Em alusão ao Dia Mundial da Segurança do Paciente, o Conass promoveu hoje (1o) o III Seminário Nacional dedicado à temática, com destaque para a proteção de recém-nascidos e crianças desde os primeiros momentos de vida. O encontro reuniu gestores e técnicos estaduais, representantes do Ministério da Saúde, da Anvisa, do Conasems e de entidades parceiras, além de profissionais de diversas áreas da saúde.
A secretária de Saúde do Rio de Janeiro, Cláudia Mello, destacou a importância do engajamento dos gestores no tema. “Essa presença mostra que a segurança do paciente não pode ser apenas teoria ou discussão técnica, é fundamental que gestores também estejam envolvidos”, afirmou.
Entre os avanços citados, ela destacou o subcomitê de Parto Seguro, responsável pela elaboração de um guia fundamental em um período de altas taxas de mortalidade materna. “Este ano, conseguimos reduzir em quase 20% esses índices. Ainda não chegamos aonde queremos, mas é uma conquista significativa”, completou.
Outro ponto abordado foi a importância do pediatra, como profissional engajado nas boas práticas, que, segundo ela, o objetivo é fortalecer o debate em todo o Brasil, enfrentando desigualdades regionais e levando o tema às assembleias e instâncias nacionais.
Além disso, Melo, falou da proposta de criação de uma política nacional de segurança do paciente. “Temos programas e metas, mas sem uma política estruturada não conseguiremos avançar como precisamos. Esse é um passo necessário para consolidar o trabalho que já fazemos na Câmara Técnica e em outras frentes”, concluiu.
O secretário de Saúde de Goiás, Rasível dos Reis, compartilhou experiências do estado, entre elas a iniciativa das Madrinhas das Gestantes na qual mães ou avós acompanham de perto o pré-natal. “As gestantes vão ter sua madrinha, então ela vai poder ligar para a madrinha e receber ligação dela. A madrinha vai perguntar: ‘Você fez a sua consulta de pré-natal?’ E a gestante responde: ‘Fiz.’ Aí a madrinha pergunta qual consulta foi, por exemplo, a terceira, verifica se foram pedidos os exames necessários, e terá um checklist para garantir que tudo esteja correto. Se algum exame não for solicitado, a madrinha já liga na unidade para resolver a questão para aquela gestante”, explicou Rasível.
Para ele, essas questões que parecem simples podem fazer toda a diferença. “A experiência de mãe ou avó ajuda muito, especialmente quando a gestante está na primeira gestação e tem dúvidas. Ela vai poder perguntar livremente para alguém que já tem mais vivência”, disse.
Rasível também frisou os avanços no enfrentamento da mortalidade materna e infantil, bem como a implementação do Sistema Caren, desenvolvido pela secretaria de Goiás, utiliza tecnologias de ciência de dados para mensurar atenção requerida no cuidado de cada recém-nascido internado, sistema que utiliza inteligência artificial para classificar a assistência ao recém-nascido. “A identificação segura do recém-nascido é etapa fundamental para garantir proteção desde os primeiros momentos de vida”, afirmou.
Já o assessor técnico do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Rodrigo Lacerda, reforçou a parceria com o Conass. “O Conasems se soma a essa parceria com o firme propósito de fortalecer cada vez mais o Sistema Único de Saúde (SUS), não apenas em números ou em cobertura, mas na qualidade do cuidado ofertado. Seja no cuidado paliativo, na segurança do paciente ou em outras frentes estratégicas, nosso foco é garantir que o atendimento e a oferta de serviços se tornem cada vez mais resolutivos, humanizados e seguros”, disse.
Ele também disse que o investimento em segurança do paciente significa qualificar o cuidado, gerar economicidade e organizar de forma mais eficiente a rede de atenção. “Acreditamos que precisamos avançar na construção de uma política nacional tripartite, que consolide esses esforços e garanta resultados efetivos para todo o país”, destacou.
Patrícia Honório, representando a Secretaria de Atenção Especializada do Ministério da Saúde, reforçou a relevância do encontro. “Iniciamos o mês da segurança do paciente já com este seminário, debatendo com profissionais tão qualificados e engajados. Esperamos que as reflexões e iniciativas discutidas hoje cheguem aos estados e às unidades de saúde, alcançando a ponta e fortalecendo de fato o cuidado seguro aos pacientes. Este é um tema que exige atenção e compromisso contínuo, e é muito gratificante ver que estamos avançando juntos nessa direção”, disse.
Para Aline Hennemann, assessora técnica da Secretaria de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde, a atenção primária tem papel central na segurança do paciente. “Quando falamos de Atenção Primária e segurança do paciente, sabemos que ainda há muito a desenvolver e não conseguimos fazer isso sozinhos. É fundamental estarmos juntos para fortalecer as ações nos territórios”, afirmou.
Ela ressaltou o trabalho da coordenação de Saúde da Criança, Adolescente e Jovem, que tem dado destaque à segurança do recém-nascido e da pediatria, e reforçou a importância da participação da família nesse processo. “Ao analisarmos as metas de segurança do paciente aplicadas à pediatria, percebemos que ainda há muitas adaptações necessárias para atender plenamente às seis metas. Por isso, eventos como este são fundamentais: nos permitem refletir sobre os territórios, identificar mudanças necessárias e planejar ações efetivas”, disse.
Já a gerente de Tecnologia em Serviços de Saúde da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Márcia Gonçalves, reforçou o compromisso da agência com a pauta e destacou o trabalho desenvolvido pela instituição. “A Anvisa vem atuando de forma integrada com o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária para fortalecer a cultura de segurança do paciente no Brasil. Ao longo dos anos, várias estratégias vêm sendo desenvolvidas para que possamos oferecer serviços de mais qualidade e segurança para a população brasileira”, disse.
Márcia também chamou atenção para o cuidado com os recém-nascidos. “Temos uma preocupação especial com os recém-nascidos e com a categoria pediátrica, um grupo extremamente vulnerável que exige atenção desde o parto, passando pela assistência neonatal até a pediatria. Nosso cuidado precisa ser redobrado, e é nesse sentido que esse trabalho se torna tão importante”, reforçou.
Ela ainda relacionou a atuação da Anvisa com o lema da Organização Mundial da Saúde (OMS). “Quando olhamos para o lema da OMS, que destaca mais cuidado, mais segurança e integralidade para as crianças desde o início da vida, percebemos o quanto esse tema está alinhado com nossas ações”, comentou. Márcia falou que este ano foi lançada uma diretriz nacional para implementação de programas de gerenciamento de antimicrobianos, incluindo a sepse neonatal. “Isso demonstra nosso compromisso em apoiar os serviços de saúde com protocolos fundamentais para aprimorar a cultura de segurança do paciente”, afirmou.
Ao final, reafirmou o compromisso de trabalhar em rede. “É fundamental que cada um, dentro do seu âmbito de competência, una esforços para enfrentar um tema tão relevante para o SUS. A segurança do paciente não deve ser vista como mais um protocolo, mas como um pacto pela vida, que traga mais qualidade, mais segurança e mais esperança ao nosso país”, concluiu.
Durante o seminário, também foram lembradas experiências bem-sucedidas como o Núcleos Estaduais de Gestão e Estratégia da Segurança do Paciente (Negesp), coordenado pela assessora técnica do Conass, Carla Ulhoa. O Negesp é uma iniciativa do Conselho para fortalecer a governança e a segurança do paciente em todo o Brasil e apoiar gestores e equipes de saúde na construção de práticas seguras, sustentáveis e baseadas em evidências.
A programação do evento também incluiu mesas de debate, palestras e apresentação de experiências exitosas nos estados, reforçando o compromisso coletivo em transformar a segurança do paciente em um pacto nacional pela vida.