
Minas Gerais – Uma cerimônia histórica marcou, nesta segunda-feira, 25 de maio, o encerramento definitivo das atividades manicomiais de longa permanência no antigo Hospital Colônia em Barbacena/MG, após 115 anos de um ciclo nacionalmente conhecido como o “Holocausto Brasileiro”.
A solenidade aconteceu com a presença de autoridades locais, entre elas o prefeito da cidade, Carlos Augusto Soares do Nascimento, do secretário estadual de Saúde, Fábio Baccheretti, de representantes do Ministério Público, de conselhos de saúde e do secretário executivo do Conass, Jurandi Frutuoso.
Fábio Baccheretti, ressaltou que aquele era o momento mais marcante de sua gestão. Em uma reflexão simbólica, Baccheretti pontuou o orgulho de inverter o papel tradicional de sua função, pois em vez de abrir leitos, hoje ele estava fechando leitos que aprisionavam vidas. O secretário agradeceu aos movimentos sociais, ao controle social e aos trabalhadores da instituição, enfatizando que a transferência dos últimos moradores para os Serviços de Residências Terapêuticas só foi possível graças a uma luta histórica de mais de duas décadas pela Reforma Psiquiátrica, além da coragem e parceria do município para efetivar o direito à liberdade de forma digna e definitiva.
Já o secretário executivo do Conass, classificou a iniciativa como um acontecimento a ser celebrado e disse que o momento representa não apenas o fim de uma era de dor, mas o nascimento de um novo modelo de cuidado baseado na dignidade.
Emocionado, Frutuoso destacou o peso histórico e o significado profundo da data. “Este momento que agora celebra a virada da história não pode ser esquecido jamais. Talvez esteja dando aqui a oportunidade para os livros cravarem que, para além do município que tinha uma colônia onde morreram mais de 60 mil pessoas, Barbacena vira agora a terra da esperança, a terra do respeito, a terra da dignidade, onde a saúde se faz com muita qualidade e com muita responsabilidade”, disse.

O secretário homenageou ainda os esforços da gestão pública e a união de forças dos profissionais que tornaram p o momento possível, lembrando que a reforma psiquiátrica impulsionada pela Lei n. 10.216/21 ganha, com este acontecimento, a sua expressão mais humana. Segundo ele, o avanço da saúde pública se consolida quando o acolhimento supera o isolamento: “Nós teremos medicina humanizada quando profissionais que respeitam o paciente, que chamam pelo nome, que tocam e que escutam o que ele sente prevalecerem dentro do nosso sistema.
Com o encerramento das atividades, os últimos 14 pacientes que ainda viviam na instituição foram transferidos para residências terapêuticas na zona rural da cidade, o que segundo Frutuoso, deixa para para trás a sombra dos antigos manicômios para se consolidar definitivamente como um símbolo nacional de respeito e humanização no cuidado à saúde mental.
—
Tatiana Rosa
Assessoria de Comunicação do Conass