Enfrentamento das doenças crônicas em debate

CONASS, Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais e Organização Pan-americana da Saúde (Opas) promoveram o I Seminário Internacional de Atenção às Condições Crônicas e no III Seminário do Laboratório de Inovação às Condições Crônicas em Santo Antônio do Monte, para debater o tema

O I Seminário Internacional de Atenção às Condições Crônicas e o III Seminário do Laboratório de Inovação às Condições Crônicas em Santo Antônio do Monte reuniram, durante os dias 11 e 12 de novembro, cerca de 250 profissionais de saúde de todo o país e especialistas em Atenção à Saúde do Brasil e de diferentes nacionalidades para trocar experiências e debater os desafios da assistência às doenças crônicas que cada vez mais atingem a população brasileira, comprometendo boa parte dos recursos gastos pelo SUS nos atendimentos destinados a essas condições.

Segundo o secretário de Estado da Saúde de Minas Gerais, José Geraldo de Oliveira, o evento coincidiu com um momento especial da gestão em Minas Gerais. “Estamos em um momento de prestação de contas, de transição. Nada mais interessante que prestar contas desse esforço construído ao longo dos últimos meses, apresentando os resultados do Laboratório de Inovação às Condições Crônicas (LIACC) de Santo Antônio do Monte e conhecendo a experiência de outros estados e de outros países no enfrentamento às condições crônicas”, afirmou.

Ele ressaltou ainda que, há alguns anos, Minas Gerais tem-se esforçado no sentido de fortalecer a Atenção Primária à Saúde, organizando os serviços e promovendo a integração entre as gestões estadual, municipal e federal e que esses esforços permitiram chegar a resultados como o trabalho realizado no município de Santo Antônio do Monte.

Sobre a troca de experiências com outros países, José Geraldo observou que o fato de o Brasil estar chegando ao envelhecimento da população mais tardiamente do que outros países desenvolvidos e o fato de as doenças crônicas estarem em crescimento no país, também em momento posterior, permitirão que os profissionais de saúde brasileiros aproveitem as experiências desses países e a implementem à realidade brasileira.

“Que a nossa criatividade de fazer muito com os poucos recursos que temos nos ajude a traçar o caminho futuro para efetivarmos uma saúde pública de qualidade e resolutividade que atenda às necessidades da nossa população.”

Representando o CONASS, a secretária de Estado da Saúde de Pernambuco, Ana Maria Albuquerque, lembrou que o fortalecimento da Atenção Primária à Saúde, por meio das Redes de Atenção, é uma discussão que há muito tempo tem sido promovida pelo CONASS. Segundo ela, o Seminário permitirá o amadurecimento da discussão, além de agregar as experiências de outros estados, municípios e também de outros países.

“Nesses dois dias tivemos uma discussão ampliada e a troca de experiências permitirá que voltemos para nossos estados com maior aprendizado e com maior motivação para continuar buscando alternativas de gestão para a APS e para as condições crônicas”, disse.

Experiências Internacionais

No primeiro dia do encontro, os profissionais de saúde foram apresentados às experiências internacionais no enfrentamento das Condições Crônicas.

As apresentações foram abertas pelo diretor do Instituto Vasco de Inovação Sanitária, Roberto Nuño Solinis, que apresentou a ferramenta utilizada pelo país Basco no monitoramento das intervenções do manejo de crônicas, o Instrumento para la Evaluación de Modelos de Atención a la Cronicidad (IEMAC).

Segundo ele, a ferramenta, que está disponível para outros países que se interessarem, auxilia os profissionais a fazerem o diagnóstico da situação de saúde e indica rotas de atuação.

Para o consultor do CONASS, professor Eugênio Vilaça Mendes, a experiência apresentada por Nuño traz muitos elementos que podem ser utilizados no Brasil com as devidas adaptações. Ele destacou que o IEMAC é fundamental, pois avalia a implantação do modelo de atenção às condições crônicas, mais especificamente do modelo desenvolvido nos Estados Unidos, o Chronic Care que é também referencial no modelo brasileiro.

Vilaça afirmou que o CONASS já está articulando um trabalho de assessoria com Roberto Nuño, a fim de validar o IEMAC para os laboratórios de inovação às Condições Crônicas no Brasil.

Em seguida, foram apresentadas as experiências do Brasil, pela representante da área de atenção às Condições Crônicas do Ministério da Saúde, Laura dos Santos Boeira; a experiência do Canadá, feita pela diretora do Programa da Gestão de Doenças Crônicas dos Serviços Sanitários de Alberta/Canadá, Sandra Delon; a experiência do Chile feita por Irma Vargas, subsecretária de Redes Assistenciais do Ministério da Saúde do Chile; e a experiência de Cuba apresentada por Mario Pichardo, coordenador da área técnica de representação da OPS/OMS, e pelo médico Edgar Tigerino, coordenador do Programa de Atenção Integral às enfermidades crônicas não transmissíveis na província de Mayabeque.

Em relação às experiências dos outros países, Vilaça ressaltou que todas trouxeram ensinamentos para o Brasil.

Segundo ele, o Canadá apresentou aspectos importantes sobre como fazer a implantação de um projeto-piloto e mostrou que a estratégia utilizada é bem próxima àquela que está sendo utilizada no LIACC. “A experiência canadense que é mais antiga mostra que estamos no caminho certo do ponto de vista metodológico”, observou.

Sobre a experiência chilena, Vilaça observou que está mais voltada para a construção de Redes que para implantação do modelo de atenção às condições crônicas. “A experiência chilena vai de encontro à implantação das Redes de Atenção tal como o Ministério da Saúde e o CONASS têm proposto para o Brasil.”

Questionado sobre a experiência cubana, o professor destacou que ela está voltada para uma forma de organização dos sistemas também em redes, com os consultórios, as policlínicas e os hospitais articulados de forma muito interessante e que também é muito próxima com o que é proposto no Brasil em termos de reestruturação de Redes de Atenção à Saúde.

Experiências Nacionais

As experiências nacionais na implantação da Atenção às Condições Crônicas também foram apresentadas.

Flávia Gomes, coordenadora dos Programas de Hipertensão e Diabetes do estado de Minas Gerais (Hiperdia) e de Saúde da Mulher, Criança e Adolescente, falou sobre a organização da Atenção às Condições Crônicas propostas pelo estado.

O estado do Paraná apresentou por meio da superintendente de Atenção à Saúde da SES/PR, Márcia Huçulak, a experiência do estado com a implantação da Rede Mãe Paranaense.

A experiência do município mineiro de Santo Antônio do Monte no desenvolvimento do Laboratório de Inovação às Condições Crônicas foi apresentada por Nayara Dornela, integrante do Grupo Condutor do LIACC Samonte e representante da Subsecretaria de Vigilância e Proteção à Saúde da SES/MG.

Por fim, a prefeita do município de Tauá, interior do Ceará, Patrícia Pequeno, apresentou a experiência do município no manejo das Condições Crônicas. Tauá é o primeiro município brasileiro a receber o processo de planificação da APS feito pelo CONASS. Segundo a prefeita, as mudanças nos serviços de saúde do município deram-se de maneira muito rápida desde que o processo de planificação começou há aproximadamente oito meses. Segundo ela, a iniciativa motivou os profissionais de saúde ao apresentá-los à possibilidade de melhorar os seus processos de trabalho e de se qualificarem a fim de se tornarem melhores profissionais. “Nós vamos, sim, ao fim desse processo, que será de quase dois anos, alcançar o nosso objetivo que é oferecer saúde humanizada, acessível e com qualidade para todos”, finalizou.

III Seminário do Laboratório de Inovação na Atenção às Condições Crônicas de Santo Antônio do Monte

O segundo dia do encontro foi destinado à apresentação das experiências do município de Santo Antônio do Monte na implantação do Laboratório de Inovação na Atenção às Condições Crônicas. Foram abordados temas como as novas tecnologias utilizadas no atendimento a doenças crônicas, a organização da assistência nos níveis primário e ambulatorial, o fortalecimento da relação entre a Atenção Primária e a Atenção Secundária no município, entre outros.

Para o prefeito do município, Wilmar de Oliveira Filho, a experiência com o LIACC foi um divisor de águas para a saúde pública de Santo Antônio do Monte. “A chegada do laboratório nos capacitou a fazer diferente com o mesmo, mas fazendo muito mais pelos nossos usuários. É visível o impacto dessa organização. Em 2013, nós aplicávamos em saúde cerca de 31% do nosso orçamento. Com a redução e a economia, que é progressiva com a instalação do laboratório, nós temos uma estimativa de gasto de 24% do nosso orçamento em saúde neste ano de 2014”, afirmou.

A coordenadora de Núcleos do CONASS, Rita Cataneli, falou sobre a experiência do Conselho no desenvolvimento dos laboratórios de inovação. “Para nós, os laboratórios de inovação têm perspectiva diferente, pois o que importa é o que eles podem aportar ao papel do gestor estadual na mudança do modelo de Atenção à Saúde”, disse.

Ao longo do dia, trabalhadores de saúde envolvidos com o LIACC em Santo Antônio do Monte apresentaram relatos e experiências ao longo dos quase dois anos do processo de implantação do laboratório.

Matérias Relacionadas

Voltar ao Topo