Cobertura e sistemas universais de saúde são tema de intercâmbio internacional de experiências no Brasil


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Brasília foi sede de dois eventos internacionais importantes no mês de fevereiro, que reuniram gestores e acadêmicos brasileiros, canadenses, franceses, portugueses e espanhóis. Em ambos os eventos, os especialistas apresentaram suas experiências e debateram alternativas para tratar de um tema relevante e atual: a cobertura e o acesso universal dos sistemas de saúde em todo o mundo.

A discussão a respeito dos desafios que os sistemas universais de saúde enfrentam está em pauta nesses países, por isso a Conferência Luso-Francófona da Saúde (Colufras) e o Observatório Ibero-Americano de Políticas e Sistemas de Saúde (OIAPSS), dos quais o CONASS é integrante, vêm promovendo o intercâmbio de experiências entre Brasil, Canadá/Quebéc, Portugal, França e Espanha, conforme explica o assessor de Relações Internacionais do CONASS, Fernando Cupertino.

“O fato de trocar ideias e discutir experiências com países que passaram e que passam pelos mesmos desafios enriquece o nosso poder de combater as desigualdades e nos fortalece no sentido de buscar o funcionamento pleno de um sistema que seja universal, gratuito e integral – que não se destine a cuidar apenas de quem está doente, mas que tenha a preocupação em preservar a saúde das pessoas e de promover o bem-estar. E que seja também, de fato, equânime, ou seja, capaz de dar mais atenção a quem mais necessita”, defende Cupertino.

Ele ressalta que o Estado precisa exercer cada vez mais o seu papel regulador, sobretudo no Brasil, onde há grande interface entre o setores público e privado. Destaca ainda que o financiamento público é condição indispensável para que os sistemas universais funcionem. “Principalmente para o Sistema Único de Saúde (SUS), que sofre com o paradoxo de não ser suficientemente financiado, indo na contramão da sua condição de ser um sistema público e universal para 200 milhões de brasileiros”, argumenta.

O presidente do CONASS, Wilson Duarte Alecrim, destacou a importância da parceria e do intercâmbio entre os países como mecanismo fundamental de contribuição entre eles, tendo em vista que a experiência e a produção de conhecimento de cada um podem ser alinhadas no intuito de procurar soluções para problemas em comum.

“Como fruto destes encontros, o Observatório irá produzir um relatório a respeito dessas discussões que, acredito, irá subsidiar muito o trabalho do CONASS, do Conasems e do Ministério da Saúde na busca por melhores soluções para os problemas que angustiam os três entes federados do SUS no que concerne à universalidade”, completou.

Os especialistas participaram ainda de uma reunião na sede do CONASS a fim de sistematizar as experiências e as próximas ações do grupo e gravaram suas participações para um vídeo-documentário produzido pelas três instituições e com apoio e parceria da Rádio Web Saúde da Universidade de Brasília (UnB). Outro desdobramento é a participação do CONASS no I Encontro Partilhar Saúde: Rede Lusófona de Cuidados de Saúde Primários, em Lisboa, nos dias 8 e 9 de abril e, ainda, no 6º Congresso Nacional das Unidades de Saúde Familiar, a realizar-se na cidade do Porto, de 8 a 10 de maio.

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