Seminário internacional debate Atenção Primária à Saúde como estratégia central para sustentabilidade do SUS

A Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) organizou nesta terça-feira (17) um seminário que busca contribuir para o debate sobre as opções de fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro. No evento, que ocorre até esta quarta-feira (18) , estão sendo analisados e discutidos resultados de casos nacionais e internacionais que indicam que a Atenção Primária à Saúde (APS) representa uma estratégia indispensável para enfrentar os desafios da sustentabilidade de sistemas universais, como o SUS.

“Mesmo reconhecendo a complexidade do contexto no qual o SUS está imerso, estamos convencidos que a estratégia de Atenção Primária à Saúde, que constitui um dos pilares do SUS, é um dos principais caminhos para a sustentabilidade do SUS, entendido como um sistema de saúde universal baseado no direito à saúde”, afirmou o representante da OPAS/OMS no Brasil, Joaquín Molina.

James Macinko, professor e pesquisador da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, apresentou uma série de evidências científicas sobre o impacto da Atenção Primária à Saúde na redução das desigualdades e na melhoria dos indicadores de saúde no Brasil e no mundo. “Não existe sistema de saúde perfeito. Mas as melhores evidências mostram que um sistema baseado na atenção primária à saúde, com forte investimento nesse setor, vai ter melhores resultados, maior equidade e menor crescimento de despesas em saúde, comparado com outros sistemas que não têm essa base”.

Elisandrea Kemper, coordenadora de monitoramento e avaliação da Unidade Mais Médicos na Representação da OPAS/OMS no Brasil, destacou o impacto do Programa Mais Médicos no setor de atenção primária brasileiro. Ela citou diversos estudos científicos publicados e em vias de publicação que demonstram como a iniciativa contribuiu para a efetivação do direito à saúde no país. “Houve aumento da cobertura, acesso, equidade e satisfação dos usuários. O Programa Mais Médicos vem representando uma mola propulsora ao desenvolvimento da APS e contribui para o SUS no alcance da saúde universal”.

Edson Araújo, economista sênior do Banco Mundial, também ressaltou a importância da atenção primária como instrumento para a cobertura e o acesso universal em saúde e reiterou a importância do Programa Mais Médicos como resposta à baixa oferta de profissionais no Brasil. Lembrou ainda que a maioria dos profissionais costumam trabalhar em grandes centros urbanos, enquanto populações de pequenos municípios acabam ficando descobertas. Esse, segundo o economista, é um dos fatores estruturais para a ineficiência na atenção primária em alguns municípios. “A maioria deles se beneficiaria com mais gastos em atenção primária. A cada real investido, mais se ganha com retorno em eficiência. Além disso, quanto mais eficiente é a APS, mais eficiente será a média e alta complexidade”.

Já Maureen Lewis, CEO da Aceso Global, além de apresentar as realidades de saúde em diferentes países (como Estados Unidos, Espanha, Tailândia e Portugal), sublinhou boas práticas para melhorias concretas na eficácia e na qualidade dos sistemas de saúde. Segundo Maureen, entre elas estão uma atenção integral e centrada nos pacientes, principalmente aqueles que possuem doenças crônicas não transmissíveis e necessitam de acompanhamento contínuo, o uso da tecnologia para a integração de sistemas e o foco na melhoria da qualidade dos serviços prestados. “Eficiência e qualidade andam juntas”, afirmou.

30 anos do SUS

O Seminário está sendo organizado pela OPAS/OMS, com o apoio do Ministério da Saúde do Brasil, do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS), do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS) e do Banco Mundial, como parte das atividades que marcam, neste ano, o trigésimo aniversário do SUS.

O evento conta também com a participação de profissionais das seguintes instituições: Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS); Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA); Associação Brasileira de Economia da Saúde (ABRES); Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO); Conselho Nacional de Saúde (CNS); Escola de Saúde Pública de Harvard; Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ); Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA); Observatório de Análise Política em Saúde do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia; Rede Unida; e Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade.

Fonte: Opas/OMS

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