
O fortalecimento da vigilância em saúde e a preparação do Sistema Único de Saúde (SUS) diante de crises climáticas e emergências epidemiológicas foram os temas centrais das reuniões das Câmaras Técnicas do Conass de Epidemiologia (CTEpidemio) e de Vigilância em Saúde Ambiental (CTVSA), realizadas desde terça (10), na sede da instituição, em Brasília. O encontro reuniu gestores estaduais, representantes do Ministério da Saúde e contou com a participação especial do diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS), Jarbas Barbosa.
Parceria Estratégica com a Opas

Em visita institucional ao Conass, Jarbas Barbosa, acompanhado pelo representante da Opas no Brasil, Cristian Morales, destacou a importância da cooperação técnica para a resiliência dos sistemas de saúde. O diretor participou de um momento da reunião conjunta entre as Câmaras Técnicas, onde reafirmou o compromisso com a gestão estadual.
“É essencial fortalecer essa aliança histórica, valorizando o papel fundamental que os estados desempenham na gestão da saúde brasileira”, afirmou Barbosa. Durante o encontro com a diretoria do Conass, ele também enfatizou que uma Atenção Primária à Saúde (APS) resolutiva é o pilar para um sistema resiliente, mencionando a adesão do Brasil à Aliança pela APS nas Américas.
Vigilância e Mudanças Climáticas
O primeiro dia de atividades foi exclusivo com a Câmara Técnica de Vigilância em Saúde Ambiental (leia aqui a matéria).
A reunião conjunta, coordenada pelos assessores técnicos do Conass, Fernando Avendanho e Nereu Henrique Mansano, focou no controle de arboviroses e no impacto dos desastres ambientais. Foram discutidas a expansão do Projeto Wolbachia e das estações disseminadoras de larvicidas como estratégias cruciais para o enfrentamento da Dengue, Zika e Chikungunya.
Um dos pontos altos foi o espaço para troca de experiências sobre desastres climáticos extremos. A Secretaria de Estado da Saúde do Paraná apresentou a capacidade de resposta do SUS ante o tornado de categoria F4 ocorrido em Rio Bonito do Iguaçu, enquanto o Espírito Santo compartilhou as estratégias de enfrentamento a desastres hidrometeorológicos.
Fernando Avendanho ressaltou que a integração entre a vigilância ambiental e a epidemiológica é vital. “O cenário de mudanças climáticas exige que as câmaras trabalhem de forma transversal para antecipar respostas e proteger a população”, pontuou.
Imunização e Desafios da Epidemiologia
O último dia foi dedicado especificamente à CTEpidemio. Em pauta, a análise da sazonalidade de vírus respiratórios e as medidas para ampliar as coberturas vacinais contra Influenza e Covid-19. O grupo debateu a implementação da vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório em gestantes e o uso do anticorpo monoclonal Nirsevimabe em recém-nascidos, pauta que contou com a participação virtual da Câmara Técnica de Atenção à Saúde, coordenada pela assessora técnica do Conass, Luciana Vieira.
A vacinação contra a dengue também teve destaque, com foco nas estratégias de implantação da vacina do Instituto Butantan e a expansão da imunização em todo o território nacional. A pauta contou com a participação do Diretor do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Eder Gatti. Encerrando os debates, foi apresentada a 3ª Fase do Plano Brasil Livre de Tuberculose, reforçando o compromisso dos estados com a eliminação da doença como problema de saúde pública.
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Assessoria de Comunicação do Conass