Conass debate interoperabilidade e modernização dos sistemas de informação na Vigilância em Saúde do SUS

Assessores técnicos das secretarias estaduais de saúde participaram, hoje (9), da reunião presencial da Câmara Técnica do Conass de Epidemiologia, coordenada pelo assessor técnico do Conselho, Nereu Henrique Mansano. O encontro teve como foco a transformação digital da Vigilância em Saúde, com destaque para a integração à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) e para a atualização tecnológica dos sistemas de informação essenciais ao SUS.

Durante a reunião, Nereu destacou a importância de ampliar a compreensão sobre o papel da RNDS para a organização e integração das informações de saúde. Segundo ele, a Rede deve ser compreendida apenas como um repositório de dados isolados, mas como um ecossistema de interoperabilidade capaz de consolidar as informações de saúde do cidadão em diferentes pontos da rede. “É fundamental que avancemos na compreensão da RNDS para além dos registros. Precisamos enxergá-la como uma infraestrutura  para a integração das informações de saúde e para a construção de um prontuário unificado do cidadão, permitindo que os dados acompanhem as pessoas ao longo da sua trajetória de cuidado no SUS”, disse. 

O assessor técnico do Conselho, Fernando Avendanho, reforçou o papel das Câmaras Técnicas como espaços de articulação e construção conjunta entre os estados. Ele explicou que os representantes das secretarias contribuem para a definição das pautas e para o aprofundamento de temas que posteriormente subsidiam as discussões na Comissão Intergestores Tripartite. “A participação de vocês é fundamental, também, para a definição da nossa pauta, trazendo as necessidades dos estados e contribuindo para que possamos aprofundar essas discussões”, avaliou. 

Atualização dos sistemas de vigilância

Letícia Cardoso, diretora do Departamento de Doenças e Agravos Não Transmissíveis do Ministério da Saúde (MS), disse que a atuação articulada entre estados, municípios e MS é essencial,  especialmente diante da proximidade do encerramento do ciclo de gestão. Ela também ressaltou a necessidade de avançar na atualização dos sistemas de vigilância, considerando esse processo fundamental para o fortalecimento das atividades e para a qualificação das informações em saúde. “A atualização dos sistemas de vigilância é um movimento necessário para aprimorarmos os processos de trabalho e fortalecermos a Vigilância em Saúde. Esperamos que este encontro proporcione um espaço qualificado de diálogo e troca de experiências, contribuindo para a construção dos próximos passos desse processo”, comentou. 

O coordenador de Informações e Análise Epidemiológica do MS, Ricardo Gadelha, ressaltou a necessidade de atualização dos sistemas de vigilância, com destaque para o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e o Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC). “O SIM e o SINASC são sistemas fundamentais para a saúde pública brasileira. Para avançarmos na implantação das novas versões e plataformas, precisamos contar com o apoio dos estados e municípios. Esse processo deve ocorrer de forma gradativa, pactuada e construída em conjunto, garantindo segurança e qualidade na transição”, enfatizou. 

Interoperabilidade

Para Robson Matos, diretor substituto do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus), a parceria entre as instituições para a modernização dos sistemas estruturantes de informação em saúde. Segundo ele, sistemas como o SIM e o SINASC são essenciais para garantir a rastreabilidade das informações ao longo da trajetória do cidadão. “Estamos trabalhando para trazer esse prontuário unificado, essa linha da vida do cidadão para dentro da RNDS. O bom funcionamento desses sistemas e desses cadastros é fundamental para que tenhamos toda essa rastreabilidade,” falou. 

Robson ressaltou também o trabalho desenvolvido para a evolução dos sistemas, a adoção do CPF como identificador único e a padronização tecnológica e de interoperabilidade utilizada no SUS. “Estamos trabalhando não apenas na evolução dos sistemas, mas também na utilização do CPF como identificador único e na modernização dos sistemas, unificando cadastros e adotando padrões tecnológicos e de interoperabilidade utilizados hoje no SUS por meio da RNDS”, destacou.

A programação da Câmara Técnica se estende por dois dias e contempla debates sobre diferentes temas estratégicos para a Vigilância em Saúde. A pauta inclui também temas relacionados aos vírus respiratórios, os impactos da vacinação em gestantes, os desafios na articulação com os Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais  e o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da hanseníase.

A programação terá continuidade amanhã, com a realização de uma reunião conjunta com a Câmara Técnica de Vigilância em Saúde Ambiental, ampliando o espaço de integração e troca de experiências entre as áreas técnicas das Secretarias Estaduais de Saúde.


Luiza Tiné 

Assessoria de Comunicação do Conass