Conass participa de debate sobre fortalecimento da saúde rural no Brasil

Aconteceu hoje (28), em Brasília, o evento Saúde Rural em Evidência: Desafios, Avanços e Perspectivas, na sede da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em comemoração ao primeiro ano do Programa Saúde no Campo.

O Programa completa seu primeiro ano de implementação, consolidando-se como uma iniciativa estratégica para ampliar o acesso à saúde e reduzir desigualdades nos territórios rurais do Brasil. Desenvolvido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, em parceria com a CNA, o programa busca enfrentar desafios históricos vividos pelas populações do campo, como a dificuldade de acesso aos serviços de saúde, a escassez de profissionais e as barreiras territoriais.

João Martins, presidente da Confederação, destacou que, apesar de os produtores rurais já receberem algum tipo de acompanhamento, muitas famílias do campo permaneciam desassistidas na área da saúde. “Em diversos casos, as pessoas sequer sabiam a causa das doenças que enfrentavam, cenário que motivou a criação do programa de saúde voltado às populações rurais”, disse ele. 

Ao longo do primeiro ano, a iniciativa implementou um modelo de cuidado territorializado, com visitas domiciliares, ações de educação em saúde, telessaúde e articulação com o Sistema Único de Saúde (SUS), fortalecendo a prevenção, o diagnóstico precoce e o acompanhamento das famílias rurais.

Para o secretário executivo do Conass, Jurandi Frutuoso, celebrar este momento é, acima de tudo, reconhecer que a saúde rural deixou de ocupar um lugar periférico nas políticas públicas e passou a ser compreendida como uma agenda estratégica para o desenvolvimento nacional. “É no campo que se produzem alimentos, riqueza, sustentabilidade, cultura e vida. Mas é também nos territórios rurais que ainda persistem desigualdades históricas no acesso aos serviços de saúde, dificuldades de deslocamento, escassez de profissionais, fragilidades de infraestrutura e barreiras territoriais que desafiam, diariamente, o SUS”, disse. 

Segundo ele, discutir saúde rural é tratar de equidade, justiça social, desenvolvimento humano e sustentabilidade. Jurandi destacou que o SUS nasceu com um princípio civilizatório fundamental, que é garantir a saúde como direito de todos e dever do Estado. No entanto, ressaltou que esse princípio só se concretiza plenamente quando as políticas públicas conseguem alcançar as populações que historicamente permaneceram mais distantes do acesso aos serviços de saúde.

Jurandi disse ainda, que alcançar as populações rurais exige mais do que ampliar a oferta de serviços de saúde. Para ele, é fundamental reconhecer as particularidades dos territórios, respeitar culturas e modos de vida, além de considerar as necessidades específicas de cada comunidade na construção de soluções flexíveis, integradas e conectadas à realidade local.

O secretário pontuou ainda que o Conass acompanha com atenção as iniciativas voltadas ao fortalecimento da Atenção Primária à Saúde e à ampliação da capacidade de cuidado nos territórios. “Não haverá um SUS forte sem uma política robusta para as populações rurais, ribeirinhas, indígenas, quilombolas e comunidades historicamente invisibilizadas”, afirmou.

O evento visa promover um debate internacional qualificado sobre saúde rural, destacando a experiência brasileira por meio do Programa Saúde no Campo e fortalecendo a saúde rural como uma agenda estratégica global voltada à equidade, ao acesso e à garantia do cuidado para populações que vivem em territórios historicamente vulnerabilizados.

Luiza Tiné

Assessoria de Comunicação do Conass