Editorial

A organização das Redes de Atenção à Saúde está no foco das discussões que permeiam a política de saúde no Brasil. Seja público ou privado, os sistemas de saúde percebem, cada vez mais, que dependem dessa organização para darem conta das demandas dos seus usuários.

Toda a população, independentemente de sofrer ou não com alguma enfermidade, beneficia-se diretamente de uma rede em que os serviços são devidamente ordenados. A partir da Atenção Primária à Saúde (APS), principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS), os cidadãos têm grande parte de suas necessidades atendidas e têm, na APS, a organizadora dos seus passos dentro da Rede de Atenção à Saúde.

O protagonismo da APS e a necessidade do seu fortalecimento dentro do sistema de saúde levam-nos a outras tantas reflexões. Uma delas é a respeito do papel dos hospitais nessas redes, tema que abraçamos em nossa matéria de capa e por meio do qual queremos incitar essas reflexões e discutir um pouco a colocação e atuação desses estabelecimentos que, para o CONASS, deve estar de acordo com a região onde eles se situam, com as necessidades e com o perfil epidemiológico daquela população.

E aproveitamos o ensejo para apresentar, nesta matéria, a proposta do CONASS para os Hospitais de Pequeno Porte, elaborada com vistas a dialogar com a realidade do nosso país e tendo como base o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que, mesmo sofrendo algumas críticas, é inquestionável no sentido de apontar escassez social. As proposições do Conselho partem do pressuposto de que há valor mínimo objetivo e real para todos, mas há também de se garantir que as localidades com mais dificuldades recebam mais recursos.

Não por acaso, todas as matérias desta edição da revista Consensus abordam, direta ou indiretamente, a relevância da organização das Redes de Atenção à Saúde, que se mostra cada dia mais imprescindível, principalmente em tempos de transições tão determinantes quanto as que estamos vivenciando. O objetivo a ser alcançado pelo Brasil e por diversos países é promover atenção à saúde moderna e atual, considerando a prevalência das condições crônicas e das causas externas, que aumentam exponencialmente alterando de maneira significativa os indicadores de morbimortalidade.

Trata-se de modelo de atenção projetado a partir das necessidades de saúde da população em face das novas condições de saúde. A avaliação do modelo existente e as propostas de modernização e de mudanças foram apresentadas e debatidas no seminário CONASS Debate – A crise contemporânea dos modelos de atenção à saúde, realizado no dia 13 de maio, em Brasília/DF, cuja conteúdo multimídia (apresentações, vídeos e fotos) é apresentado na matéria com detalhes.

Destacamos também o debate a respeito da diferença de classe, promovido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no qual o CONASS, representado pelo seu presidente, Wilson Duarte Alecrim, reiterou que admitir essa diferença é afrontar as bases e os fundamentos do SUS e retroceder no direito social à saúde no Brasil.

Não poderíamos deixar de homenagear o saudoso Gilson Carvalho, com a gentil colaboração de sua amiga e cunhada, Lenir Santos, que nos escreveu belo texto a respeito da valiosa contribuição de Gilsão para a saúde brasileira. Também agradecemos ao Francisco, filho de Gilsão, que nos enviou quatro Domingueiras inéditas escritas pelo pai, as quais temos o prazer de compartilhar.

E finalizamos com artigo do professor Armando De Negri, que apresenta “Elementos para pensar uma Agenda Estratégica para o SUS”, a partir do tema principal desta edição – O papel dos hospitais nas Redes de Atenção à Saúde.

Desejamos a todos uma ótima leitura!

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