24 dias pelo Diabetes – Conselho Brasileiro de Oftalmologia promove campanha para proteger a visão de quem vive com diabetes

O mês de novembro terá uma série de ações educativas, levando à população conscientização e cuidados para quem vive com o diabetes, em especial sobre a retinopatia diabética, complicação da doença que afeta os olhos. Assim, a tradicional mobilização que acontece neste mês assume um novo formato: em lugar do “24 Horas pelo Diabetes”, em 2026, acontecerá o “24 Dias pelo Diabetes”, uma iniciativa do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).

Com novas iniciativas e em busca de cada vez mais engajamento, o principal objetivo continua sendo oferecer à população acesso a informações de fácil compreensão sobre o risco de cegueira pelo diabetes. Essa preocupação tem uma razão clínica: a retinopatia diabética, complicação que danifica os vasos sanguíneos da retina, avança sem sinais nas fases iniciais e não costuma provocar dor, vermelhidão nem perda perceptível de visão.

Segundo Maria Auxiliadora Frazão, presidente do CBO, o paciente pode passar anos sem desconfiar do problema. Quando percebe que algo está errado, o dano à retina já pode estar instalado e a visão comprometida. Por isso, o diagnóstico precoce muitas vezes depende da informação, e a forma de comunicar deve tornar o conteúdo atraente sem renunciar ao rigor científico.

“Devemos falar de forma clara, simples e absolutamente transparente. Os conteúdos da campanha são técnicos e científicos, mas perfeitamente adequados para que a população entenda a importância do cuidado com os olhos, especialmente para quem tem diabetes”, afirma.

Além do CBO, apoiam a campanha “24 Dias pelo Diabetes” outras entidades que têm grande interesse no tema. Dentre elas, estão a Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo (SBRV), a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) e a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP).

Como a doença age – A retinopatia diabética ocorre quando os vasos da retina, a parte do olho que forma as imagens, são danificados pelo excesso prolongado de glicose no sangue. Isso pode causar vazamentos e pequenos inchaços. Nos casos mais graves, surgem novos vasos frágeis, que podem sangrar e até levar ao descolamento de retina.

O diagnóstico é feito por exames que mostram se os vasos estão danificados ou se há líquido acumulado na retina. Não há cura para a retinopatia, mas o diagnóstico precoce e o acompanhamento regular com o médico oftalmologista são essenciais para controlar a doença, preservar a visão e evitar a cegueira.

Entre os exames usados para diagnosticar a retinopatia diabética, o de fundo de olho é o mais comum. Ele permite ao médico oftalmologista observar a retina e os vasos sanguíneos e identificar sinais de dano ainda no início. Por isso, deve ser feito por todas as pessoas com diabetes dos tipos 1 ou 2, mesmo sem sintomas.

Em alguns casos de diabetes tipo 1, a doença se manifesta de forma abrupta, e o embaçamento visual súbito pode ser um dos primeiros sinais. Mas na maioria dos casos, as alterações na retina surgem devagar e costumam passar despercebidas até os estágios avançados, quando o tratamento se torna mais difícil.

O tratamento inclui o controle da glicemia, da pressão e do colesterol, além de procedimentos específicos para os olhos, como laser, injeções e, em casos avançados, vitrectomia, cirurgia que remove sangue ou tecido cicatricial.

Programação – Reportagens, podcasts, peças em redes sociais, vídeos e outros conteúdos educativos vão mostrar à população a importância de cuidar do diabetes de forma integral. A proposta é deixar claro ao paciente que ele convive com uma doença sistêmica e que sua rede de cuidados deve reunir várias especialidades, dedicadas aos diferentes sistemas que o descontrole da glicose pode afetar.

Para Joaquim Custódio, da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), o desafio é construir uma linguagem acessível e evitar a “medicina do medo”. “A mensagem positiva que devemos levar à população é que esse problema existe, mas pode ser prevenido e, se diagnosticado, tem como ser adequadamente tratado”, explica.

A programação também vai olhar para públicos específicos. As crianças e suas famílias, por exemplo, exigem uma abordagem cuidadosa. Casos de retinopatia em crianças são raros, mas as alterações na retina podem surgir na infância ou na adolescência, com risco que aumenta com o tempo de doença, o mau controle da glicemia e a puberdade.

“É fundamental entender a importância de examinar a parte oftalmológica na vigência de uma doença sistêmica. Isso é preventivo. A cegueira é evitada se os pacientes souberem que precisam ser avaliados e cuidados em uma fase pré-alteração. Depois que a doença se instala, fica tudo mais difícil”, alerta Christiane Rolim, presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP).

Outro tema de destaque nos debates será o uso da Inteligência Artificial (IA) no enfrentamento da retinopatia diabética. Segundo Jorge Rocha, presidente da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo (SBRV), “atualmente, vários equipamentos utilizam a Inteligência Artificial para antecipar informações diagnósticas. A telemedicina é vital para otimizar o fluxo de atendimento, especialmente em regiões do país que enfrentam escassez de retinólogos e de recursos para exames e cirurgias de alta complexidade”, explica.

Além dos conteúdos educativos, o 24 Dias pelo Diabetes prevê mutirões de atendimento presencial em diferentes regiões do país. As ações serão organizadas com o apoio de lideranças regionais e contarão com a participação de médicos voluntários, em um formato descentralizado e adaptado à realidade de cada local.

Legado – A campanha nasceu em 2020, em plena pandemia de covid-19, como uma maratona multidisciplinar 100% online, transmitida pelos canais oficiais do CBO. Médicos, especialistas e outros profissionais se reuniam para debater o tema com o público.

Com o passar dos anos, o projeto saiu da internet e ganhou o apoio de dezenas de instituições, entre elas o Conselho Federal de Medicina (CFM), a Associação Médica Brasileira (AMB) e o Ministério da Saúde. Em vez de concentrar a mobilização em um único dia, o formato de 24 dias passa a acompanhar o público ao longo de todo o mês.

O diabetes afeta uma em cada 11 pessoas no mundo. O Brasil ocupa a sexta posição entre os países com mais casos, cerca de 16,6 milhões, e a estimativa é que o número chegue a 24 milhões até 2045. Estudos indicam que até 80% dos pacientes com diabetes de longa duração podem apresentar algum grau de retinopatia.

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