
Fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) passa, necessariamente, pela organização regional das Redes de Atenção à Saúde e pelo enfrentamento qualificado das doenças crônicas que mais impactam a vida da população, como diabetes e hipertensão arterial. Com esse olhar, a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) recebeu, nesta segunda (2/2) e terça-feira (3/2), a Oficina Redes de Atenção à Saúde, iniciativa conduzida pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) para a qualificação da gestão e da organização do cuidado no estado.
A oficina representa um passo estratégico para consolidar a Planificação da Atenção à Saúde (PAS) como ferramenta estruturante do SUS fluminense, reforçando o papel da Atenção Primária à Saúde (APS) como coordenadora do cuidado e como principal porta de entrada para o acompanhamento contínuo de condições crônicas. O processo terá início pela região da Baixada Litorânea, escolhida como território prioritário para a implantação do modelo.
Durante a abertura, a secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello, destacou que a organização regional das redes é fundamental para garantir acesso, continuidade do cuidado e melhores resultados em saúde, especialmente no acompanhamento de doenças que exigem monitoramento permanente.
“As redes precisam estar organizadas regionalmente para que a gente consiga dar resposta real às necessidades da população. Diabetes e hipertensão são muitas vezes silenciosas, escondidas no cotidiano dos serviços, e é na Atenção Primária que conseguimos identificar, acompanhar e evitar que esses casos evoluam para situações graves”, afirmou.
Segundo a gestora, a planificação fortalece o trabalho das equipes locais, integra os serviços e cria condições para que o cuidado seja mais resolutivo desde o início.
“Quando a Atenção Primária funciona bem, a gente cuida antes, acompanha melhor e evita que o problema chegue à alta complexidade. Esse é o caminho para um SUS mais eficiente, humano e sustentável”, completou.
A oficina reuniu gestores e profissionais da SES-RJ, promovendo reflexões práticas sobre processos de trabalho, linhas de cuidado e integração entre Atenção Primária e Atenção Especializada, com destaque para condições crônicas como hipertensão e diabetes, além da linha materno-infantil e das urgências.
A metodologia da PAS, baseada no Modelo de Atenção às Condições Crônicas (MACC), propõe mudanças organizacionais sem substituir o profissional, qualificando rotinas, fluxos e decisões clínicas e de gestão, sempre com foco no usuário.
Referência nacional no tema, o consultor do Conass Eugênio Vilaça, a força da planificação está justamente na reorganização do cuidado cotidiano e no fortalecimento da APS como eixo do sistema.
“A planificação organiza os processos de trabalho, coloca o usuário no centro do cuidado e fortalece a Atenção Primária como coordenadora da rede. É assim que conseguimos cuidar melhor das condições crônicas e evitar agravamentos desnecessários”, ressaltou.
Na mesma linha, a coordenadora técnica do Conass, Rita Cataneli, enfatizou que o início pela Baixada Litorânea respeita as especificidades regionais e fortalece a capacidade da gestão estadual de expandir o modelo.
“A Planificação da Atenção à Saúde é uma estratégia que respeita o território, mas oferece uma metodologia sólida para organizar o cuidado. Ao começar por uma região e capacitar a gestão estadual, criamos condições para expandir esse processo para todo o estado”, explicou.
Ao longo dos dois dias, os participantes discutiram temas como diabetes, hipertensão, mortalidade infantil, urgências e linha materno-infantil, construindo propostas concretas para a organização das Redes de Atenção à Saúde no Rio de Janeiro.