Reunidos em Pernambuco, secretários de saúde da região Nordeste compartilham experiências que deram certo em seus estados

Os gestores estaduais de Saúde da região Nordeste, reunidos em Recife, Pernambuco, no dia 9 de junho, apresentaram experiências exitosas em seus estados e discutiram os problemas em comum e para os quais buscam conjuntamente uma solução. O financiamento do SUS, os medicamentos de alto custo, o impacto da epidemia de acidentes de moto na saúde e as ações voltadas para a população atingida pelas chuvas foram alguns dos temas centrais do encontro. “Essa é uma reunião pioneira, em que apresentamos experiências exitosas e, ao mesmo tempo, buscamos soluções para os problemas”, enfatizou o anfitrião do encontro, secretário de Saúde de Pernambuco, Iran Costa, que informou que os gestores do Nordeste se reunirão a cada três meses, a fim de discutir e monitorar as ações e cobrar os resultados.

Os gestores discutiram as demandas apontadas durante o encontro com o secretário executivo do Ministério da Saúde, Antônio Carlos Nardi, presente à reunião. Nardi fez uma explanação a respeito das medidas para ajudar os estados de Pernambuco e Alagoas, que foram atingidos por fortes chuvas e alagamentos nas semanas que antecederam o encontro, e enfatizou a importância da revisão da Portaria GM/MS n. 204, que prevê mudanças nos blocos de financiamento da saúde.

Iran Costa, secretário de Pernambuco, também defendeu a desburocratização no envio dos recursos para a saúde, mas destacou que o subfinanciamento do SUS continua sendo o principal problema do sistema. “O Brasil investe 8% do PIB na saúde quando a média da América do Sul é em torno de 12% a 13%. Os estados do Nordeste investem, em média, 14%; Pernambuco investe cerca de 16%. Os Estados Unidos investem 25%, a Alemanha 23%, então esse é um grande problema para a saúde no Brasil”. A afirmação foi corroborada pelo presidente do CONASS, Michele Caputo Neto: “Queremos, sim, fazer mais com menos e melhorar a gestão, o que não tira de nós o dever de lutar por mais recursos, por um financiamento mais justo e adequado para a saúde no Brasil”, destacou.

Experiências bem-sucedidas

O secretário de saúde de Pernambuco, Iran Costa, apresentou programas de destaque no estado, como o Comitê de Prevenção aos Acidentes de Moto e o Programa Sanar de combate às doenças negligenciadas, além do modelo híbrido de gestão das unidades de saúde. O secretário alagoano, Carlos Christian Reis Teixeira, mostrou a experiência do Hospital do Coraçãozinho, unidade inaugurada em 2016, voltada exclusivamente para os casos cardiopediátricos. A secretária de saúde da Paraíba, Cláudia Luciana Veras, também destacou a assistência cardiológica às crianças com a Caravana do Coração e relatou a assistência às crianças com microcefalia provocada pelo Zika Vírus.

A Síndrome Congênita do Zika foi tema da apresentação do secretário piauiense, Florentino Neto, que descreveu a implantação e descentralização das ações de assistência às crianças. Fábio Vilas Boas, secretário de Saúde da Bahia, apresentou os consórcios de saúde no estado, e o gestor do Ceará, Henrique Jorge Javi de Souza, falou sobre o programa geral de ações e serviços de saúde, atuando como câmara de compensação entre os municípios cearenses. Já o secretário de Saúde do Rio Grande do Norte, George Antunes de Oliveira, relatou a experiência de reestruturação do Fundo Estadual de Saúde, que conta com o apoio do CONASS.

Segundo Caputo Neto, os secretários de saúde do Nordeste deram um exemplo para o resto do país. “Temos nossas peculiaridades, mas também muitos problemas em comum e muitas coisas boas acontecendo em todos os cantos do país. Essas experiências precisam ser compartilhadas e conhecidas, porque, olhando e aprendendo com elas, a gente avança”, ressaltou.

O próximo encontro dos secretários de saúde do Nordeste está agendado para setembro, em Fortaleza, no Ceará. O objetivo é que as reuniões ocorram a cada trimestre, em capitais diferentes. 

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