Sesab promove simpósio em alusão ao Janeiro Roxo – mês de enfrentamento a hanseníase, propondo ações de janeiro a janeiro

Nesta terça-feira (27), a Secretaria da Saúde do estado da Bahia (Sesab), por meio da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Divep/Suvisa) realiza o simpósio “Conexão Bahia: Fortalecendo a Rede e Unindo Vozes Contra a Hanseníase”, com o objetivo de promover uma ampla sensibilização entre gestores, sociedade civil, profissionais de saúde e pesquisadores, além de fortalecer a rede de atenção e fomentar a troca de experiências para o controle efetivo da hanseníase em nosso Estado.

Embora o Janeiro Roxo dê destaque ao tema em função da campanha nacional de conscientização sobre a hanseníase, as ações contra a doença devem ser promovidas durante todo o ano.

Na abertura do evento, realizado no auditório da Secretaria Estadual da Educação, a Coordenadora Geral Substituta da Coordenação-Geral de Vigilância da Hanseníase e Doenças em Eliminação (CGHDE) do Ministério da Saúde, Janaína Menezes, traçou um panorama do cenário atual do Brasil e o caminho para as metas de 2026-2030.

“Temos de identificar estratégias para melhorar os indicadores nos 27 estados da federação. Em 2025, 11% dos estados atingiram a meta de mais 90% de avaliação de incapacidade física no diagnóstico”, explicou a técnica.

A Hanseníase é uma doença milenar, classificada pela Organização Mundial de Saúde como uma doença tropical negligenciada. Está diretamente relacionada à pobreza e ao acesso precário a moradia, alimentação e educação. A Índia, Brasil e Indonésia registram 80% dos casos de hanseníase no mundo, ocupando as 1ª, 2ª e 3ª posições, respectivamente.

Já a técnica baiana da Divep, Greice Cruz, trouxe o cenário epidemiológico da hanseníase na Bahia, diagnóstico e agenda estratégica para 2026. Para este ano, a Diretoria de Vigilância Epidemiológica/Programa Estadual da Hanseníase propõe que os municípios do estado da Bahia desenvolvam as ações de mobilização e de luta contra a hanseníase com investimentos em capacitações profissionais e em ações de busca ativa de casos novos e avaliação de contatos.

O Estado mantém um cenário de alta endemicidade para a hanseníase, entretanto no período de 2015 a 2024, houve uma tendência de queda no número de notificações. Comparando o período, a redução no registro de casos é de 34,9% na população geral e 72,3% em menores de 15 anos. Os períodos pandêmico e pós-pandêmico (2020–2024) suscitam a hipótese de subnotificação. Ainda assim, os investimentos em capacitações dos profissionais e em ações de busca ativa contribuíram para um discreto aumento no registro de casos ao se compararem os anos de 2020 e 2025, o que sugere uma gradativa recuperação da capacidade de detecção da doença.

Alta Endemicidade

A hanseníase é considerada de alta endemicidade na Bahia e está presente em todas as regiões do estado, embora algumas apresentem maior concentração de casos, especialmente as regiões Norte, Oeste e Extremo Sul. Dados preliminares de 2025 indicam uma tendência de alta, com 1.746 novos diagnósticos, dos quais 45 ocorreram na faixa etária infantil. Eleuzina Falcão, coordenadora de Agravos Transmissíveis da DIVEP, ressalta a necessidade de vigilância rigorosa sobre os municípios que não notificaram casos, especialmente aqueles situados em regiões historicamente endêmicas, o que pode caracterizar uma subnotificação.

Para o ano de 2026, foram programadas ações para ampliação do número de profissionais capacitados para o diagnóstico e manejo clínico da hanseníase nas Macrorregiões Centro Norte, Centro Leste, Leste, Nordeste, Norte e Sul, incluindo polos indígenas; realização de encontros regionalizados com as equipes de vigilância epidemiológica; intensificação do monitoramento dos indicadores de exame de contatos e cura; incentivar as regionais e municípios a intensificar a busca ativa de casos, bem como ampliar a avaliação de contatos com uso do teste rápido. A avaliação de contatos domiciliares de pessoas já diagnosticadas é uma estratégia fundamental para identificar novos casos e interromper a cadeia de transmissão da hanseníase.

A hanseníase é uma doença crônica, de notificação compulsória, realizada após confirmação do caso, cujo diagnóstico é essencialmente clínico e epidemiológico, por meio da história clínica, exame dermatoneurológico e situação epidemiológica. De acordo com o Ministério da Saúde, são considerados contatos “todas as pessoas que residem ou tenham residido, ou que convivem ou tenham convivido com o paciente com hanseníase no ambiente domiciliar, nos cinco anos anteriores ao diagnóstico, sejam elas familiares ou não”.

Fonte: SES/BA