Gripe: a importância da vacinação

Ministério da Saúde inicia Campanha de Vacinação contra a gripe e alerta para a gravidade da doença

A aproximação do inverno exige atenção especial das autoridades sanitárias em relação a uma doença muitas vezes subestimada pela população em geral: a gripe. 

Apesar de parecer simples, a doença, em suas mais diversas variações de vírus, pode trazer complicações e levar a óbito, daí a importância de se prevenir da doença, principalmente por meio da vacinação. 

Na primeira semana de março deste ano, um surto de H1N1 em uma unidade assistencial do município goiano de Trindade chamou a atenção das autoridades sanitárias e levou o Ministério da Saúde a adotar medida excepcional ao antecipar a vacinação no estado que iniciou a sua mobilização no dia 13 de abril, dez dias antes do início da Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe.

A antecipação da campanha no estado gerou questionamentos sobre a necessidade de antecipação em todo o país, tendo em vista ter havido também aumento no número de casos da doença e de óbitos por complicações advindas da gripe em outros estados.

Mas a coordenadora geral substituta do Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde, Ana Goretti Kalume Maranhão, explica que a campanha só foi adiantada em uma semana em Goiás considerando-se a situação epidemiológica do estado. “Em relação aos outros estados, a campanha aconteceu conforme o programado e dentro do cronograma de disponibilidade da entrega da vacina pelo Laboratório Butantan, lembrando que a definição de cepas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), para o hemisfério sul, só ocorre no mês de setembro e a estimativa para produção da vacina pelo laboratório produtor é em torno de 6 a 7 meses”.

Faltando pouco menos de um mês para o término da campanha, Ana Goretti afirma que dados preliminares revelam que, até o dia 14 de maio, foram administradas 23.794.232 doses, sendo alcançada cobertura vacinal no grupo prioritário de 45,21%. “Muitos estados ainda estão em processo de registros de dados no Sistema de Informação do PNI, então acreditamos que a cobertura, ao final da campanha será alcançada”, destacou.

Questionada sobre a distribuição de possíveis doses remanescentes da vacina à população em geral, a coordenadora afirmou que o ministério tem se esforçado no sentido de alcançar a vacinação em todos as pessoas pertencentes aos grupos prioritários, mas admitiu que, no momento, há sim discussão sobre a possibilidade de inclusão de outros grupos após o término da campanha nos estados que não alcançarem a meta de acordo com prioridades preestabelecidas.

Ana Goretti chama a atenção ainda para uma questão crucial no que diz respeito à adesão da população à vacina. “É importante deixar claro que a vacina contra a influenza é composta de vírus inativado e é muito segura”. Ela explica que os eventos adversos mais frequentes ocorrem no local da aplicação, como dor, vermelhidão e endurecimento do músculo em 15 a 20% dos vacinados. Segundo Goretti, essas reações costumam ser leves e desaparecem em até 48 horas. “Em caso de sintomas não esperados (febre muito alta, irritabilidade extrema, sinais de dor abdominal, recusa alimentar, entre outros), recomenda-se avaliação imediata em uma unidade de saúde”, alerta.

Surto de H1N1 em Goiás e estratégia do estado

A Unidade Assistencial Vila São Cottolengo, localizada no município de Trindade/GO, é uma instituição de longa permanência que abriga cerca de 320 pacientes com problemas neurológicos que precisam de cuidados especiais. Aproximadamente 700 funcionários trabalham no local e foram eles os responsáveis por chamar a atenção das autoridades sanitárias locais para a ocorrência de oito óbitos de pacientes em um curto intervalo de semanas.

A rápida percepção e o acionamento das instâncias responsáveis foram fundamentais para conter o surto de influenza H1N1 ocorrido no local nas primeiras semanas de março, conforme explica a gerente de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES/GO), Magna Carvalho. “Os profissionais da própria unidade informaram o município que, por sua vez, acionou a SES. Já no dia seguinte uma equipe do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs) da SES/GO se dirigiu até a unidade para começar a investigação. Nós fizemos então a coleta de material e realizamos entrevistas com profissionais e pacientes. Posteriormente tivemos também o apoio do Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do SUS (EpiSUS), do Ministério da Saúde, que realizou uma investigação epidemiológica, confirmando, então, o surto de H1N1 nessa instituição”. 

A partir da confirmação, a coordenadora explica que foram tomadas medidas imediatas para a contenção do surto da doença, como a qualificação dos profissionais em relação ao manejo e aos cuidados de biossegurança, além da disponibilização das vacinas remanescentes de 2017. “Na época o Ministério da Saúde ainda não havia disponibilizado as doses para a campanha de 2018, no entanto, após uma discussão conjunta entre no Comitê de Imunização e a Sociedade de Imunologia e Infectologia, decidimos por imunizar as pessoas da unidade com as doses que sobraram do ano passado, uma vez que elas ainda estavam dentro do prazo de validade e continham a mesma cepa do H1N1 que a vacina deste ano”. 

Magna Carvalho observou que, com o monitoramento diário da situação, percebeu-se o aumento na ocorrência de casos de influenza e que a maioria absoluta dos casos era por H1N1. “Diante dessa situação, uma das primeiras coisas que o estado fez foi formar um Comitê de Gerenciamento de Crise para Influenza, formado por representantes de várias superintendências da SES com pessoas ligadas à vigilância, à assistência, à rede hospitalar, à assistência farmacêutica e também a representantes do próprio Ministério Público de Goiás e outras instituições como unidades hospitalares da Sociedade de Infectologia etc.”

O comitê, de acordo com ela, passou a se reunir semanalmente para definir estratégias e acompanhar os casos. Uma das iniciativas foi a solicitação ao Ministério da Saúde para antecipação da vacinação, visto que ela só estava prevista para começar no dia 23 de abril. “O secretário de Saúde, Leonardo Vilela, e toda a equipe fizeram intensa busca e argumentação junto ao ministério para que a campanha fosse antecipada no estado. A partir daí organizamos antecipadamente toda a logística de vacinação para que, assim que a vacina chegasse, nós pudéssemos gastar o mínimo de tempo possível com a logística e iniciássemos rapidamente a vacinação, Dessa forma, conseguimos antecipar a campanha em 10 dias, com o aval do Ministério da Saúde”, ressalta. 

Outras medidas também foram tomadas como a descentralização por parte da Assistência Farmacêutica do estoque de fosfato de oseltamivir para regiões e para alguns munícipios de Goiás juntamente com uma emissão de uma nota com orientações para todos os profissionais sobre a importância do uso dessa medicação naquele grupo que há indicação e até as primeiras 48 horas.

A qualificação de profissionais em parceria com a Sociedade de Infectologia e a emissão de notas técnicas com orientações em relação ao manejo clínico de pacientes e ao uso correto da medicação também foram realizadas pela Secretaria Estadual de Saúde de Goiás. 

E, para informar a população em relação a outras medidas preventivas que vão além da vacinação, a SES desenvolveu um trabalho educativo junto à mídia. “Mesmo estando vacinadas as pessoas precisam saber que a vacina só traz imunidade a partir do 15º dia após a aplicação. Além disso também há outros vírus circulando e que podem levar à Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e que não tem proteção na vacina, portanto divulgamos outras medidas que minimizam as chances de transmissão que são aquelas que chamamos de etiqueta respiratória, como lavar as mãos, usar álcool gel, não compartilhamento de objetos que possam transmitir a doença etc.”. 

Carvalho observou que todas essas ações foram adotadas assim que a secretaria decretou situação de alerta para a epidemia e o resultado já pode ser visto na diminuição do número de casos.

Sobre a campanha de vacinação, afirmou que Goiás é o estado que está à frente em relação à cobertura vacinal. “O Ministério preconiza uma cobertura de pelo menos 90% e nós já temos pouco mais de 89%, então basicamente já alcançamos a cobertura. No entanto ainda não atingimos a cobertura no grupo de gestantes e crianças de 6 meses a menores de 5 anos de idade, portanto vamos centrar nossos esforços principalmente nesses dois grupos”, concluiu.

A Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe

Para a mobilização deste ano, o Ministério da Saúde investiu R$ 909,6 milhões para a compra de vacinas, e a expectativa é imunizar 54,4 milhões de pessoas que estão no grupo prioritário – aquelas que têm o maior risco de complicações graves da gripe: crianças de 6 meses a menores de 5 anos de idade; gestantes; puérperas (até 45 dias após o parto); trabalhadores de saúde; povos indígenas; indivíduos com 60 anos de idade ou mais; população privada de liberdade; funcionários do sistema prisional; professores da rede pública e privada; pessoas portadoras de doenças crônicas não transmissíveis; pessoas portadoras de outras condições clínicas especiais (doença respiratória crônica, doença cardíaca crônica, doença renal crônica, doença hepática crônica, doença neurológica crônica, diabetes, imunossupressão, obesos, transplantados e portadores de trissomias).

Na última reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), no dia 26 de abril, a coordenadora do PNI, Carla Domingues, apresentou um histórico da organização e desenvolvimento da atual campanha e ressaltou que não haverá prorrogação da vacinação, medida, segundo ela, definida por estados, municípios e União na CIT. “O público-alvo da campanha tem até 1º de junho para se vacinar”, disse.

Confira o site oficial da Campanha Nacional de Vacinação contra a gripe e saiba mais informações a respeito da doença, suas formas de prevenção e tratamento.

Dados do Ministério da Saúde 

Até o dia 7 de abril foram registrados 286 casos de gripe em todo o país, com 41 óbitos. Do total, 71 casos e 12 óbitos foram por A/H3N2. Em relação ao vírus A/H1N1pdm09, foram registrados 116 casos e 16 óbitos. Ainda foram registrados 52 casos e 6 óbitos por influenza B e os outros 46 casos e 7 óbitos por influenza A não subtipado. Em 2017, o vírus influenza A/H3N2 foi predominante no Brasil durante a sazonalidade e foram registrados 2.691 casos e 498 óbitos por influenza; até a SE 14 de 2017 haviam registrados 344 casos de influenza no país, com 59 óbitos.

Fake News 

Desde que começaram a surgir as primeiras notícias sobre os casos de H1N1, diversas notícias falsas sobre a circulação de um novo vírus mais letal, o H2N3, começaram a surgir nas redes sociais causando pânico na população. 

No entanto, o Ministério da Saúde esclareceu que não existe uma cepa “H2N3” de vírus da gripe no Brasil. Segundo as informações do ministério, os vírus de gripe que atualmente circulam no Brasil são o influenza A/H1N1pdm09, A/H3N2 e influenza B. 

O ministério reforça ainda que a vacina oferecida na campanha protege contra os três tipos de vírus e afirma que se mantém vigilante quanto à circulação de vírus influenza no Brasil. Esclarece ainda que o país possui uma rede de unidades sentinelas para vigilância da influenza, distribuídas em serviços de saúde em todas as unidades federadas.  

Foto: Matheus Oliveira/Saúde-DF

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