{"id":286,"date":"2013-10-02T13:47:49","date_gmt":"2013-10-02T13:47:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.conass.org.br\/conassdebate\/?p=286"},"modified":"2013-10-02T13:47:49","modified_gmt":"2013-10-02T13:47:49","slug":"entrevista-dr-win-van-ledirghe-debatedor-seminario-conass-debate-saude-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.conass.org.br\/conassdebate\/?p=286","title":{"rendered":"Entrevista com dr. Win Van Ledirghe, debatedor do semin\u00e1rio CONASS Debate &#8211; Caminhos da Sa\u00fade no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.conass.org.br\/conassdebate\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/wim-red.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-289 alignleft\" style=\"margin: 5px 20px;\" alt=\"wim-red\" src=\"http:\/\/www.conass.org.br\/conassdebate\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/wim-red-300x259.jpg\" width=\"300\" height=\"259\" srcset=\"https:\/\/www.conass.org.br\/conassdebate\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/wim-red-300x259.jpg 300w, https:\/\/www.conass.org.br\/conassdebate\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/wim-red-400x345.jpg 400w, https:\/\/www.conass.org.br\/conassdebate\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/wim-red.jpg 538w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entrevista com dr. Win Van Ledirghe, professor de sa\u00fade internacional do Instituto de Medicina Tropical de Lisboa e debatedor do semin\u00e1rio CONASS Debate &#8211; <a title=\"Caminhos da Sa\u00fade no Brasil\" href=\"http:\/\/www.conass.org.br\/conassdebate\/?page_id=73\" target=\"_blank\">Caminhos da Sa\u00fade no Brasil<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>&#8211; Como os diferentes pa<\/b><b>\u00ed<\/b><b>ses que possuem sistemas p<\/b><b>\u00fa<\/b><b>blicos de acesso universal <\/b><b>\u00e0<\/b><b> sa<\/b><b>\u00fa<\/b><b>de convivem com a quest<\/b><b>\u00e3<\/b><b>o da privatiza<\/b><b>\u00e7\u00e3<\/b><b>o dos servi<\/b><b>\u00e7<\/b><b>os de sa<\/b><b>\u00fa<\/b><b>de?<\/b><b><\/b><\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p>Eu estou muito otimista, mas \u00e9 uma luta constante, n\u00e3o \u00e9? Muitas vezes as pessoas falam de acesso universal ou cobertura universal, como se fosse uma coisa, uma coisa que voc\u00ea tem ou n\u00e3o tem. Mas \u00e9 realmente um movimento: amplia\u00e7\u00e3o progressiva do acesso equitativo a mais pessoas para uma gama mais relevante de servi\u00e7os. No final do s\u00e9culo 20, a maioria dos pa\u00edses do mundo, pelo menos, falou sobre o acesso universal &#8211; na pr\u00e1tica, alguns eram mais comprometidos do que os outros e, em muitos o acesso universal era apenas uma ret\u00f3rica vazia. Mas apenas dois grandes pa\u00edses se destacaram por uma posi\u00e7\u00e3o de princ\u00edpio contra a solidariedade, que \u00e9 essencial para o acesso universal: os EUA e a China. Mas l\u00e1 tamb\u00e9m o vento mudou e eles est\u00e3o no caminho para o acesso universal. Isso significa que temos um raro consenso pol\u00edtico sobre o princ\u00edpio. O que precisamos encarar agora \u00e9 a longa discuss\u00e3o sobre os aspectos pr\u00e1ticos da implementa\u00e7\u00e3o: como superar interesses especiais, como proteger o p\u00fablico, incluindo os n\u00e3o-alcan\u00e7ados. Isto n\u00e3o \u00e9 apenas sobre mecanismos de financiamento, mas, em primeiro lugar sobre o modelo de cuidados, de cuidados prim\u00e1rios de sa\u00fade, e sobre o lugar da sa\u00fade na sociedade. N\u00e3o \u00e9 uma luta f\u00e1cil, e n\u00e3o vai acabar de um momento para outro em vit\u00f3ria, mas em sociedades que se modernizam, e onde os cidad\u00e3os est\u00e3o cada vez mais bem informados, \u00e9 dif\u00edcil voltar o rel\u00f3gio para tr\u00e1s. As pessoas querem acesso, elas querem manter o acesso, e isso \u00e9 uma for\u00e7a formid\u00e1vel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>&#8211; Como os diferentes pa<\/b><b>\u00ed<\/b><b>ses que possuem sistemas p<\/b><b>\u00fa<\/b><b>blicos de acesso universal <\/b><b>\u00e0<\/b><b> sa<\/b><b>\u00fa<\/b><b>de convivem com a quest<\/b><b>\u00e3<\/b><b>o da privatiza<\/b><b>\u00e7\u00e3<\/b><b>o dos servi<\/b><b>\u00e7<\/b><b>os de sa<\/b><b>\u00fa<\/b><b>de?<\/b><b><\/b><\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p>Acho que o termo privatiza\u00e7\u00e3o \u00e9 perigoso porque pode ser usado para coisas muito diferentes, como por exemplo o estabelecimento de rela\u00e7\u00f5es contratuais rigorosas com ONGs e a aus\u00eancia reguladora ou a retirada do Estado. Estas s\u00e3o realidades muito diferentes. A dicotomia p\u00fablico-privada tem sido a forma mais in\u00fatil de discutir os sistemas de sa\u00fade, desviando a aten\u00e7\u00e3o do que realmente importa para as pessoas: n\u00e3o \u00e9 se o seu prestador de servi\u00e7os de sa\u00fade \u00e9 um funcion\u00e1rio p\u00fablico ou um empres\u00e1rio privado, nem se os servi\u00e7os de sa\u00fade s\u00e3o p\u00fablicos ou privados. Para elas importa se os servi\u00e7os de sa\u00fade foram reduzidos a uma mercadoria que \u00e9 comprada e vendida mediante o pagamento por servi\u00e7os de sa\u00fade, sem regulamenta\u00e7\u00e3o ou sem defesa do consumidor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em outras palavras, o que importa \u00e9 saber se os servi\u00e7os s\u00e3o prestados numa base comercial, no interesse do prestador, ou, pelo contr\u00e1rio, se s\u00e3o regulados no interesse do paciente. A comercializa\u00e7\u00e3o tem consequ\u00eancias desastrosas para a qualidade, bem como para o acesso aos servi\u00e7os. \u00c9 muito simples: o fornecedor tem o conhecimento, o paciente tem pouco ou nenhum; se n\u00e3o h\u00e1 regula\u00e7\u00e3o, e se o provedor pode lucrar com a venda do que \u00e9 mais rent\u00e1vel, ele ou ela, muitas vezes &#8211; n\u00e3o sempre, mas muitas vezes &#8211; fazem assim, mesmo se n\u00e3o for o melhor para o paciente. Se n\u00e3o existem sistemas eficazes de freios e contrapesos, aqueles que n\u00e3o podem pagar pelos servi\u00e7os s\u00e3o exclu\u00eddos, aqueles que recebem os servi\u00e7os podem n\u00e3o receber os cuidados de que necessitam e, muitas vezes, recebem cuidados de que n\u00e3o precisam, e invariavelmente pagam muito. Isso quebra o contrato de confian\u00e7a impl\u00edcito entre o profissional de sa\u00fade e o usu\u00e1rio. Sistemas de sa\u00fade comercializados e n\u00e3o regulamentados s\u00e3o altamente ineficientes, caros, desiguais e iatrog\u00eanicos; mas assim s\u00e3o tamb\u00e9m alguns sistemas p\u00fablicos com problemas de gest\u00e3o, e tamb\u00e9m existem sistemas bem regulados, onde os m\u00e9dicos e enfermeiros s\u00e3o empres\u00e1rios privados, mas trabalham em uma estrutura que se organiza no interesse do paciente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A verdadeira quest\u00e3o a respeito da &#8220;privatiza\u00e7\u00e3o&#8221; \u00e9 saber se, num determinado pa\u00eds, existem a capacidade e a for\u00e7a pol\u00edtica para regular. Se a &#8220;efici\u00eancia da privatiza\u00e7\u00e3o&#8221; vem como um pacote que inclui a aus\u00eancia reguladora e a retirada do Estado, ent\u00e3o os resultados s\u00e3o previsivelmente desastrosos em termos de resultados, de inefici\u00eancia, de custo e de insatisfa\u00e7\u00e3o p\u00fablica. A m\u00e3o invis\u00edvel do mercado simplesmente n\u00e3o vai funcionar &#8211; basta olhar para o desengajamento do Estado na China na d\u00e9cada de 1990: estagna\u00e7\u00e3o dos indicadores de sa\u00fade, aumento nas desigualdades e descontentamento da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O realmente importante \u00e9 saber se as autoridades p\u00fablicas assumir\u00e3o a responsabilidade de governar e regular os prestadores no interesse p\u00fablico, e se h\u00e1 uma sociedade civil vigilante &#8211; organiza\u00e7\u00f5es de consumidores, eleitorado pol\u00edtico, imprensa \u2013 fazendo que tanto o Estado quanto os prestadores de servi\u00e7os de sa\u00fade prestem contas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>&#8211; A falta de recursos <\/b><b>\u00e9<\/b><b>, em sua opini<\/b><b>\u00e3<\/b><b>o, a maior amea<\/b><b>\u00e7<\/b><b>a dos sistemas universais de sa<\/b><b>\u00fa<\/b><b>de? &#8211; De que forma pa<\/b><b>\u00ed<\/b><b>ses com sistemas universais de sa<\/b><b>\u00fa<\/b><b>de poder<\/b><b>\u00e3<\/b><b>o continuar a oferecer assist<\/b><b>\u00ea<\/b><b>ncia <\/b><b>\u00e0<\/b><b> sa<\/b><b>\u00fa<\/b><b>de de qualidade sem comprometer o or<\/b><b>\u00e7<\/b><b>amento p<\/b><b>\u00fa<\/b><b>blico em outras <\/b><b>\u00e1<\/b><b>reas como Educa<\/b><b>\u00e7\u00e3<\/b><b>o e Seguran<\/b><b>\u00e7<\/b><b>a?<\/b><b><\/b><\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p>N\u00f3s est\u00e1vamos falando sobre a comercializa\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os um pouco antes. Para mim isso \u00e9 mais problem\u00e1tico do que as restri\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias. Despesas de sa\u00fade sobem mais r\u00e1pido do que o crescimento econ\u00f4mico. Isso significa mais dinheiro para a sa\u00fade. Pode haver retra\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias, mas a tend\u00eancia b\u00e1sica \u00e9 a de mais dinheiro para a sa\u00fade. Infelizmente, isso n\u00e3o significa, necessariamente, mais or\u00e7amento para a sa\u00fade, nem mais sa\u00fade para o dinheiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se as despesas de sa\u00fade (crescentes) forem desviadas do bolso para pagamento dos servi\u00e7os, se n\u00e3o forem combinadas e geridas no interesse p\u00fablico, ent\u00e3o vamos perder o benef\u00edcio potencial do crescimento e estaremos em apuros. Porque, ent\u00e3o, o espa\u00e7o para a amplia\u00e7\u00e3o do acesso e da cobertura \u00e9 desviado para transa\u00e7\u00f5es comerciais, com todos os inconvenientes de que falamos anteriormente. E deixamos de expandir o espa\u00e7o or\u00e7ament\u00e1rio para o que \u00e9 importante: responder \u00e0s necessidades e expectativas das pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando a economia limita o crescimento das despesas de sa\u00fade, o maior risco \u00e9 cortar o or\u00e7amento e optar por uma retirada do Estado de suas responsabilidades. Isso amplia os efeitos negativos da desacelera\u00e7\u00e3o do crescimento das despesas de sa\u00fade no sistema de sa\u00fade, porque se ampliam a comercializa\u00e7\u00e3o, a inefici\u00eancia e a injusti\u00e7a. Em tempos de recursos limitados, um papel de regula\u00e7\u00e3o ativa, na verdade, torna-se ainda mais importante do que em per\u00edodos de crescimento s\u00f3lido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A press\u00e3o social proteger\u00e1 contra tais tend\u00eancias e assegurar\u00e1 que os mecanismos de solidariedade sejam criados para reunir recursos. A press\u00e3o social tamb\u00e9m \u00e9 o que define o equil\u00edbrio entre sa\u00fade e outras \u00e1reas. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma regra objetiva, universalmente v\u00e1lida, para definir, por exemplo, a propor\u00e7\u00e3o ideal de sa\u00fade \/ educa\u00e7\u00e3o. Isso n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de normas universais, mas de escolhas que a sociedade faz no seu contexto hist\u00f3rico e pol\u00edtico. H\u00e1 um princ\u00edpio, no entanto, que se aplica a todos os lugares: o equil\u00edbrio escolhido s\u00f3 desfrutar\u00e1 de consenso social se for estabelecido de forma transparente e justa, em um debate social que deve ser protegido contra a influ\u00eancia indevida de interesses especiais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>&#8211;<\/b><b>\u00a0<\/b><b> Quais s<\/b><b>\u00e3<\/b><b>o os maiores desafios que pa<\/b><b>\u00ed<\/b><b>ses como o Brasil podem enfrentar ao tentar manter o seu sistema de cobertura universal? <\/b><b><\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A caminhada rumo \u00e0 cobertura universal \u00e9 sempre uma quest\u00e3o de equil\u00edbrio: entre a extens\u00e3o da cobertura a mais pessoas, a amplia\u00e7\u00e3o da gama de servi\u00e7os prestados com a melhora da sua qualidade e a redu\u00e7\u00e3o do custo para os usu\u00e1rios. O que precisa ser feito, e que pode ser feito em um determinado momento, num determinado pa\u00eds, depende do contexto e do caminho percorrido. N\u00e3o h\u00e1 receitas f\u00e1ceis: \u00e9 uma quest\u00e3o de escolhas sociais que exigem constante negocia\u00e7\u00e3o. As profiss\u00f5es e os lobbies da ind\u00fastria de servi\u00e7os de sa\u00fade podem facilmente sequestrar esse debate &#8211; e os recursos que v\u00eam com ele. Existem tr\u00eas principais atores neste jogo: pol\u00edticos e tecnocratas, usu\u00e1rios e sociedade civil, e as profiss\u00f5es e os lobbies da ind\u00fastria de servi\u00e7os de sa\u00fade. \u00c9 preciso uma forte alian\u00e7a entre os dois primeiros para manter o sistema na linha. Sem essa alian\u00e7a o sistema gravitar\u00e1 em torno da comercializa\u00e7\u00e3o, fragmenta\u00e7\u00e3o e hospitalocentrismo desproporcional. Servi\u00e7os b\u00e1sicos centrados em pessoas n\u00e3o acontecem espontaneamente: eles precisam ser constru\u00eddos e alimentados com investimentos de longo prazo. \u00c9 preciso lideran\u00e7a e habilidades fortes para construir essas alian\u00e7as, e exige organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil e organiza\u00e7\u00f5es de consumidores fortes para tocar o alarme e, quando necess\u00e1rio, ajudar a moldar um sistema justo que ofere\u00e7a bom atendimento a todos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>&#8211; Diante do atual cen<\/b><b>\u00e1<\/b><b>rio de crise econ<\/b><b>\u00f4<\/b><b>mica mundial, o senhor acredita num fim hipot<\/b><b>\u00e9<\/b><b>tico dos sistemas universais de sa<\/b><b>\u00fa<\/b><b>de?<\/b><b><\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Definitivamente n\u00e3o. A crise econ\u00f4mica, obviamente, leva \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de reagir indiscriminadamente com cortes nos gastos sociais. A longo prazo, no entanto, tenho certeza de que a tend\u00eancia hist\u00f3rica de avan\u00e7ar para a cobertura universal prevalecer\u00e1, porque \u00e9 o que as pessoas querem. Eventualmente, os tomadores de decis\u00e3o chegar\u00e3o ao ponto de levar em conta o que as pessoas esperam, ou ent\u00e3o eles ter\u00e3o que pagar o pre\u00e7o pol\u00edtico. Existem poucas coisas que s\u00e3o t\u00e3o perigosas para um sistema pol\u00edtico quanto tirar benef\u00edcios de sa\u00fade que as pessoas passaram a ver como um direito. Esse \u00e9 o principal fator que legitima ou deslegitima o governo. Os tecnocratas muitas vezes enxergam a sa\u00fade e os servi\u00e7os de sa\u00fade como uma despesa despropositada. N\u00e3o \u00e9! Trata-se de um investimento em algo fundamental para os cidad\u00e3os. A sa\u00fade \u00e9 mais do que uma despesa: \u00e9 um grande e extremamente importante setor econ\u00f4mico, crucial para a produ\u00e7\u00e3o de bem-estar e felicidade. Desmantelar o setor da sa\u00fade em uma sociedade moderna \u00e9 um absurdo econ\u00f4mico, e um setor de sa\u00fade moderno, que n\u00e3o se baseia na solidariedade, atira no pr\u00f3prio p\u00e9.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essa combina\u00e7\u00e3o de raz\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas para o acesso universal aos servi\u00e7os de sa\u00fade com a prote\u00e7\u00e3o social em sa\u00fade n\u00e3o pode ser derrotada. N\u00e3o certamente em um mundo onde os cidad\u00e3os e a sociedade civil querem participar das decis\u00f5es que afetam suas vidas. E, na medida que as sociedades se modernizam, seus cidad\u00e3os elevam suas expectativas e tornam-se mais capazes em vocaliz\u00e1-las. Temos, pois, todos os motivos para ser otimistas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Entrevista com dr. Win Van Ledirghe, professor de sa\u00fade internacional do Instituto de Medicina Tropical de Lisboa e debatedor do semin\u00e1rio CONASS Debate &#8211; Caminhos da Sa\u00fade no Brasil. &nbsp; &#8211; Como os diferentes pa\u00edses que possuem sistemas p\u00fablicos de acesso universal \u00e0 sa\u00fade convivem com a quest\u00e3o da privatiza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de sa\u00fade? [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":287,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-286","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v23.6 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Entrevista com dr. 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