O papel e a importância da comunicação para a promoção da saúde

Conferencistas de países de língua portuguesa debatem desafios e estratégias de comunicação para a saúde

Cerca de 60 pessoas participaram, no dia 22 de maio, do seminário “O papel e a importância da comunicação para a promoção da saúde”, organizado pela Conferência Lusofrancófona da Saúde (Colufras) e pelo CONASS, como pré-atividade da 22ª Conferência Mundial de Promoção da Saúde, em Curitiba/PR. Os conferencistas David Houeto, da Escola de Saúde Pública da Universidade de Parakou, no Benin; François Bourdillon, diretor de Saúde Pública da França; Lise Renaud, do ComSanté/Universidade do Québec em Montréal; Luc Boileau, do Instituto Nacional de Excelência em Saúde e Serviços Sociais do Québec, falaram a respeito dos principais desafios para a promoção da saúde em seus países e discutiram estratégias de comunicação que possam ajudar a enfrenta-los.

O presidente da Colufras, Rémy Trudel, em vídeo de boas vindas, argumentou que os temas da comunicação e da promoção dos cuidados de saúde primários nos sistemas públicos de saúde interessam todos os países do mundo. “Uma atenção primária de qualidade e universal é bem reconhecida como a pedra fundamental dos sistemas públicos de saúde e um fator de sucesso para os serviços hospitalares”, reiterou. Segundo Trudel, as discussões servirão para o lançamento de um amplo projeto internacional que inclua países lusófonos e francófonos, com ênfase no papel da comunicação para a promoção dos cuidados de saúde primários em todos os níveis, seja para os tomadores de decisão, governos, pesquisadores, profissionais de saúde, grupos comunitários e ainda dos próprios cidadãos.

A professora Lise Renaud, do Instituto de Saúde e Sociedade, da Universidade do Quebec em Montreal, avaliou que os conferencistas foram unanimes no que concerne à melhoria dos serviços de saúde ofertados aos cidadãos. “A comunicação, assim como os demais fatores que implicam na melhoria da saúde, deve ir além do setor saúde pois ele depende de diversos outros setores, como a agricultura, o transporte, a educação e outros tantos para se aprimorar e atender melhor à população”, destaca. Renaud também enfatizou que muitas ideias surgiram das discussões e podem culminar em projetos relacionados a temas como a violência, os acidentes de trânsito e a saúde materno infantil. “Os projetos podem ser elaborados conjuntamente por brasileiros, franceses, africanos e quebequenses, o que seria excepcional do ponto de vista do intercâmbio de experiências. Com eventos como este, a Colufras fomenta essa interação”.

O seminário deixou claro que o desafio da comunicação para a promoção da saúde e para a saúde como um todo é uma realidade não só para o Brasil, mas para todos os países. “Os relatos do Canadá, da África, do Brasil e da França mostram claramente que muitas vezes comunicação é confundida com informação e, quando se fala em comunicação para a promoção da saúde, se fala em comunicação para quem toma decisão, para quem formula e vota políticas, para os gestores que administram os sistemas de saúde, para os profissionais que atuam na ponta e, sobretudo, para os cidadãos que utilizam os serviços de saúde”, explica o assessor técnico do CONASS, Fernando Cupertino. Ele também enfatizou o trabalho do CONASS nas ações e discussões que tratam da comunicação, ressaltando o papel da Câmara Técnica de Comunicação em Saúde, as discussões da equipe técnica e o debate com os secretários estaduais de saúde em relação à importância da comunicação.

Ana Valéria Mendonça, da Universidade de Brasília, destacou que as apresentações das ações de informação e de comunicação estão muito próximas da realidade brasileira, buscando a apropriação do conhecimento pela comunidade e a valorização da suas decisões no processo de cuidado de sua própria saúde como algo fundamental para a promoção da saúde. “Quando a população toma conta de si mesma e de suas condições de saúde, o diálogo com os profissionais se torna mais simplificado. Além disso, os benefícios agregados pelo acesso ao conhecimento chegam mais rápido às pessoas”, pondera.

A comunicação tendo como principal emissora a própria comunidade, a partir de suas experiências e apropriação de seus conhecimentos e suas condições foi destacada durante o seminário e, segundo Ana Valéria, não basta ensinar, mas fazer com que os sujeitos se tornem autônomos. “A objetividade e durabilidade dessa comunicação torna-se uma constância importante para o profissional de saúde e se faz muito adequada com o uso das mídias sociais”, explicou.

René Santos, coordenador técnico do CONASS, abordou a transição epidemiológica pela qual passa o Brasil, chamando a atenção para o enfoque midiático da comunicação e para o advento das novas tecnologias. “Ainda temos doenças infecciosas e enfrentamos o aumento exponencial das doenças crônicas e das consequências dos diversos tipos de violência, por isso, a promoção da saúde é fundamental para o Sistema Único de Saúde. Também é grande o desafio de faze-la tanto na contramão do enfoque dado à saúde pela mídia, como com a utilização das ferramentas online disponíveis atualmente”, disse.

O CONASS lançou, durante o encontro, o documento “Promoção da Saúde – propostas do Conselho Nacional de Secretários de Saúde para sua efetivação como política pública no Brasil”, que apresenta a posição dos secretários estaduais de saúde em relação à prioridade da promoção da saúde. “Esse evento oportuniza a troca de experiência com gestores e estudiosos de outros países e nos faz pensar em como fazer a promoção da saúde diante dos desafios da modernidade e como nos comunicar melhor para que a promoção da saúde se torne hegemônica, já que o foco da saúde continua sendo a assistência.

O evento contou ainda com a parceria da Universidade do Quebéc em Montreal; com o Laboratório de Educação, Informação e Comunicação em Saúde da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília (UnB); com o Núcleo de Estudos de Saúde Pública, também da UnB; e com o Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa.

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