Rio de Janeiro – 52% dos moradores do Rio de Janeiro estão acima do peso

Secretaria de Estado de Saúde investe em Programa de Obesidade e cirurgia bariátrica e torna-se líder no país no tratamento da doença

A proporção de pessoas acima do peso no Brasil avançou de 42,7%, em 2006, para 51%, em 2012. Foi o que concluiu a pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde.  A obesidade (IMC superior a 30) é um problema para 17% dos brasileiros, atingindo mais mulheres que homens. O sobrepeso, no entanto, está mais presente em homens (54,4%) do que nas mulheres (48,1%). No Rio de Janeiro, 52% da população está com sobrepeso

Atenta a esse comportamento da população e evolução da doença, a Secretaria de Estado de Saúde implantou em dezembro de 2010 o Programa Estadual de Obesidade. Ele funciona no Hospital Estadual Carlos Chagas, sob a coordenação do médico Cid Pitombo, mestre e doutor em cirurgia e membro do Comitê de Educação Continuada da Sociedade Americana de Cirurgia Bariátrica e Metabólica e também membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Videoendoscópica.

Até hoje, 600 pessoas já passaram pelo procedimento e tiveram suas vidas completamente alteradas por conta da cirurgia bariátrica.  O Rio de Janeiro é o único estado do país a possuir uma unidade de saúde com tomógrafo computadorizado para obesos.  O equipamento está instalado no Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes, Zona Oeste do Rio.

– Antes, pacientes com obesidade faziam a tomografia em aparelhos veterinários. Decidimos instalar o tomógrafo no Carlos Chagas, porque possui o maior projeto de cirurgia bariátrica do Brasil, e assim dar dignidade a estes pacientes. Nossa meta é ampliar esse programa, levando a operação para pessoas do interior – anunciou o secretário de Estado de Saúde, Sérgio Côrtes.

Rio de Janeiro é pioneiro em técnica menos invasiva – O Governo do Estado do Rio de Janeiro tem o primeiro programa com a totalidade das cirurgias bariátricas feitas exclusivamente por videolaparoscopia. A utilização da técnica apresenta diversas vantagens na comparação com as técnicas convencionais: reduz o tempo de cirurgia e anestesia; menor incidência de complicações imediatas ou no pós-operatório; retorno mais rápido às atividades cotidianas e ao trabalho e resultado estético superior aos das técnicas convencionais. Além disso, a técnica – feita através de pequenos furos, nos quais são introduzidos uma microcâmera e micropinças – apresenta menos de 1% de mortalidade em grupos operados.

Indicadores do programa do Governo do Estado – Pesquisa feita com 344 pacientes mulheres do Programa da Secretaria de Estado de Saúde indicou que 62% voltaram ao mercado de trabalho depois de muitos anos desempregadas por conta do excesso de peso. A melhora da autoestima faz que muitas comecem um novo relacionamento, ou reatem os antigos, e 85% das pacientes melhoraram o desempenho sexual depois da cirurgia. Além disso, coisas simples como andar em transporte público, que parecia um suplício para algumas pacientes, hoje não é mais problema, 100% das pacientes relatam melhora nesta questão.

Para o coordenador do Programa de Cirurgia Bariátrica, Cid Pitombo, a alta procura de mulheres pelo programa se deve à estética e à preocupação que a mulher tem em cuidar da saúde.

– A mulher se incomoda mais com a obesidade do que o homem. O Homem de 120 kg, acha que está “gordinho” e a mulher neste peso, acha que está muito obesa. E procura é muito maior. Outro ponto que justifica a grande demanda, é que a mulher está mais ambientada em se tratar com médicos do que o homem. O homem geralmente demora muito para procurar um médico. E a mulher desde jovem vai ao médico, vai ao ginecologista desde cedo, enfrenta as dores do parto, ou o pós-operatório de uma cesariana -, diz.

Cirurgia sem fila de espera – Para se candidatar a uma cirurgia bariátrica no Programa do Estado, o paciente deve procurar um atendimento ambulatorial mais próximo de sua casa para que um médico faça uma primeira avaliação se a cirurgia é necessária ou não. Se a operação for indicada, o médico solicita uma segunda avaliação para a Central de Regulação de Cirurgia Bariátrica do Estado, que encaminha o pedido de forma online ao Hospital Estadual Carlos Chagas. O paciente é contatado e tem uma consulta de avaliação marcada. E, importante, não há fila de espera.

O paciente que tiver Índice de Massa Corpórea dentro do indicado (maior que 40kg/m² ou maior que 35kg/m² quando associado a fatores de co-morbidade, como hipertensão e diabetes, entre outros), que preencham os pré-requisitos do Ministério da Saúde e não tiverem doenças graves associadas são avaliados, preparados e operados.  A equipe do médico Cid Pitombo também acompanha todo o pós-operatório especializado, com orientações de nutricionista, psicólogo e avaliação periódica pelo cirurgião.

Relatos de quem passou pela cirurgia – Foi assistindo a um programa de TV que a professora Cláudia de Souza Andrade, de 40 anos, ficou sabendo das vantagens da cirurgia e resolveu mudar de vida. Ela mal sabia que seria a paciente de número 600 do programa. A cirurgia foi realizada na última quarta-feira (13) e já na sexta-feira (16), a professora recebeu alta e saiu feliz do Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes. Com 1, 70 m e 169 quilos, Cláudia está desempregada há dois anos. Ela conta que a obesidade é o seu maior obstáculo na hora de tentar voltar ao mercado de trabalho. Claudia já não conseguia mais andar direito e já estava com a autoestima abalada. Comprar roupas, algo que toda mulher gosta, também não agradava a professora. Suas calças, por exemplo, são feitas sob medida pela mãe, costureira. Eram. A partir da cirurgia, ela quer comprar calças com o manequim menor.

– Quero vestir roupas de manequim 44, no máximo, e tenho certeza de que eu vou conseguir. Eu já tinha o desejo de fazer a cirurgia bariátrica, mas não sabia da videolaparoscopia. Com ela, não precisaria abrir a minha barriga. Quando vi o programa de TV, fiquei animada e me fui imediatamente ao posto de saúde do meu bairro. Tive que perder peso, pois na época pesava 183 quilos. Além de cuidar da minha saúde, uma das minhas maiores vontades é voltar a trabalhar porque ninguém gosta de dar emprego para pessoas muito gordas. Agora, tenho certeza de que tudo vai ser mais fácil, com dois dias de operada, já me sinto bem. O bom é que eu vou continuar tendo acompanhamento da equipe do programa. – disse a professora.

Uma das primeiras pacientes a ser operada no Hospital Carlos Chagas, a administradora Fernanda Wanick, de 33 anos, comemora os resultados da cirurgia bariátrica. Além da estética, a jovem recuperou a autoestima depois de perder 42 dos 119 quilos que tinha antes da operação. Para Fernanda, o dia 6 de dezembro de 2010, data da cirurgia, marcou o início de uma nova vida.

– Me sinto outra pessoa, mais feliz e confiante. Tentei de tudo para emagrecer, e estava perdendo as esperanças até que soube do programa de cirurgia do Carlos Chagas, que ainda ia começar. Fui a segunda do primeiro grupo de operados. Hoje, voltei a ter os prazeres que tinha deixado para trás, como fazer compras e ir para à praia – disse.


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