Estados e municípios compartilham experiências no enfrentamento à hanseníase durante conferência nacional no Rio de Janeiro

A Conferência Nacional de Alto Nível em Hanseníase 2026 reuniu, entre os dias 12 e 14 de março, no Rio de Janeiro, gestores, especialistas, pesquisadores e representantes da sociedade civil para discutir caminhos voltados à eliminação da doença no Brasil. Na abertura do encontro, a secretária de estado de Saúde do Rio de Janeiro, Claudia Mello, representou o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e afirmou que “a hanseníase é uma condição crônica. Ela não se resolve com ações isoladas ou campanhas de curto prazo. Ela exige continuidade do cuidado” e reafirmou a defesa do fortalecimento da Atenção Primária à Saúde (APS), da integração entre vigilância e a APS e da priorização das populações mais vulneráveis.

A mesa de abertura contou ainda com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha; do diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Jarbas Barbosa; do presidente honorário da Fundação Nippon, Yohei Sasakawa; da secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Mariângela Simão; do deputado federal Dr. Luizinho; e da ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo.

Ao longo da programação, estados e municípios apresentaram experiências e perspectivas relacionadas à organização das redes de cuidado, ao fortalecimento da vigilância, à qualificação do acesso e à formação de profissionais de saúde nos territórios.

Experiências dos territórios

Na sessão dedicada aos desafios para garantia de acesso às ações e aos serviços da rede de atenção no Brasil, Rondônia apresentou a perspectiva da gestão estadual para garantir o acesso, com foco em regulação, regionalização e organização da rede de atenção. Na mesma mesa, o município de Sobral, no Ceará, levou à conferência a perspectiva municipal sobre realidades locais e soluções para ampliar o acesso e a qualidade do cuidado na ponta.

Ainda no segundo dia, a sessão sobre experiências e desafios no enfrentamento à hanseníase em regiões de endemicidade diversas reuniu apresentações do Maranhão e do Pará, que abordaram desafios estruturais e estratégias de enfrentamento em contextos de alta endemicidade. O município do Rio de Janeiro apresentou sua resposta em área de média carga, com ênfase na organização territorial, na busca ativa e no fortalecimento da atenção primária. Já Campo Grande compartilhou os desafios da vigilância e da atenção em contexto de baixa endemicidade, destacando os dilemas de cenários com poucos casos.

No terceiro dia, a programação também incluiu contribuições voltadas à formação e à educação permanente em hanseníase nos diferentes territórios. Mato Grosso apresentou os desafios da formação multiprofissional em hanseníase, em debate sobre estratégias para promover equidade e fortalecer as ações no cuidado.

Rio de Janeiro apresenta ferramenta em desenvolvimento

Claudia Mello também participou da programação técnica do evento com a apresentação “IA na prevenção de incapacidade em hanseníase: desafios para classificação”. Durante o painel, a secretária apresentou o protótipo de um aplicativo voltado à modernização da avaliação neurológica de pacientes com hanseníase, com a proposta de digitalizar a Avaliação Neurológica Simplificada, instrumento utilizado no acompanhamento dos casos no Sistema Único de Saúde.

A ferramenta ainda está em fase de protótipo e deverá passar por prova de conceito no estado, inicialmente em duas unidades da rede estadual, entre elas o Hospital Estadual Tavares de Macedo, referência no tratamento da hanseníase.

Articulação federativa e fortalecimento do SUS

A programação da conferência evidenciou a diversidade de realidades enfrentadas pelos territórios e a importância da articulação entre estados, municípios e a União para ampliar o diagnóstico precoce, garantir o tratamento oportuno, fortalecer a vigilância e enfrentar o estigma ainda associado à doença.

A hanseníase exige respostas estruturais e contínuas e reafirmou o compromisso dos estados em apoiar os municípios e coordenar esforços com o Ministério da Saúde para que o diagnóstico precoce e a continuidade do cuidado avancem no País.

Assessoria de Comunicação do Conass, com informações da Ascom da SES/RJ
Fotos: Divulgação SES/RJ