante, o National Health Service (NHS) traçou um plano de retomada para os trabalhadores da saúde que inclui uma cultura inclusiva e treinamentos para os novos modelos de trabalho em equipe.

Vilaça finalizou falando da “era da aceleração que invadiu, de forma profunda e definitiva, os sistemas de atenção à saúde”, enfatizando que ela determina mudanças nos sistemas, que tendem a realizar reformas considerando a necessidade de atenção à saúde para todos; o crescimento exponencial das tecnologias digitais; a crise financeira; a integração dos sistemas em redes de atenção; e os novos modelos de gestão e de atenção à saúde.

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