Secretários de Saúde dos Estados do Nordeste se reúnem para debater o problema da seca e da judicialização da saúde

Com a crise da maior seca do Nordeste dos últimos 50 anos,  que já atinge 1.415 municípios, o CONASS promoveu hoje (12), em Fortaleza, a reunião dos Secretários de Saúde dos Estados do Nordeste, para debater as repercussões da seca para o setor saúde.

Para o secretário de saúde do Ceará e vice-presente do CONASS da região Nordeste, com a seca a tendência é que a crise do abastecimento de água piore nos próximos meses. “Com a falta de água a saúde da população está sendo atingida e nesse encontro vamos construir diretrizes para ajudar a solucionar essa crise”, disse.

Durante a reunião, Bastos propôs aos secretários uma parceria com o Ministério da Integração, que tem um programa que disponibiliza água tratada para as escolas semi-áridas  do Nordeste. “Queremos uma parceria para expandir esse programa para os hospitais que estão localizados nas áreas de maior risco da seca”.

A gerente do Núcleo de Meteorologia da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), Meiry Sakamoto, apresentou o quadro da seca no Estado.  Segundo ela, o total de chuvas que prevista para o Nordeste em 2013 é muito menor em comparação com o ano passado, além disso, a temperatura média aumentou . “Hoje a temperatura média do Nordeste, que era de 36 graus no período quente, está  5 graus acima, e isso agrava os problemas de saúde no período de seca”‘ falou.

Sakamaoto disse também que com a falta de água nas irrigações pode haver problema de desnutrição. “Não  é possível  irrigar sem água, o que gera a falta de comida para as pessoas que vivem de alimentos rurais, podendo aumentar o problema de desnutrição da população”, afirmou.

Em relação ao problema da judicialização da saúde, Bastos disse ser necessário uma solução conjunta para atender os estados. “Vamos compartilhar ações da judicialização dos outros estados para que possamos obter soluções para enfrentar os problemas dessa área”, falou. Segundo ele, os gastos para atender os mandados judicias de medicamentos aumentaram.

Para assessora técnica do CONASS, Lore Lamb, é  necessário que a secretarias se comuniquem mais com o judiciário para que eles entendam como se organiza a área de Assistência Farmacêutica do SUS. ” Para avançar nessa área e minimizar os problemas da judicialização que hoje são graves, é preciso que exista um diálogo aberto com o setor para que antes dos gestores serem obrigados  a fornecer um medicamento, possam apresentar argumentos  técnicos e administrativos para tomar a melhor decisão para paciente e para serviço público”, disse.

Ao final da reunião, foi aprovada a Carta do Nordeste, sobre as repercussões da seca no setor saúde, que será entregue ao ministro da saúde, Alexandre Padilha, e à presidente Dilma Rousseff. Para Bastos a carta do nordeste é um grito dos secretários do nordeste para falta de atenção da saúde. “Nós temos que alertar o governo federal que é preciso providenciar ações a curto prazo com pleitos a longo prazo”, afirmou.

A carta será entregue ao ministro da Saúde no dia 24 de abril na posse da nova diretoria do Conass, em Brasília.

Por: Luiza Tiné

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