SUS mobiliza rede de apoio para preparar estados e municípios para impactos do El Niño

Foto: Gustavo Gloria/MS

Com foco na preparação do Sistema Único de Saúde (SUS) para os impactos do fenômeno El Niño, o Ministério da Saúde promoveu, nesta terça-feira (1), o 2º Dia D do Apoio Institucional em Movimento. A mobilização reuniu gestores, apoiadores institucionais e representantes das redes estaduais e municipais de saúde em uma ação simultânea em todo o país voltado à preparação, à prevenção e à resposta do SUS diante dos possíveis efeitos do El Niño nos diferentes territórios.

A mobilização busca fortalecer a articulação entre o Ministério da Saúde, os estados, municípios, as defesas civis e demais atores estratégicos dos territórios. O objetivo é ampliar a capacidade de preparação e resposta do SUS diante dos possíveis impactos associados ao fenômeno climático.

Durante a abertura, o secretário executivo do Conass, Jurandi Frutuoso, destacou que a possibilidade de ocorrência do El Niño exige que estados e municípios se preparem com antecedência. Segundo ele, as projeções indicam alta probabilidade de ocorrência do fenômeno, com possíveis efeitos entre setembro deste ano e março de 2027. “Essa ameaça não pode nos pegar desprevenidos, como foi na Covid. Não precisamos estar aqui discutindo se vai ou não vai acontecer. É praticamente certo que vai acontecer”, afirmou.

Frutuoso destacou que o cenário representa aproximadamente seis meses de atenção e trabalho intenso das equipes de saúde. Para ele, a mobilização demonstra a capacidade de articulação do SUS e a importância da atuação coordenada entre União, estados e municípios. “Vamos ficar atentos e à disposição para ajudar nessa articulação”, disse, ao reforçar a disponibilidade do Conass para apoiar os estados diante de situações que demandem maior mobilização ou ativação das redes de resposta.

Além disso, Jurandi ressaltou a importância de monitorar continuamente as ações. Para ele, os planos devem ser revisados e adaptados conforme as mudanças no cenário e as necessidades identificadas em cada território.

Preparação 

O secretário executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, destacou que os efeitos das mudanças climáticas já podem ser observados em diferentes regiões do país e reforçou a necessidade de uma preparação objetiva e articulada. “Não temos tempo a perder e não podemos fazer firula na nossa preparação. Nossa preparação tem que ser muito séria, muito objetiva, para organizar o que nós vamos fazer para salvar vidas, preservar e preparar o sistema de saúde para esse efeito”, afirmou.

Segundo Massuda, os impactos podem ocorrer de formas distintas e simultâneas nos territórios. No Norte, por exemplo, já são observados efeitos relacionados à estiagem e ao comportamento dos rios. Em outras regiões, os desafios podem envolver chuvas intensas, calor extremo, queimadas, deslizamentos e outros eventos associados às condições climáticas.

Ele falou ainda da situação observada em Roraima, onde mudanças no volume de água do Rio Branco já demandam atenção para possíveis impactos sobre a população, incluindo a necessidade de preparação para situações de isolamento e estiagem. Ele também lembrou episódios recentes na Amazônia, marcados pela combinação de seca, estiagem e queimadas. “São efeitos diversos, variados e que podem se acentuar até o final do ano e se estender até o ano que vem. Efeitos intensos, variados e concomitantes”, comentou.

Territórios

O assessor técnico do Conasems, Rodrigo Lacerda, falou que os impactos do El Niño não serão uniformes no País. As diferentes características climáticas, territoriais e sociais exigem estratégias adaptadas às realidades locais. 

Segundo ele, a preparação deve envolver a aproximação entre estados, municípios e os Conselhos de Secretarias Municipais de Saúde, fortalecendo a capacidade de resposta diante de diferentes situações de emergência. “Entre os possíveis desafios estão seca, queimadas, chuvas intensas, deslizamentos e tornados, além de outros eventos extremos que podem afetar diretamente a saúde da população e a capacidade de funcionamento dos serviços”, frisou. 

Planos estaduais e atuação integrada

A programação do 2º Dia D prevê a apresentação do Plano Nacional de Enfrentamento ao El Niño e o debate sobre sua implementação de acordo com as especificidades de cada estado. A proposta é identificar riscos, territórios e populações mais vulneráveis, além de organizar medidas antecipatórias e definir estratégias de resposta.

Outro eixo da mobilização é o fortalecimento dos Coletivos Locais, entendidos como espaços de articulação e integração da rede de apoio institucional. A iniciativa pretende potencializar as contribuições de diferentes políticas, programas e estratégias do Ministério da Saúde presentes nos territórios, evitando fragmentação, sobreposição ou lacunas nas ações.

A atuação conjunta também busca fortalecer o alinhamento político-institucional entre o Ministério da Saúde, suas Superintendências nos estados, Secretarias Estaduais de Saúde, Cosems e a rede de apoiadores.

A mobilização ocorre em um contexto em que eventos climáticos extremos têm exigido respostas cada vez mais rápidas e coordenadas do sistema de saúde. Ao antecipar riscos, organizar planos e aproximar as diferentes esferas de gestão, o SUS busca reduzir impactos, proteger populações vulneráveis e garantir a continuidade da atenção à saúde nos territórios.

Luiza Tiné

Assessoria de Comunicação do Conass