SES destina mais de R$ 3 milhões para projetos de assistência à comunidade indígena

Por Guilherme Torres – SES/MG

Criada no ano 2000, a Coordenadoria Estadual Saúde Indígena (CESI), da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais vêm desenvolvendo ações para a melhoria da qualidade de vida e conservação da tradição medicinal de quase 15 mil índios que vivem no estado. A assistência à população indígena é de responsabilidade do Governo Federal, porém a SES também oferece assistência à saúde indígena e trabalha proporcionando uma atenção primária de qualidade, que conta desde logística de transporte a unidades básicas de saúde, a trabalhos de prevenção ao alcoolismo e até a prevenção ao suicídio.

Uma ação pioneira no país também foi criada por Minas Gerais, através da CESI, é a “Casa da Medicina Indígena”, que busca a manutenção da tradição e cultura na preservação da saúde. A estrutura visa à prática dos rituais sagrados para cura de doenças e preservação da saúde e, ainda, proporcionar local adequado e seguro para o manuseio das plantas medicinais naturais, sua guarda e entrega aos membros da comunidade. “Nosso objetivo é o acolhimento e cuidado ao indígena, evitar evasão e protegê-los. Além disso, trabalhamos no resgate da medicina tradicional e na ampliação da Atenção Primária. Até o momento são 11 Unidades de Saúde entregues e muitos projetos desenvolvidos que se tornaram programas com ações contínuas”, explica a coordenadora de Saúde Indígena, Simone Faria.

Investimento na saúde Indígena

Para atender ao Subsistema SUS Indígena, a SES programou investir neste ano o valor de R$3.098.312,00 milhões para otimizar a qualidade da atenção às dez etnias localizadas em quinze municípios de oito regionais de saúde (mais da metade se encontra na região de São João das Missões, no Norte de Minas).

O primeiro compromisso firmado foi a publicação, neste ano, da Resolução Estadual (nº 3.648), cujo valor de R$624.336,00 mil será utilizado para estruturar as ações desempenhadas pelas dezenove equipes de saúde que atuam com as comunidades. As equipes são compostas por dentista, técnico de saúde bucal, médico, enfermeiro, técnico e auxiliar de enfermagem, auxiliar de saúde e também em especial o agente indígena de saúde (AIS), que tem conhecimento da comunidade e atua de forma especial como interlocutor, uma vez que algumas aldeias não falam português. O recurso também deverá ser utilizado para o incremento das ações dos cuidadores das hortas medicinais, cultivadas pelos próprios indígenas.

O segundo compromisso, foi publicado no mês passado através de Resolução (nº 3.684) no valor de R$919.055,00, que trata de várias ações integrantes de Atenção Primária e Organização de Redes de Atenção à Saúde Indígena para a estruturação da Política Estadual de Atenção à Saúde Indígena no estado de Minas Gerais. Destaque para o “Programa Registro e Resgate da Medicina Tradicional Indígena e Uso de Plantas Medicinais na Aldeia”, criada pela CESI desde 2006, que além de possibilitar a oferta de aquisição de material de plantio para o cultivo das hortas medicinais, também permite manipular os medicamentos naturais usualmente utilizados.

Outro programa da CESI inserido no segundo compromisso é o “Programa de Saúde mental Indígena”, que dispõe de recursos para a aquisição de material esportivo e recreativo com finalidade de manter as relações sociais nas aldeias e bem estar coletivo integrando os membros da comunidade. Maior qualificação de infraestrutura também foi direcionada para ampliar as cozinhas das Unidades de Saúde localizadas nas aldeias que ficam em Bertópolis, Ladainha e Santa Helena de Minas. Elas irão possibilitar a atenção dobrada da vigilância nutricional dos indígenas Maxakali da Aldeia de Pradinho, Cachoeira, Água Boa e de Topázio ali residentes. Também três Unidades de Saúde serão ampliadas em Território da etnia Xakriabá, com espaço de consultório odontológico (Aldeia Prata, Aldeia São Domingos e Aldeia Sumaré) e ainda será possibilitada a ampliação de Unidade de Saúde da etnia Kaxixó localizada em Martinho Campos, com sala de vacinas, esterilização e de curativo.

Há também treinamentos que fazem parte do “Programa Educação e Saúde nas Aldeias,” que ocorrem a partir deste mês para as equipes de saúde indígena abordando temas diversos dentro da necessidade de organização de serviços nas aldeias. Ao todo são doze capacitações programadas para o ano de 2013 tendo como um dos principais focos a organização de serviços nas aldeias em Minas Gerais.

Além disso, diversos cursos são oferecidos e ministrados pela CESI no estado. Confira a lista para o primeiro semestre:

Evento

Turma

Participantes

Data

“Atendimento de Urgência e Emergência a População Indígena”

35 pessoas

Profissional de nível superior e Técnico que atuam nas aldeias

24 a 27 de abril

“Políticas Públicas de Saúde Indígena – Oficina Participação Comunitária Indígena”

40 pessoas

Lideranças Indígenas, Conselheiros Indígenas.

26 e 27 de abril

“Antropologia da Saúde: Etnografia Maxakali – o canto e a construção da pessoa” – Módulo I.

37 pessoas

Profissionais de nível médio, Agentes Indígenas de Saúde, Caciques, lideranças, comunidade indígena.

6 a 8 de maio

“Antropologia da Saúde: Etnografia Maxakali – o canto e a construção da pessoa” – Módulo II.

37 pessoas

Profissionais de nível médio, Agentes Indígenas de Saúde, Caciques, lideranças, comunidade indígena.

20 a 22 de maio

“Ações de Vigilância em Saúde – Emprego pedagógico em Políticas Públicas Saudáveis no campo da Promoção de Saúde Indígena”

42 pessoas

Profissionais de nível médio, Agentes Indígenas de Saúde, Caciques, lideranças, comunidade indígena.

24 a 28 de junho

“Atendimento de Urgência e Emergência a População Indígena”

35 pessoas

Profissionais de nível médio, Agentes Indígenas de Saúde, Professores Indígenas.

10 a 13 de julho

*Demais ações/cursos/eventos estão em processo de criação

Foto: SES/MG

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