Rio de Janeiro – O dia a dia das equipes de ambulância do Centro Estadual de Trauma do Idoso

Rotina inclui experiências comoventes e dificuldades que são superadas com a recompensa de ver a satisfação dos idosos

Ela tem pouco mais de 1,60m e ajuda a carregar pacientes tão ou mais pesados que ela própria. Ele tem cara de durão, mas se emociona com frequência ao ver doentes que agradecem de toda forma pelo atendimento recebido. A dupla Ana Lúcia de Souza e Leandro Parreira, respectivamente enfermeira e bombeiro, forma uma das quatro equipes que comandam as ambulâncias que transportam os pacientes do Centro Estadual de Trauma do Idoso (CETI), que funciona desde outubro de 2012 no Hospital São Francisco de Assis, na Tijuca. São eles que removem os idosos atendidos pelo serviço nos hospitais de origem e os levam para ser operados no CETI e depois de volta para suas residências após a alta.

Cuidado e atenção redobrados são algumas das exigências da rotina. Todos os pacientes levados para o centro têm em comum a idade avançada – acima de 60 anos – e um problema muito frequente nessa faixa etária: fratura de fêmur proximal, tipo mais comum entre idosos e uma das que pode apresentar mais complicações, inclusive letais, quando não tratada em tempo hábil.

Atuando no CETI desde sua inauguração, o Sargento Leandro aponta que o trabalho tem suas dificuldades, como, por exemplo, o acesso complicado de algumas residências. Mas as experiências pelas quais já passou à frente da direção da ambulância compensam qualquer adversidade, segundo ele.

– Nunca vou me esquecer da alta que fizemos numa noite em Caxias. Fomos à casa da paciente, em uma comunidade bem humilde, e quando entramos vimos cinco crianças dormindo em um mesmo colchão, sem lençol. Aquilo nos entristeceu muito, ver tanta pobreza. Mas, apesar disso, a paciente estava muito feliz em ter sido atendida no centro, muito grata por ter seu problema resolvido. Já vimos muitas histórias e sabemos que esse projeto realmente ajuda as pessoas que precisam. Elas ficam deslumbradas quando veem o que é oferecido aqui, que isso é feito pelo poder publico, totalmente gratuito. Pra mim, é muito gratificante poder ajudar e trabalhar dessa forma – conta.

Uma dessas histórias presenciadas por Parreira e Ana Lúcia foi a de Antonio Pereira, 71 anos. O aposentado estava ajudando uma vizinha a colocar uma bomba d’água em casa quando caiu de uma escada e quebrou o fêmur. O idoso, morador da Gardênia Azul, foi levado ao Hospital Municipal Lourenço Jorge e, no dia seguinte, transferido para o CETI. Entre acidente, cirurgia e alta foram apenas cinco dias.

– Estou doido pra voltar a andar, fazer meus bicos. Não gosto de ficar parado. Apesar de ter sido muito bem tratado no CETI e só ter elogios à equipe, quero voltar logo pra casa. Vou passar meu aniversário lá! – comemorou Antonio momentos antes de entrar na ambulância, dessa vez voltando pra casa.

A esposa Nilceia Pereira, 66 anos, 40 deles casada com Antonio, sabia que uma troca de papéis estava pra chegar.

– No hospital, ele me falou: “Preta, não desejo isso pra ninguém”. Fiquei com pena porque ele é muito ativo, não para. Tem dias que eu finjo que estou doente pra ele fazer as coisas pra mim. Só que agora acabou a mordomia, eu que vou ter que cuidar dele – lembrou, em tom de brincadeira.

Cuidados especiais – Apesar de já atuar na profissão há três anos, essa é a primeira experiência de Ana Lucia cuidando de idosos. Ela ressalta as especificidades do trabalho.

– É diferente porque transportamos pacientes idosos e traumatizados que requerem mais atenção e cuidado. Muitas vezes, nós o removemos do hospital fragilizado, vulnerável. Na alta, acontece de o idoso ficar tão ansioso e aflito que temos que retornar com ele para o hospital.

Assim como Parreira, Ana também guarda na memória lembranças que, segundo ela, superam as dificuldades do dia a dia.

– Dois casos me marcaram muito. Um foi de uma senhora que o filho era seu acompanhante e tinha comprometimento de fala e locomoção. Na alta, ele nos explicou com muita dificuldade onde moravam, um local de difícil acesso, numa subida. Ele cuidava sozinho da mãe e, apesar das dificuldades, o carinho entre os dois me emocionou muito. Ela me ouviu comentar dentro da ambulância que tenho uma avó de 92 anos que gosta muito de vinho e fez questão de me dar de presente uma garrafa. O outro caso foi de uma paciente que morava numa vila e quando fomos levá-la em casa tinha uma festa montada com bola, cartaz, tudo. Quando a netinha a viu, deu um grito de felicidade, todo mundo chorou, até o Parreira. A vizinhança batia palmas, gritavam o nome dela. São esses momentos emocionantes que vivemos que faz com que o trabalho seja tão gratificante – lembrou Ana Lúcia.

Centro Estadual de Trauma do Idoso – Completando um ano de funcionamento este mês, o CETI é uma unidade totalmente dedicada à saúde da terceira idade. Focado no atendimento de pacientes acima de 60 anos com fraturas de fêmur proximal conta com 30 leitos de enfermaria, cinco de CTI, além de ambulâncias exclusivas para fazer a remoção rápida entre hospitais. Até o final de setembro, a unidade realizou 1.123 cirurgias e 1.721 consultas ambulatoriais.

Fotos: Divulgação SES/ Maurício Bazílio

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