Santo Antônio do Monte/MG recebe o Laboratório de Inovações na Atenção às Condições Crônicas

O Centro de referência será responsável pelo atendimento de 430 mil habitantes de 13 municípios da microrregião

Focar na Atenção Primária à Saúde, na atenção secundária ambulatorial, nos sistemas de apoio diagnóstico e terapêutico e nos sistemas logísticos das redes de atenção à saúde, referentes às condições crônicas, é o objetivo do Laboratório de Inovações na Atenção às Condições Crônicas no município de Santo Antônio do Monte, Minas Gerais (LIACC/Samonte).

Desenvolvido pelo CONAS, Organização Pan-americana de Saúde (OPAS), Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais (SES/MG), Secretaria Municipal de Saúde de Santo Antônio do Monte e pela Fundação Dr. José Maria dos Mares Guia, o projeto tem como intuito focar nas doenças como  a hipertensão arterial, diabetes, gestação e crianças de até um ano de idade. Além disso, integrará, por meio do modelo de atenção, as ações de vigilância em saúde e de assistência.

Em O Cuidado das Condições crônicas na Atenção Primária à Saúde: o imperativo da consolidação da Estratégia da Saúde da Família (2012), o autor e colaborador do projeto, Eugênio Vilaça Mendes, ressalta que um dos aspectos que diferenciam o modelo proposto são as pesquisas avaliativas que mostrarão a capacidade de resposta social, trazendo resultados para população. “A avaliação do laboratório será feita a partir do conceito do Sistema de Saúde, que é gerar valor para as pessoas usuárias de sistema. Isso é importante porque o padrão de avaliação não é apenas saber se o paciente teve acesso pronto, rápido e oportuno. Isso é o que população quer, mas, às vezes, é possível dar um acesso pronto, rápido e ainda assim não mudar o nível de saúde para população. É preciso saber, por exemplo, se reduziu ou aumentou o número de pacientes com diabetes, se o paciente está com sua glicemia controlada, estabilizada etc.” explicou.

Para a assessora técnica e coordenadora do Núcleo de Atenção Primária à Saúde do CONASS, Maria José Evangelista, um dos desafios do  projeto  é  organizar  e  integrar  as ações de vigilância em saúde e de assistência por meio do modelo de atenção. “O modelo de atenção ainda é hegemônico no Sistema único de Saúde (SUS), voltado para as condições agudas e não tem funcionado para atender às reais necessidades dos usuários”. Segundo ela, com o envelhecimento da população e o aumento da expectativa de vida do brasileiro, é urgente a implantação de um modelo de atenção que  atenda às condições  crônicas,  sem  negligenciar as condições agudas. “Todos os  sistemas de informação em saúde, tanto nacional como dos estados e municípios, apontam que as principais causas de mortalidade e morbidade são decorrentes de doenças crônicas”, relatou.

O representante da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Renato Tasca, falou sobre a importância de analisar e valorizar os instrumentos e as práticas inovadoras que resultarão deste trabalho. “É uma das primeiras iniciativas que pretendem realizar uma experimentação sistemática de novas práticas de integração da Atenção Básica com as especializadas. A integração entre estes dois níveis é absolutamente crucial para responder de maneira efetiva às pessoas portadoras de doenças crônicas.

Para Tasca, a experiência do projeto oferecerá muitos resultados importantes, assim como proporcionará impactos significativos para as pessoas que serão atendidas nos serviços de saúde.

Tasca falou ainda, que um dos maiores desafios é valorizar e dar visibilidade aos conhecimentos produzidos pela experiência que está sendo aplicada. “Esses conhecimentos devem ser concretos, no sentido de proporcionar elementos operativos que permitam aos gestores do SUS melhorar a atenção aos portadores de condições crônicas”.

O representante reforçou que o projeto foi planejado cuidadosamente, com pesquisas avaliativas que acompanharão toda a intervenção, criando as condições ideais para produzir evidências com bases científicas.

Para o prefeito de Santo Antônio do Monte, Wilmar Filho, o laboratório faz parte de uma vontade de fortalecer o combate às doenças crônicas e à Atenção Primária à Saúde no município. “Hoje, temos um número alarmante de óbitos por doenças crônicas no País, inclusive essas doenças manifestam-se de maneira silenciosa. Com esses serviços de Atenção à Saúde, de alguma maneira, melhoraremos a expectativa de vida do cidadão”, disse.

O prefeito ressaltou que as parcerias entre as instituições foram fundamentais para que esses números não aumentem e para realização do projeto, garantindo, assim, qualidade de vida e saúde à população. “Esse crescimento de doenças crônicas fez com que essas instituições se sensibilizassem com a saúde no País. A presença delas ratifica a seriedade do laboratório. Nós vamos deixar um legado para história do município, e dentro desse programa vamos dar sequência ao que foi aprendido para que essa experiência seja contínua e se fortifique sem sofrer o processo de descontinuidade que é muito comum em programas públicos”.

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