CONASS Debate – Saúde: para onde vai a nova classe média

Tema foi escolhido pela importância de se conhecer o movimento da nova classe média brasileira (classe C) e suas repercussões no SUS e no sistema privado de saúde

O seminário CONASS Debate – Saúde: para onde vai a nova classe média reuniu em Brasília, em abril deste ano, cerca de 200 convidados, entre economistas, sociólogos, jornalistas, políticos e sanitaristas. Promovido pelo CONASS, em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e com o Ministério da Saúde, o seminário marcou o início do projeto CONASS Debate – uma nova frente de atuação do Conselho que passa a promover discussões sobre temas importantes para a saúde pública e privada –, ouvindo as mais diversas opiniões, de pensadores e de estudiosos, sejam eles atuantes ou não no setor saúde.

O presidente do CONASS, Wilson Duarte Alecrim, destacou que os debates propostos pelo Conselho, com essa nova linha de trabalho, irão tratar, com visão de futuro, questões estratégicas para o SUS e não apenas seus problemas pontuais ou operacionais. “O SUS não é um problema sem solução, mas uma solução com problemas. Espero que esses debates nos apontem caminhos sustentáveis para o sistema de saúde e nos ajude a consolidá-lo”, afirmou.

Alecrim reforçou os inegáveis avanços obtidos com a implantação do sistema, mas lembrou que ainda existem muitas situações que comprovam que ele precisa ser revisto. “A sustentabilidade do SUS no formato atual será o centro focal das discussões das quais buscaremos reflexões, sobretudo, de atores de fora da saúde, para que possamos ter o perfeito entendimento sobre o que queremos e o que devemos fazer pela saúde da população a partir da gestão estadual”.

Exposições

Os expositores Ricardo Paes de Barros, subsecretário de Ações Estratégicas da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Renato Meirelles, sócio-diretor do Instituto Data Popular, José Cechin, diretor-executivo da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) e Lígia Bahia, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), falaram sobre as profundas mudanças ocorridas nas políticas sociais do Brasil com o advento da chamada nova classe média, principalmente no que diz respeito aos impactos na saúde pública brasileira.

Na análise de Barros, as políticas públicas adequadas só são construídas ouvindo a população. Segundo ele, o surgimento dessa nova classe é um desafio para a construção dessas políticas, além de demonstrar o crescimento que o país atravessa. Ele ressaltou ainda que a redução da desigualdade foi possível com o fortalecimento do sistema de proteção social. “Ao longo da última década, aumentamos as transferências de renda, o que possibilitou esse fortalecimento”.

Renato Meirelles, sócio-diretor do Instituto de Pesquisa Data Popular, citou dados inéditos do levantamento feito pelo instituto e que comprovam o aumento, em 54%, do gasto das famílias brasileiras com saúde. Meirelles lembrou que nos últimos anos, o Brasil passou por uma das mais profundas mudanças de sua história e, assim como Paes de Barros, também atribuiu a migração das classes sociais à redução das desigualdades sociais e ao crescimento do emprego formal.

Para o diretor executivo da Federação Nacional de Saúde Suplementar, José Cechin, a resposta ao tema central do seminário é simples. “A nova classe média vai para o consumo. Isso é óbvio. Consumo de produtos de todos os tipos, inclusive de serviços de saúde”, afirmou. Segundo Cechin, a sociedade brasileira ainda demonstra enorme desejo de ter plano de saúde, anseio que, conforme afirmou, fica atrás apenas do sonho de se ter a casa própria.

Já a professora do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Lígia Bahia, afirmou que os sistemas de saúde são muito complexos e são determinados por coalisões políticas e não pela preferência dos indivíduos.

Em contrapartida a Ricardo Paes de Barros, a professora advertiu que as políticas públicas não podem ser pensadas para pobres. “O Brasil teve um aumento enorme no acesso aos serviços de saúde e essa é uma das grandes vitórias do SUS, mas esse acesso parece ser de má qualidade porque as pessoas de renda menores não conseguem ter diagnósticos, ou seja, não houve redução de desigualdade, já que esse acesso é mais focalizado. Nós precisamos pensar sobre isso”.

O debate acerca das apresentações foi conduzido pelo diretor Executivo do Instituto Sul-Americano de Governo em Saúde, José Gomes Temporão, e pela coordenadora do GVsaúde da Fundação Getúlio Vargas (FGV/SP), Ana Maria Malik.

Temporão destacou a importância do debate sobre o sistema de saúde brasileiro levando em consideração o cenário político e econômico do país e observou que a nova classe média precisa reconhecer o SUS como uma conquista.

Para Ana Maria Malilk, o comportamento das pessoas em relação àquilo que elas consideram ser saúde precisa ser analisado, já que é comum que a população confunda consumo de produtos na área da saúde com a saúde em si.

Posse da Nova Diretoria Gestão 2013/2014 

No mesmo dia do Seminário CONASS Debate – Saúde: para onde vai a nova classe média, a diretoria do CONASS para a gestão 2013/2014 tomou posse. O secretário de Estado da Saúde do Amazonas, Wilson Alecrim, manteve-se no comando da instituição ao ter sido reeleito por unanimidade na Assembleia de março. Em seu discurso de posse, citou as principais ações realizadas pelo Conselho ao longo do ano de 2012 e destacou a atuação em relação à luta por  financiamento adequado para o SUS com a intensa participação do CONASS no Movimento Saúde + 10. O presidente falou ainda sobre as ações desenvolvidas pelo Conselho pelo fortalecimento da Atenção Primária à Saúde. Alecrim  agradeceu o apoio dos secretários de saúde na condução da sua gestão anterior e sinalizou estratégias para o próximo mandato. “Vamos nos aproximar da estrutura político-partidária do Brasil por meio do Congresso Nacional, a fim de ter maior apoio político para a defesa e consolidação do SUS”, disse.

Confira abaixo a composição da nova diretoria do CONASS gestão 2013/2014.

Presidente
Wilson Duarte Alecrim – SES/AM

Vice-presidentes 

Região Norte
Vanda Maria Paiva – SES/TO

Região Nordeste
cargo vago, até o fechamento desta edição.

Região Sudeste
Antônio Jorge de Souza Marques – SES/MG

Região Sul
Michele Caputo Neto – SES/PR

Região Centro Oeste
Mauri Rodrigues de Lima – SES/MT

Matérias Relacionadas

Voltar ao Topo