
Brasília – Nesta sexta-feira, o secretário executivo do Conass, Jurandi Frutuoso, participou de reunião na sede da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS), junto com autoridades da organização, representantes do Ministério da Saúde, do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e do Instituto Nacional de Cardiologia, para encaminhamentos da iniciativa HEARTS no Brasil.
O encontro encerrou a Agenda de Trabalho HEARTS no Brasil, que ocorreu na sede da Opas, entre os dias 12 e 13 de agosto, com debates híbridos e virtuais, em conjunto com parceiros que avaliaram metas de controle de doenças cardiovasculares no SUS.
Os principais temas debatidos foram o fortalecimento do manejo de hipertensão e doenças crônicas nos postos de saúde, a atualização de protocolos para risco cardiovascular integrado e a articulação institucional com a participação da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e órgãos de gestão em agendas presenciais em Brasília e no Rio de Janeiro, além das visitas técnicas para avaliação de fluxos práticos de atendimento na rede pública
Durante a reunião, Jurandi Frutuoso destacou que o fortalecimento da iniciativa no Brasil depende de uma construção coletiva e articulada entre os diferentes níveis de gestão. “União, estados e municípios precisam atuar de forma integrada, considerando as diferentes realidades, capacidades e necessidades dos territórios”, enfatizou.
Ele também chamou a atenção para a necessidade de que o HEARTS esteja integrado às políticas e estratégias já existentes no SUS, especialmente à Atenção Primária à Saúde e à organização das redes de atenção, evitando que a iniciativa seja desenvolvida de forma isolada.

A discussão contemplou ainda o HEARTS 2.0, que amplia a perspectiva da iniciativa ao propor um cuidado integrado para as condições cardiovasculares, renais e metabólicas. A abordagem envolve o fortalecimento de ações de promoção da saúde, prevenção, diagnóstico, tratamento e acompanhamento contínuo das pessoas. “O próximo passo é transformar as discussões e acordos construídos ao longo da semana em resultados concretos, com definição de prioridades, metas, responsabilidades e mecanismos permanentes de acompanhamento e avaliação”, disse o secretário executivo.
Jurandi também destacou a importância de valorizar experiências já desenvolvidas no Brasil, como a Planificação da Atenção à Saúde e o Modelo de Atenção às Condições Crônicas, ampliando a cooperação entre estados, municípios, Ministério da Saúde, Opas/OMS e demais parceiros. Ele reafirmou o compromisso do Conass com a agenda e com a construção da Rede Brasileira para a iniciativa Melhor Atenção às Doenças Crônicas Não Transmissíveis, que deverá atuar como espaço permanente de colaboração, intercâmbio de experiências e construção conjunta de soluções. “O resultado efetivo do trabalho será medido pela capacidade de transformar os acordos em ações concretas e, consequentemente, melhorar o cuidado oferecido à população”, concluiu.
A consultora do Conass Jaqueline Vasques, que participou das discussões da Agenda de Trabalho, destacou a convergência entre a iniciativa HEARTS e os processos de trabalho já desenvolvidos nos territórios, especialmente a partir da Planificação da Atenção à Saúde. Segundo ela, a proposta pode contribuir para estabelecer uma linguagem comum entre as equipes, a partir de ferramentas como a estratificação de risco cardiovascular e protocolos assistenciais, favorecendo a organização das redes e o compartilhamento do cuidado. “A iniciativa apresenta forte convergência com a Planificação, especialmente em aspectos como gestão da população, estratificação de risco, acompanhamento longitudinal, cuidado compartilhado entre a Atenção Primária e a atenção especializada, matriciamento e monitoramento de resultados. Precisamos pensar o HEARTS de forma sinérgica, para que não seja um projeto ou um trabalho a mais, mas que contribua com as iniciativas que já existem”, ressaltou.
Para Jaqueline, essa integração é fundamental diante da complexidade dos problemas de saúde atuais e da necessidade de superar um modelo ainda muito concentrado no atendimento aos eventos agudos e às agudizações das condições crônicas.
Ela destacou ainda que o enfrentamento das doenças cardiovasculares exige uma mudança na forma de organização do cuidado, com fortalecimento das Redes de Atenção à Saúde. Nesse sentido, a Planificação da Atenção à Saúde desenvolvida pelo Conass contribui para apoiar estados e municípios na operacionalização das redes em seus territórios, em articulação com o Conasems e os Cosems. A proposta, segundo a consultora, é aproveitar essas estruturas e experiências para que o HEARTS seja incorporado de maneira articulada, sustentável e adequada às diferentes realidades do SUS.
Entre os principais encaminhamentos da oficina está a proposta de levar a implementação do HEARTS no Brasil à agenda do Grupo de Trabalho Tripartite, envolvendo Ministério da Saúde, Conass e Conasems, para alinhamento e planejamento conjunto dos próximos passos. As Câmaras Técnicas dos Conselhos também poderão contribuir para a construção coletiva da estratégia e sua capilarização nos estados e municípios.
A oficina reforçou ainda que o desafio não é criar uma nova estrutura ou projeto para o SUS, mas conectar e potencializar políticas, processos de trabalho e capacidades já existentes, evitando sobreposição de iniciativas e sobrecarga das equipes. A proposta é avançar na implementação de um cuidado cardiovascular, renal e metabólico integrado, coordenado pela Atenção Primária e orientado para melhores resultados para a população.
A iniciativa global HEARTS é liderada pela Organização Mundial da Saúde e envolve vários atores mundiais. Nas Américas, é uma iniciativa dos países da região, liderada pelos Ministérios da Saúde, com a participação de atores locais e a cooperação técnica da Opas, que busca se integrar de forma contínua e progressiva aos serviços de saúde já existentes para promover a adoção das melhores práticas globais na prevenção e controle de doenças cardiovasculares.
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Tatiana Rosa
Assessoria de Comunicação do Conass