Visita de Tânia Mara Coelho, presidente do Conass, acompanhada pelo médico Drauzio Varella e representantes da Umane, mostrou na prática os avanços da metodologia na organização dos serviços e na assistência à população
Conhecer de perto como a organização dos serviços de saúde pode transformar o atendimento à população. Com esse objetivo, a presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e secretária da Saúde do Ceará, Tânia Mara Coelho, apresentou ao médico Drauzio Varella e por representantes da Associação Umane, as unidades de saúde da região do Cariri, no Ceará, para conhecer os resultados da Planificação da Atenção à Saúde. A região de saúde do Cariri, no Ceará, registrou um importante avanço na redução da mortalidade infantil. Em setembro de 2026, a Taxa de Mortalidade Infantil chegou a 8,6 óbitos por mil nascidos vivos, alcançando um resultado expressivo para a saúde materno-infantil na região.
Criada pelo Conass, a metodologia tem contribuído para reorganizar os processos de trabalho, integrar os diferentes níveis de atenção e qualificar a assistência nos territórios. E para ver de perto, a agenda incluiu o Hospital São Vicente de Paulo, em Barbalha; a Unidade Básica de Saúde Edite Mariano, no bairro Zacarias Gonçalves, no Crato; e a Policlínica Anderson Bezerra, também no Crato.
Durante as visitas, a comitiva acompanhou o funcionamento dos serviços, conversou com profissionais e conheceu estratégias adotadas pelas equipes para garantir a continuidade do cuidado, especialmente no acompanhamento das gestantes e na atenção materno-infantil.
A Planificação da Atenção à Saúde é uma ferramenta de gestão que organiza macroprocessos de trabalho e fortalece as Redes de Atenção à Saúde, com o objetivo de assegurar o cuidado certo, no tempo e no lugar adequados. A proposta promove a integração entre a Atenção Primária à Saúde, à Atenção Ambulatorial Especializada e, no ciclo atual, a Atenção Hospitalar.
O processo envolve pactuação com gestores, formação dos profissionais, estruturação e revisão de fluxos assistenciais, organização de linhas de cuidado, monitoramento de indicadores e fortalecimento da governança regional. As ações são construídas a partir das necessidades da população e das características de cada território.
Resultados que transformam a assistência
Na Policlínica Anderson Bezerra, Tânia Mara Coelho destacou a importância do trabalho desenvolvido no Cariri, onde a Planificação começou a ser implantada há mais de dois anos, por meio do Projeto De Braços Abertos com a participação de diferentes instituições parceiras. “Estamos aqui para acompanhar a atuação das equipes assistenciais e conhecer de perto o modelo implantado no Ceará, que vem fazendo a diferença no atendimento às nossas gestantes. Fiquei feliz com os resultados. Tivemos uma redução importante da taxa de mortalidade infantil, fruto de um grande trabalho coletivo”, afirmou.
A presidente ressaltou, ainda, a satisfação de acompanhar a presença cada vez maior do Conass junto aos estados na implementação da metodologia. Para ela, a experiência demonstra como a integração entre gestão e assistência pode produzir melhorias concretas no atendimento e na qualidade do cuidado oferecido à população.
O médico Drauzio Varella também elogiou a experiência e chamou a atenção para um aspecto fundamental para a continuidade do trabalho: o envolvimento dos profissionais. Para ele, manter as equipes motivadas é um dos maiores desafios de iniciativas dessa natureza.“Talvez o mais difícil seja manter a motivação. Isso ficou evidente quando conversei e vi as pessoas trabalhando. Sem essa motivação, as coisas vão perdendo o sentido. É um trabalho muito interessante”, destacou.
Integração e valorização dos agentes comunitários de saúde
Representantes da Umane também reconheceram a evolução do projeto e as mudanças na dinâmica de trabalho das equipes desde o início da implantação. Um dos pontos destacados foi a maior participação dos profissionais e dos usuários nos processos de cuidado.
Rogério Rabelo, membro do Conselho de Administração e do Comitê da Umane, ressaltou que no início do programa, os coordenadores conduziam as conversas, enquanto médicos e pacientes ouviam. “Agora, a dinâmica é diferente: os médicos e os próprios usuários participam mais ativamente dos diálogos, demonstrando uma mudança importante na organização do trabalho e na construção compartilhada das soluções”, disse.
Na avaliação dos conselheiros, a experiência também evidencia a necessidade de avançar na integração das informações em saúde. Entre as propostas apresentadas está o fortalecimento do trabalho dos agentes comunitários de saúde e a ampliação do uso de tecnologias, como a inteligência artificial e o prontuário eletrônico integrado, para conectar os municípios e os diferentes níveis de atenção.
Segundo eles, a integração dos sistemas permitiria reduzir o trabalho burocrático e a circulação de documentos em papel, além de facilitar a comunicação entre os serviços. Com mais informações disponíveis e compartilhadas, os profissionais poderiam dedicar mais tempo ao acompanhamento dos pacientes e à realização do cuidado.
A valorização dos agentes comunitários de saúde foi apontada como estratégica nesse processo, considerando o papel desses profissionais na aproximação entre os serviços e a população e na identificação das necessidades de cada território.
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Luiza Tiné
Assessoria de Comunicação do Conass