Rio Grande do Sul – Sala de monitoramento e aplicativos para celular e reforçam o combate ao mosquito da dengue

Local reunirá representantes das entidades envolvidas com o tema, servindo como um espaço de convergência para as tomadas de decisões

O Governo do Estado, por meio da Secretaria Estadual da Saúde (SES), anunciou nesta sexta-feira (15) as novas iniciativas no combate ao mosquito responsável pela transmissão da dengue, zika e chikungunya, o Aedes aegypti. Para isso foi inaugurada uma sala de monitoramento das ações estratégicas, que concentrará todos os representantes das entidades envolvidas com o tema, servindo como um espaço de convergência para as tomadas de decisões. Além disso o plano contará com dois novos aplicativos para smartphones – um para população geral e outro para agentes de saúde.

A cerimônia ocorreu na manhã desta sexta-feira e contou com a presença do governador em exercício José Paulo Cairoli. “Esta ação segue um dos lemas do Governo, que é a integração de todos por um benefício conjunto”, frisou ele, citando as outras entidades parceiras que atuarão junto à SES.

A criação das salas de gestão estaduais foi uma proposta orientada pelo Ministério da Saúde. O espaço foi possibilitado a partir de parcerias com o Hospital Moinhos de Vento, que doou os equipamentos e mobiliários (monitores, computadores, mesa e cadeiras), com o Sindicato dos Hospitais e Clínicas de Porto Alegre (Sindihospa) e com a Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde do Rio Grande do Sul (Fehosul), que cederam mão de obra para a reforma do local.

 

Aplicativos

Através do projeto do TelessaúdeRS/UFRGS, foi lançado o aplicativo RS Contra Aedes, para denúncia de focos do mosquito e a prevenção das doenças por ele causadas. O download é gratuito e pode ser feito nas versões Android e em breve em iOS. Por meio do aplicativo, a população pode saber mais sobre o que é e como se manifestam os sintomas do zika, dengue e chikungunya. O usuário também responde a um questionário que o ajuda a descobrir quais lugares em sua casa podem se tornar criadouros do Aedes. Além disso, o APP possui um alerta para ajuda-lo (semanalmente) a lembrar de verificar esses locais e garantir sua residência livre de focos do mosquito.

O aplicativo estende aos smartphones os serviços que já estavam disponíveis pelo site RScontraaedes.ufrgs.br e 0800 645 3308. Lançados no dia 18 de dezembro, os sistemas já realizaram mais de 1,5 mil atendimentos, entre denúncias e orientações.

Até o final deste mês, a parceria da SES com o Telessaúde deve lançar um outro aplicativo direcionado para os agentes de saúde. Pelo sistema, os profissionais poderão registrar as informações das visitas realizadas às residências.

 

Assinaturas

Na oportunidade, também foram assinados três documentos. Um deles é o que cria o grupo que utilizará o espaço da nova sala, localizada no 6º andar do Centro Administrativo Fernando Ferrari. Ele reúne, além da pasta da Saúde, demais secretarias do Governo do Estado e representantes do Ministério da Saúde, Sindicato Médico do Estado (SIMERS), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Ministério Público do Estado, Federação dos Municípios (FAMURS), Conselho das Secretarias Municipais de Saúde (COSEMS/RS), Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre, Exército Brasileiro e Associação Riograndense de Imprensa.

Também foi assinada a resolução que cria o plano de ação para os agentes comunitários de saúde no trabalho de combate ao mosquito. Através dele, as equipes de Saúde da Família realizarão ações de combate aos criadouros do inseto e de orientação sobre as doenças transmitidas pelo vetor durante as visitas domiciliares. Com isso, os atuais 3 mil agentes de endemias terão o apoio de mais de 10 mil profissionais, entre agentes comunitários e do Primeira Infância Melhor. Com essa atribuição, o plano prevê que todas as residências no raio de ação das equipes sejam visitadas a cada 30 dias. No evento, foi acertada a parceria que permitirá a distribuição de materiais informativos produzidos pelo SIMERS nas redes municipais de saúde.

O incremento da atenção ao tema deve-se, principalmente, pela preocupação trazida a partir da descoberta da relação do zika vírus com casos de microcefalia nos recém-nascidos. A microcefalia é uma malformação congênita, na qual os bebês nascem com perímetro cefálico menor que 32 cm.

No RS, um caso de microcefalia já foi confirmado como tendo relação a uma possível infecção pelo zika. Embora na mãe já não fosse mais possível confirmar o vírus, o caso ganhou essa classificação pelo fato da gestante ter passado por um estado com circulação da doença e apresentado sintomas compatíveis. No país, desde o ano passado, já são mais de 3,5 mil casos notificados, computados desde o início das investigações (em 22 de outubro de 2015).

 

 

Dados no RS

 

Durante a apresentação da sala à imprensa, o secretário estadual da saúde, João Gabbardo dos Reis, também comentou os primeiros dados sobre a dengue em 2016. Ele chamou a atenção para o aumento nos casos suspeitos notificados em comparação com o mesmo período do ano passado. Nas duas primeiras semanas deste ano, já foram 108 registros, contra 54 em 2014. “Com a circulação que temos do mosquito, esse aumento na dengue eleva nossa atenção também para o risco da chegada do zika”, comentou. Desses casos suspeitos, um deles já foi confirmado, sendo ele importado do Paraná.

Também foram atualizados os dados (do ano passado e das duas primeiras semanas de 2016) da febre chikungunya e febre pelo zika vírus. No período, foram identificados 85 casos suspeitos de chikungunya, dos quais 4 importados foram confirmados. Em relação ao zika, foram registrados 32 casos suspeitos, nenhum confirmado até o momento.

 

Medidas de prevenção contra o mosquito

Atualmente o Rio Grande do Sul apresenta 174 municípios considerados infestados pelo Aedes aegypti. No combate ao inseto, a população pode adotar alguns cuidados simples em suas casas e pátios, com o objetivo de diminuir e evitar potenciais recipientes para o desenvolvimento das larvas do mosquito. Deve-se, principalmente, evitar o acúmulo de água parada, que é onde o vetor se reproduz. Entre as principais recomendações, destacam-se:

– Tampar caixas d’água, tonéis e latões,

– Guardar garrafas vazias viradas para baixo,

– Guardar pneus sob abrigos,

– Não acumular água nos pratos de vasos de plantas e enchê-los com areia,

– Manter desentupidos ralos, canos, calhas, toldos e marquises,

– Manter lixeiras fechadas e

– Manter piscinas tratadas o ano inteiro.


Fonte: SES/RS

Foto: Bárbara de Favere/SES

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