Conass reforça articulação para fortalecer a linha de cuidado para prevenção e controle do câncer de colo do útero em mulheres indígenas

Visita a dois Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) no estado do Amazonas, em Alto Rio Solimões e Manaus

Esta semana o Conass participou de agenda para o fortalecimento da linha de cuidado de prevenção e atenção ao câncer de colo uterino em dois Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) no estado do Amazonas, em Alto Rio Solimões e Manaus.

Em Tabatinga/AM, acompanhados da secretária executiva de assistência da Secretaria Estadual de Saúde, Liege Menezes, os assessores técnicos do Conselho, Luciana Vieira e Haroldo Pontes, puderam discutir com profundidade os produtos técnicos elaborados pelo grupo: nota técnica com o fluxograma da linha de cuidado para cada um dos DSEI, cartilha orientativa para a população indigena e videos institucionais com o percurso das mulheres na linha de cuidado. Todo o conteúdo foi desenvolvido e validado pela área técnica dos DSEI, da Secretaria de Saúde Indígena do Ministério da Saúde (SESAI), da Secretaria Estadual da Saúde do Amazonas (SES/AM) e do Conass.

Durante a programação, Haroldo Pontes destacou que a iniciativa surgiu da necessidade de construir respostas concretas para um dos principais desafios enfrentados pela população indígena: o acesso ao cuidado integral e organizado em saúde.

Segundo ele, o trabalho identificou como prioridade o enfrentamento ao câncer do colo do útero em mulheres indígenas, especialmente nos estados do Amazonas e do Mato Grosso do Sul, definidos como territórios-piloto da ação. A proposta prevê a estruturação de uma linha de cuidado específica, com definição de fluxos assistenciais, produção de materiais técnicos e articulação entre os diferentes níveis de atenção.

Haroldo ressaltou ainda que o projeto é resultado de um esforço coletivo entre o grupo de trabalho de Saúde Indígena, a Comissão Intergestores Tripartite (CIT) e parceiros envolvidos na pauta, reunindo experiências construídas ao longo de diversas reuniões técnicas presenciais e virtuais. “O trabalho conjunto mostra que é possível construir soluções articuladas para ampliar o acesso e garantir cuidado qualificado às populações indígenas”, afirmou.

A assessora técnica do Conass, Luciana Vieira, destacou a importância da construção em conjunto por todos os atores envolvidos no território e com escuta qualificada das mulheres indígenas. “Para além do desenho em si da linha de cuidado, da promoção à saúde aos cuidados paliativos, conforme previsto na Rede de Prevenção e Controle do Câncer, temos três aspectos extraordinários. O primeiro deles, a evidência de que o rastreamento organizado é possível, seja pelo novo método dna-hpv, ou pelo exame preventivo tradicional. O segundo, a navegação do cuidado a essas mulheres, previsto em Lei e que está acontecendo na vida real dessas comunidades. E, ainda, a inserção no Sistema de Informação do Câncer de todos esses dados, direto pelas equipes do polo-base. Todas essas transformações foram possíveis graças ao diálogo constante estimulado pelo grupo de trabalho”, destacou. 

A agenda em Tabatinga também reforçou a importância da integração entre estados, municípios e o Ministério da Saúde para reduzir desigualdades históricas no acesso aos serviços de saúde nos territórios indígenas, especialmente em regiões de fronteira e de difícil acesso. “Nós estamos saindo daqui com belíssimos produtos, uma nota técnica praticamente concluída, vídeo, nota explicativa e cartilha. Produtos que falam desse problema que é câncer de colo de útero em mulheres indígenas e o desafio de enfrentá-lo, que é o que esses dois DSEI estão fazendo e que servirá de exemplo para todo o Brasil”, afirmou Luciana.

Já a secretária Liege Menezes enfatizou o avanço na construção de uma política pública mais eficiente para a saúde da mulher indígena, incorporando tecnologias modernas que ampliam a capacidade de prevenção e diagnóstico precoce para o câncer de colo de útero. “O espaço dessa discussão, junto com os entes federados, vem trazendo uma relevância importante para a validação e para esse pré-lançamento das notas técnicas, fluxos assistenciais e produtos que possam ser publicizados para o fácil acesso e entendimento à nossa população”, destacou.

A programação também contou com uma visita técnica ao polo base Belém do Solimões, uma das maiores aldeias do Brasil, com acesso exclusivo fluvial, onde foi possível conhecer o fluxo assistencial da autocoleta, o trabalho de prevenção, o rastreamento dessas mulheres e todo trajeto delas dentro da rede assistencial. Em Tabatinga, ocorreu ainda visita  à Casa de Saúde Indígena (CASAI), onde foi discutido o percurso da mulher indigena, do diagnóstico ao tratamento e retorno à aldeia.

O tema será apresentado oportunamente na assembleia do Conass e na CIT, ampliando o debate sobre estratégias para fortalecer o cuidado aos povos indígenas no Sistema Único de Saúde.

Tatiana Rosa
Assessoria de Comunicação do Conass