Projeto que organiza a Atenção Primária e Especializada nos estados e municípios será expandido para todo o país

Pesquisadores da Planificação da Atenção à Saúde (PAS) se reuniram nesta segunda-feira (8), em Brasília, para aprofundar os conhecimentos a respeito do projeto do Conass que organiza a Atenção Primária e Especializada nos estados e municípios. O Objetivo foi apresentar os métodos e subsidiar os novos parceiros – Hospital Albert Einstein e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), na compreensão do projeto, na elaboração da linha de base e na escolha dos indicadores que serão utilizados em futuras pesquisas.

Participaram da reunião representantes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que pesquisou a planificação no município de Santo Antônio do Monte/MG; da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC), que realizou a primeira pesquisa do Laboratório de Modelo de Crônicas de Curitiba e que validou à época dois instrumentos de avaliação para hipertensão e diabetes: o questionário ACICC – Avaliação da Capacidade Institucional para a Atenção às Condições  Crônicas (pelo profissional de saúde) e o PACICC (pelo paciente). A PUC/PR também está pesquisando a Rede do Idoso do município de Maringá, no Paraná. Além destas, as universidades Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e de Brasília (UnB) estão avaliando os 10 estados brasileiros onde a PAS foi e está sendo implementada e, recentemente, a Fiocruz iniciou a Planificação na região de Manguinhos/RJ e, além de implementar a PAS, por ser um espaço de pesquisa e conhecimento, também vai pesquisar a planificação neste território.

O Projeto será expandido para todo o país por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS), financiado com recursos de isenção fiscal (COFINS e cota patronal do INSS), concedidos aos hospitais filantrópicos de excelência reconhecidos pelo Ministério da Saúde e que apoiam a promoção da melhoria das condições de saúde da população brasileira. Para a pesquisa avaliativa externa dessa expansão foi escolhida a Universidade de São Paulo (USP).

Segundo o vice-presidente do Conass na região Centro-Oeste, Humberto Fonseca, a expansão do projeto demonstra a importância da planificação desenhada e executada pelo Conass desde 2010. “A expansão do projeto vai levar a todo o país os ensinamentos e a teoria adotada a partir da necessidade do trabalho em rede, buscando mudar o foco na saúde pública para o tratamento das doenças crônicas tendo em vista a virada epidemiológica e a situação atual que o modelo que vigora por décadas não mais atende. Por isso precisamos de todos os níveis de atenção funcionando de forma coordenada”, destacou.

Maria José Evangelista, assessora técnica do Conass e coordenadora da planificação, esclareceu as apresentações da reunião enfatizaram os métodos de pesquisa, a escolhas de indicadores no intuito de contribuir para futuras pesquisas por meio da compreensão mais aprofundada do objeto do trabalho. “Os pesquisadores puderam entender o projeto e o que é mais relevante pesquisar, principalmente para que não haja sobreposição com as futuras pesquisas e para que tenhamos oportunidade de avaliar vários aspectos de um mesmo projeto”.

O Modelo de Atenção às Condições Crônicas voltado para as atenções Ambulatorial e Especializada e o trabalho das Redes de Atenção à Saúde – que embasam o projeto da planificação –, foi esmiuçado pelo consultor do Conass, professor Eugênio Vilaça, considerando tratar-se de modelo novo para muitos profissionais que não trabalham com o conceito de condições crônicas. Também foram apresentados alguns resultados do município de Santo Antônio do Monte, chamando a atenção para a organização da APS no município, que perdurou apesar do tempo e das mudanças na gestão. “O processo persiste no município. Nada se perdeu e algumas coisas continuam evoluindo, demonstrando a sustentabilidade do projeto”, destacou Maria José. Outros achados apresentados apontaram mudança efetiva no processo de trabalho das equipes, o engajamento dos profissionais e a percepção dos usuários na melhoria da atenção prestada pela equipe.

Humberto Fonseca, que é médico de saúde e comunidade, citou o modelo implantando na região Leste do Distrito Federal (Paranoá, Itapoã e São Sebastião) com um ambulatório de Atenção às Condições Crônicas funcionando no Hospital do Paranoá e trabalhando de forma integrada com as Equipes de Saúde da Família. “Pelos depoimentos constatamos o engajamento e a satisfação da equipe e dos pacientes. Ouvimos da gerente de internação o relato a respeito da queda expressiva de internações por condições sensíveis à APS, especialmente de diabéticos e hipertensos descompensados, e vimos todos os níveis de atenção funcionando de forma coordenada e tendo resultado em todos eles”, elogiou.

Futuros parceiros

O diretor da Escola de Saúde Pública da USP, Oswaldo Tanaka, destacou que foi interessante ter contato com experiências bem elaboradas sobre a proposta de estruturação da Atenção às Condições Crônica. Segundo ele, as experiências têm a peculiaridade de terem sido desenvolvidas em municípios em que as condições de oferta e as condições de implementação eram favoráveis, possibilitando a análise do alcance e os resultados dessa proposta do Conass. “O desafio de agora em diante é transformar o que aprendemos com essas experiências para expandi-las para as outras regiões de saúde do território nacional”. disse.

A pesquisadora da Fiocruz/RJ, Gisele O’Dwyer enfatizou que os resultados da planificação são muito satisfatórios, assim como as pesquisas, pois trabalham com instrumentos consistentes e com potencial de replicação. “É uma experiência de nove anos e para a Fiocruz é importantíssimo participar de pesquisas de qualificação como essa”.

Para o consultor técnico do Departamento de Atenção Básica (DAB/MS), Marco Aurélio, os resultados do projeto são positivos e possibilitam enxergar melhor como a academia está vendo esse processo da planificação. Sobre o ProadiSUS, o consultor observou que o DAB reconhece como válida a planificação e acata o projeto. “Estamos dando continuidade a esta iniciativa para as 27 unidades da federação ou pelo menos para as 27 regiões de saúde e esperamos que isso produza engajamento dentro da Atenção Básica. É uma tentativa de conseguirmos que duas instituições consigam olhar para o mesmo lugar, somando forças e promovendo qualificação para a Atenção Básica como um todo”.

“Precisamos estudar muito bem esse modelo que esperamos que o Brasil inteiro possa implementar. Com o financiamento via Proadi-SUS acreditamos que o programa vai ganhar muita força em todo país”, disse Humberto Fonseca, ressaltando que o acompanhamento do projeto pelas instituições de pesquisa dá credibilidade ao projeto e aos seus achados.

Veja as fotos da reunião: https://www.flickr.com/photos/conass/albums/72157672106880387

 

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