CONASS promove debate sobre o Planejamento da Atenção Primária à Saúde nos Estados

Propiciar aos gestores estaduais da Atenção Primária à Saúde (APS) instrumentos, ferramentas e tecnologias de planejamento para APS foi o objetivo da I Oficina de Planejamento da Atenção Primária à Saúde, realizada pelo CONASS, em Brasília, no dia 4 de março.

Durante o encontro, foram apresentados três pontos principais: os problemas enfrentados pelos coordenadores e planejadores da APS nos estados; as possibilidades e desafios presentes nos processos de planejamento no âmbito da Atenção Primária à Saúde em esfera estadual; e a formulação de uma proposta de Agenda Prioritária da APS no âmbito do SUS nos estados brasileiros.

Além disso, a oficina ofereceu  práticas de planejamento dos trabalhos das coordenações de APS, de acordo com os planos estaduais de saúde de cada secretaria. Os coordenadores também foram capacitados para adequarem e reproduzirem todos os conhecimentos agregados com a realização dessas atividades em seus estados.

Segundo Maria José Evangelista, assessora técnica do CONASS, a ação aconteceu devido à necessidade de reestruturação da Atenção Primária à Saúde que, atualmente, não aparece como prioridade na agenda das gestões. “Observa-se que, no discurso, a APS  é prioridade nas três esferas de gestão, entretanto, isso ainda não está ocorrendo, de fato, na prática”. Ela destaca também que, mesmo com a falta de prioridade nas agendas, as mudanças vêm acontecendo, mas não foram processadas, realmente, no tempo oportuno e nem respondem às reais necessidades da população. “Não teremos êxito na implantação das redes de atenção à saúde se, efetivamente, não tivermos uma atenção primária robusta, resolutiva e de qualidade. É necessário muito investimento, principalmente na mudança do modelo de atenção prestado e no processo de trabalho”, disse.

Para Cláudia Araújo, coordenadora da Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas, a oficina foi uma oportunidade para ver a realidade dos estados e disseminar o aprendizado obtido nessas ações, destacando que o debate precisa ser replicado entre os trabalhadores que atuam nas regionais de saúde e lidam diretamente com os usuários. “Consegui resgatar muitos conceitos e ver como os métodos estão sendo aplicados em outros estados, o que foi positivo para levar essas experiências em consideração no planejamento em Alagoas”, afirmou.

A diretora da Atenção Primária à Saúde do Distrito Federal, Cleonice Ferreira, observou, durante os debates, que um dos maiores problemas da APS é colocar em prática todas as diretrizes propostas no papel. “Está no discurso, na escrita e no papel, mas a execução é muito difícil. Pela própria formação, a equipe de gestores tem visão mais voltada à área da especialidade do que para a construção de uma clínica de família”.

Na avaliação da diretora, a partir dessas discussões, ficou possível começar a  tratar, na secretaria e nas regionais de saúde, da organização e do planejamento da APS. “Com os debates, o encontro me deixou com mais esperança de organização das redes no Distrito Federal, e também com mais argumentos para fazer a reformulação de processos. A atenção primária tem que ser valorizada, e não pode ser esquecida”, disse.

A colaboradora do encontro e membro do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia, Ana Angélica Ribeiro, ressaltou a importância do espaço na elaboração das práticas de planejamento que a gestão básica precisa para repensar, melhorar e qualificar a atenção primária no Brasil. “Foi um encontro que possibilitou ter uma visão da APS e trabalhar com pessoas que lutam e notam que este é o momento para melhorar a atenção básica noPaís”.

Ao analisar o conjunto das experiências apresentadas e tudo o que foi debatido durante o evento, a colaboradora classificou a oficina como positiva, pois possibilitou criar a agenda prioritária em três frentes. “O encontro possibilitou ter boa visão para criação da agenda, de acordo com as políticas das secretarias estaduais de saúde, do Ministério da Saúde e das coordenações das SES, além de aproximar a coordenação ao nível de decisão da secretaria”, finalizou.

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